quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Igreja é acusada de orientar fieis a trocarem medicação contra AIDS por água ungida


Uma igreja de Londres está oferecendo água ungida para fieis que são portadores do vírus HIV com a promessa de que eles serão curados. As autoridades inglesas estão atentas ao caso, pois foram registradas mortes de pacientes que pararam de tomar suas medicações sob orientação dos líderes religiosos.
“Eu tenho uma amiga que procurou um pastor. Ele recomendou que minha amiga parasse de tomar a medicação, que Deus iria curá-la. Ela acreditou nisso, parou de tomar a medicação e acabou falecendo”, conta a nigeriana Jane Iwu, 48 anos e portadora do vírus HIV.
Segundo a BBC, o ex-ministro da Saúde da Inglaterra, Sr. Lord Flower se manifestou contra esse tipo de orientação. “É simplesmente errado, é um mal que deve ser combatido”, afirmou Flower, que nos anos 80 coordenou uma campanha de prevenção contra a AIDS.
Jane Anderson, diretor do Centro para o Estudo da Saúde Sexual e HIV, conta que tratou uma pessoa soropositiva que faleceu pois tinha resolvido seguir os conselhos de um pastor e havia parado de tomar a medicação: “Eu só vi isso uma vez, mas sei que tem acontecido”.
O Chefe do Comitê Africano de Política de Saúde, Francis Kaikumba, afirma que existem diversas igrejas em Londres que oferecem a oração que “cura todas as doenças”.
A principal suspeita recai sobre a Igreja Sinagoga de Todas as Nações, sediada na Nigéria, mas com templos em diversas regiões do Reino Unido. No site da filial da igreja em Londres, há uma seção chamada “Fila de Oração”, onde a igreja solicita aos fiéis que levem exames médicos para que a cura seja comprovada: ”Se você tem um problema de saúde, é importante trazer um relatório médico para fins de registro e testemunho”. A igreja ressalta os testemunhos de pessoas que alegam terem sido curadas de diversas doenças, como artrite, asma, esquizofrenia, além da própria AIDS, após receberem a “água ungida”.
“Disseram que qualquer doença pode ser curada através da oração, inclusive o HIV”, contou Mary Buhari, de 44 anos, que certa vez ligou para a igreja e falou com um atendente. Porém, quando a reportagem questionou o porta-voz sobre o relato, ele afirmou que “nós não curamos. Deus é quem cura. Não há doença que Deus não possa curar. Mas nós não pedimos às pessoas que parem de tomar a medicação”.
Em nota recente, o Comitê para Conscientização sobre HIV da Câmara dos Lordes afirmou que é importante a parceria com líderes religiosos: “É essencial que líderes religiosos se envolvam com o problema do HIV e ofereçam um apoio eficaz e verdadeiro para tratarmos desse assunto”. As autoridades ainda investigam se as igrejas orientam ou não os fiéis para que parem de tomar suas medicações antirretrovirais.
Fonte: Gospel+

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