quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Chuva de pássaros lembra filme de terror e traumatiza crianças nos EUA

No último dia de 2010, cerca de 5.000 pássaros negros caíram mortos sobre a cidade de Beebe, no Estado americano de Arkansas. Um dia antes, 100 mil peixes foram encontrados boiando sem vida, num rio do município de Ozark, também em Arkansas. No terceiro dia de 2011, foi a vez de 500 aves do Estado também sulista da Louisiana. Choveu pássaro morto até na Suécia. Estava estabelecido o primeiro mistério sombrio do ano.
Em entrevista ao R7, o xerife Ronald Macarthur, de Beebe, comparou o que aconteceu a uma história de horror.
- O entardecer de segunda-feira parecia cena de livro do Stephen King. As crianças choravam ao ver aquela quantidade de passarinhos espalhados pelas estradas, pastos e no jardim da escola. No começo das aulas estamos totalmente dedicados ao trabalho de acompanhamento psicológico dos alunos.
Para ajudar a combater o trauma das crianças, a escola de Pointe Coupee, na Louisiana, criou um serviço de terapia, diz a diretora Elizabeth Hardy.
- Depois vamos realizar estudos sobre esse tipo específico de ave, partindo para outras espécies e toda a fauna da região. Concluiremos com o estudo das causas desse desastre.
Trata-se, porém, de um currículo escolar difícil de ser ministrado. Os cientistas, apesar de arriscarem palpites diversos, ainda não parecem nem perto de encontrar uma explicação exata para cada um desses fenômenos de mortandade.
O professor Jeffrey Fisher, da Universidade da Geórgia, para onde foram mandados alguns dos pássaros mortos em Beebe, determinou que não há indícios de doenças nos animais.
- Numa primeira análise concluímos que os pássaros morreram de estresse, de choque. Seus corpos apresentam sinais de que tenham se chocado contra algo sólido. Achamos que foram colisões com torres de alta voltagem na região, que é também zona de acasalamento dessa espécie.
Pássaros pagam o pato
A explicação, porém, não convence a muitos. Além das inevitáveis teorias de conspirações, a internet imediatamente captou palpites de cientistas sérios. Esses duvidavam das primeiras explicações para o evento.
Um dos céticos é o professor Roger Taylor, da Universidade da Pensilvânia.
- Estresse não causa traumas físicos semelhantes ao choque de uma vítima contra algo sólido. As explicações da equipe da Universidade da Geórgia não fazem sentido. Isso, sem contar com a mortandade na Louisiana e os 100 mil peixes num rio não poluído e que não teve cheia exagerada.
Tanto em Beebe, quanto em Ozark, a maioria dos habitantes encontrou explicações bem menos científicas, mas cheias de sabedoria popular. O xerife Mcarthur também tem um palpite.
- Não se esqueçam de que aqui do lado, no Alabama, existem cidades onde há cem anos não nevava. Nevou no Natal. A tempestade, que foi afetar até o nordeste americano, não espalhou apenas neve pelo país, mas também umidade, ventos fortes, muita energia estática e toda sorte de efeitos do clima violento. O problema todo está nas mudanças climáticas que estamos vendo. Pode não ser aquecimento da Terra, mas eu aposto que é isso.
Ou seja: o homem abusa, e os pássaros pagam o pato.

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