quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Banheiro exclusivo para comunidade LGBT cria polêmica no Rio


Banheiro masculino e banheiro feminino são comuns de serem encontrados em vários tipos de estabelecimento. Mas a escola de samba Unidos da Tijuca, campeã do carnaval carioca de 2010, está causando polêmica graças ao anúncio da inauguração de um banheiro para a comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais (LGBT). A escola informou que o banheiro vai ser inaugurado no próximo sábado (8).
“Foi uma demanda feita por este grupo (LGBT), há bastante tempo. Eles diziam que, quando frequentavam o banheiro masculino, tinham alguns grupos de homens que podiam estar fazendo algum tipo de brincadeira. E no banheiro feminino, talvez, as mulheres não gostassem tanto”, explica Bruno Tenório, coordenador de comunicação social da Unidos da Tijuca.
Segundo a assessoria de comunicação da escola, nem travestis, nem homossexuais masculinos ou femininos se sentiam à vontade em usar os banheiros comuns. A iniciativa do banheiro LGBT tem a aprovação de componentes da ala abertamente gay da Unidos da Tijuca. “Nós queremos transformar este banheiro de homossexuais em um grande camarim para nós, homossexuais, e mais ainda para travestis e transformistas”, ressalta Edu Saad, que é coreógrafo da Unidos da Tijuca.
Para a travesti Karina Karão, banheiro exclusivo é um alívio. “Tem coisas que a gente quer fazer em um banheiro masculino, ou feminino, e não se sente a vontade. Um banheiro gay vai ser maravilhoso, porque a gente vai poder fazer o que a gente quiser”, enfatiza Karina.
Militantes do movimento LGBT criticam banheiro
Para o ativista e estilista Carlos Tufvesson, militante gay e frequentador da Unidos da Tijuca, banheiro exclusivo para homossexuais é discriminatório. “Nós lutamos pela inclusão. Nós lutamos por direitos civis iguais, o meu e o seu. O fato de eu ser homossexual não pode me tirar direitos civis que eu tenho como cidadão brasileiro”, afirma ele.

O superintendente de Direitos Individuais Coletivos e Difusos da Secretaria de estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, acredita que o banheiro seja um estímulo disfarçado de homofobia. “Se a intenção não foi discriminar, a consequência disso gera um efeito concreto de segregação e de discriminação”, analisa Nascimento, que também é presidente do Conselho estadual dos Direitos da População LGBT do Rio de Janeiro e coordenador do programa Rio sem Homofobia.
O banheiro que está provocando tanta polêmica ainda vai ser inaugurado neste sábado, mas outras quatro escolas de samba do Rio já têm banheiros para gays, lésbicas e transsexuais. A pioneira foi a Unidos do Viradouro, que inaugurou um banheiro LGBT em 2006, sem causar maiores rebuliços. Outras escolas que aderiram ao banheiro separado foram a Unidos de Vila Isabel, a Porto da Pedra e a Grande Rio.
A polêmica está aberta. “Sinceramente eu não entendo a necessidade de um banheiro gay, ou um banheiro hétero, ou um banheiro bissexual. Como a gente vai definir isso?”, indaga Tufvesson. “Eu vou adorar ter um banheiro gay especialmente para mim. Se quiser ir, vá. Se não quiser, não vá. É isso”, conclui Karina Karão.
G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.