quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bispo Edir Macedo discursa a favor do aborto e afirma: “um aborto não faz diferença”

A discussão tem se tornado cada vez mais frequente no segundo turno das eleições de 2010 e ganhou força tal que acabou determinando novas estratégias de campanhas eleitorais. Repudiada pela maioria das igrejas cristãs, a legalização do aborto está sendo proposta por muitos como uma solução para a criminalidade e as desigualdades sociais.

Em um vídeo veiculado na internet (Youtube), o líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo fala durante uma de suas pregações sobre os “benefícios” que a discriminalização do aborto poderia trazer ao Brasil. Segundo ele, problemas como delinquência juvenil, orfanatos lotados e desigualdades sociais poderiam ser solucionados com a nova medida tomada a respeito da prática.

Vídeo: Edir Macedo a favor do aborto


Fonte: Guia-me / Gospel+

Pastor Marco Feliciano lança comitê Cristão pró-Dilma: “Tô na benção, Tô com Dilma”. Assista

No último dia vinte e três de Outubro, na cidade de Orlândia-SP, ocorreu um evento na corrida presidencial. O Pastor e Deputado Federal eleito Marco Feliciano, inaugurou o Comitê Nacional Cristão Pró-Dilma, que, segundo a assessoria de imprensa do Pastor, tem o objetivo de “combater às inverdades disseminadas na web e uma série de calúnias e difamações infundadas sobre a candidata a presidência da república Dilma Rousseff”.

No evento estiveram presentes as lideranças regionais do Partido dos Trabalhadores, dentre os quais: – Prefeitos, Vereadores e assessores parlamentares, assim como diversos representas do meio cristão do estado de São Paulo.

Em um discurso incisivo, Pr.Marco Feliciano afirmou que no ano de 2002 os críticos invadiram os meios de comunicação com, segundo ele, “uma abordagem mentirosa e muito parecida com a que a ministra Dilma vem sofrendo”. Segundo o Pastor “dizia-se que governo petista era contra a religião cristã, concomitantemente haveria uma repressão em massa contra os cristãos e muitas igrejas teriam os seus direitos de liberdidade religiosa cassados”.

”A ministra Dilma Russef é sem dúvida a consequência real de todo excelente trabalho exercido pelo Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sendo portanto a melhor escolha de todos nós evangélicos”, afirma Feliciano.

Ao término de sua palavra de lançamento do comitê o pastor Dep. Marco Feliciano convocou os presentes a serem porta-vozes da campanha que elegerá a ministra ao cargo oficial de presidenta da república.

Vídeo – Comitê Cristão pró-Dilma: “Tô na benção, Tô com Dilma”

Evangélicos escorregam na baixaria das Eleições 2010 no Brasil

Evangélicos foram usados na campanha eleitoral como “bucha de canhão”, numa guerra que recorreu à retórica que sempre foi muito bem aceita nesse segmento – a luta do “bem” contra o “mal”. A análise é do teólogo e professor Leonildo Silveira Campos, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

A luta contra o aborto, o casamento ou a união entre pessoas do mesmo sexo juntou segmentos conservadores do lado evangélico e do lado católico nestas eleições. A quase totalidade dos 30 milhões de evangélicos brasileiros – há estimativas superdimensionadas que falam em 46 milhões – deixou de ser uma minoria “e passaram a se sentir importantes, numérica e socialmente, impulsionados por uma auto-representação de serem o fiel da balança em tempos de eleições”, avaliou Campos.

Institutos averiguadores das intenções de voto divergem quanto ao papel dos eleitores evangélicos no primeiro turno das eleições presidenciais. Pesquisa do Ibope pós 3 de outubro concluiu que o voto religioso teve papel decisivo para levar o pleito ao segundo turno.

“A queda de Dilma (Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores – PT) na véspera do primeiro turno começou entre os evangélicos e depois se estendeu aos católicos. O principal motivo foi a campanha em templos e igrejas contra o voto na candidata por causa da legalização do aborto, defendida pelo PT”, escreveu o repórter José Roberto de Toledo, de O Estado de São Paulo, ao analisar a pesquisa do Ibope.

O DataFolha realizou pesquisa no dia 8 de outubro e detectou que apenas 3% dos entrevistados que declararam ter religião receberam orientação da igreja para não votar em algum dos candidatos à presidência da República. É indiscutível, contudo, o mar de votos que a candidata do Partido Verde (PV), Marina Silva, ela própria seguidora da Assembléia de Deus, recebeu do contingente evangélico. Foram 19 milhões de votos!

Segundo o Ibope, Dilma teve o voto de metade dos católicos, mas de pouco mais de um terço dos evangélicos, empatando, no segmento, com o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. Marina levou a eleição para um segundo turno e declarou neutralidade.

Outra análise de José Roberto Toledo e de Daniel Dramati para O Estado de São Paulo mostrou que Marina teve mais de 15% dos votos válidos em 1.003 municípios, concentrados em cidades grandes e médias dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A concentração de votos da candidata do PV foi acima da média nas capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes na Região Sudeste. Segundo o Ibope, nesses locais concentram-se cerca de 51% dos eleitores evangélicos do país.

Além dos evangélicos, Marina recebeu o voto de setores da classe média sensível à agenda ambiental. Agora, nem todos os votos depositados em favor da candidata do PV foram de evangélicos e de católicos. Apoiaram-na 22% de eleitores ateus, agnósticos ou seguidores de outras religiões.

A pergunta é para quem migrarão os votos de Marina Silva no segundo turno? Dilma e Serra flertam com os evangélicos. A candidata do PT prometeu a 51 líderes evangélicos reunidos, no dia 13 de outubro, com ela e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, vetar teses polêmicas previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos III, dentre elas a discriminalização do aborto.

O senador reeleito pelo Partido Republicano Brasileiro, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Marcelo Crivella, afiançou que “padre e pastor podem ter dificuldade para pedir votos, mas tiram fácil, fácil”. Fato é que a batalha furiosa pelo voto dos evangélicos chegou também aos púlpitos e veículos de comunicação de massa que igrejas desse segmento detêm.

O líder da IURD, bispo Edir Macedo, defende a candidatura Dilma Rousseff. O pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, engaja-se na campanha de José Serra. Os dois travam um ferrenho duelo e trocam acusações na internet e em jornais, na defesa dos seus candidatos.

Macedo indagou, no seu blog, o que teria levado Malafaia a trocar de lado nessa eleição. “Para justificar que não apoiaria a candidata Dilma, acusou o PT de ser a favor do aborto e apoiar o casamento de homossexuais. Pronto, o caminho estava aberto para, sabe-se lá com que interesse, apoiar o candidato Serra”, afirmou o bispo Edir, lembrando, ainda, que a esposa do candidato do PSDB, Mônica Serra, teria feito um aborto.

O troco veio com uma postagem de Malafaia no youtube, chamando Macedo de mentiroso e vendido ao governo. “Você tem gasto bilhões, dízimo e ofertas do povo de Deus, que você tem injetado na televisão para promover prostituição, adultério, homossexualismo, sensualidade, assassinato e roubo. Sua TV é um lixo moral”, acusou.

Na entrevista que concedeu ao Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o professor Leonildo Silveira Campos relatou que em alguns templos evangélicos foi instalado telão às vésperas das eleições de 3 de outubro e o pastor projetou filme com cenas de aborto e outros temas explorados pela nova direita, evangélica e católica.

Quatro denominações – Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, IURD e Evangelho Quadrangular – concentram 80% dos evangélicos brasileiros. “São raros os casos em que um fiel frequente exclusivamente os templos de uma igreja”, escreveu o repórter Diego Viana, do jornal Valor Econômico, na matéria “Andar com fé eu vou”.

Para o historiador André Egg, a migração interna entre igrejas evangélicas é mais relevante do que o diálogo ecumênico entre elas. Na mobilidade também residiria a dificuldade de pastor ou bispo “indicar” em quem o fiel deve votar.

Na avaliação do jornalista Moisés Sbardelotto, mestrando em Comunicação Social pela Unisinos, a discussão religiosa nesse período eleitoral mostrou-se “extremamente reacionária e conservadora, apelando para aspectos medievais de um debate que, no fundo, é do âmbito científico, bioético. A religião acabou se destacando como ‘a porta dos desesperados’ políticos, um último recurso – e totalmente desvirtuado – para a vitória política.”

Sbardelatto não acredita que o tema religioso tenha sido a “pauta definidora” do segundo turno, embora admita que religião é um tema importante na sociedade brasileira, relevante, mas não definidor.

Ele trouxe à discussão pergunta interessante: afinal de contas, de que religião se está falando ao discorrer sobre religião? “Pelo que pude observar, estamos falando apenas de setores específicos das igrejas cristãs, especialmente das evangélicas, neopentecostais e católica. A pauta das religiões de matriz africana, por exemplo, foi debatida ou ao menos ouvida?” – indagou.

Não só a pauta das religiões africanas, de igrejas históricas também. Mais comedidos e cientes da responsabilidade que assumem quando falam em nome de suas igrejas, líderes evangélicos históricos recomendam a análise das propostas dos candidatos e dos seus partidos, enfatizando que o voto é livre e deve ser depositado segundo a consciência do eleitor.

O pastor Sandro Amadeu Cerveira, da Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, confessou que talvez tenha falhado nessas eleições, porque ele ficou com a impressão “de ter feito pouco para desconstruir ou pelo menos problematizar a onda de boataria e os posicionamentos ‘ungidos’ de alguns caciques evangélicos”.

Certo é que não há homogeneidade no voto evangélico. Ele não parece ter o peso que a mídia pretende que tenha. O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira relativizou a importância do voto evangélico. Ele lembrou que muitos bispos e pastores evangélicos foram candidatos, mas não se elegeram.

A baixaria no processo eleitoral delimitou o campo de batalha entre o PSDB e o PT no segundo turno, numa briga em que evangélicos também entraram e desempenham um papel na arena política. Mas a um preço elevado, de agressões mútuas, que descarta completamente a admoestação de Jesus para que todos os que Nele crêem sejam um.

Fonte: ALC / Gospel+

Festival evangélico com Franklin Graham se encerra com quase 2 mil conversões no Japão

O Festival Evangelístico de três dias no Japão, encabeçado pelo pregador dos EUA Franklin Graham, concluiu no domingo com 400 novos compromissos para Cristo, trazendo no final de semana um total 1765.

O Festival Kansai Franklin Graham, realizado em Osaka, culminou dos esforços de centenas de Igrejas, dos quais 400 tinham convidado Graham a pregar na região de Kansai, que representa cerca de um quarto da população nacional japonesa.

“Nós acreditamos que Deus pode impactar Kansai de uma forma que, 30 anos a partir de hoje, as pessoas vão olhar para trás neste Festival da mesma forma que olhou para a Cruzada de Billy Graham, há 30 anos,” comentou o diretor do festival, Chad Hammond.

“Eles vão perceber que Franklin Graham, quando ele veio para Kansai, começou um renascimento,” acrescentou.

Com um atendimento de 30.782, o Festival de Kansai foi um dos maiores encontros de Cristãos na história de Osaka, a maior cidade na região de Kansai, e levou dois anos para se preparar.
A festa foi precedida por uma visita de dez dias de concerto pré-festival com Alfie Silas da Coomes Tommy Band, e incluiu um Osaka Ladies Festival que atraiu 3.217 homens e mulheres e Festival de um miúdo que atraiu mais de 5.000 crianças.

Para os líderes cristãos no Japão, o festival foi um evento muito necessário, não só para trazer pessoas para a graça salvadora, mas também para insuflar nova vida em Igrejas na região de Kansai, alguns dos quais sofrem de pequena quantidade de membros, de envelhecimento e alguns até mesmo de não terem pastores.

“Como resultado de uma população infantil decrescente, o domingo de escolarização é baixo. Alguns seminários e departamento teológico fecharam. Há muito poucos jovens líderes cristãos em nosso país a assumirem o papel de líderes,” relatou o Rev. Yoshikazu Takada, presidente executivo do Festival de Kansai, à frente do evento de três dias.

Apesar das lutas – que foram agravadas pela economia lenta do Japão, as altas taxas de suicídios, e relatos de violência escolar e doméstica – Igrejas nas áreas têm encontrado esperança de encontrar o Festival de Kansai, que foi apoiado por líderes de Igrejas de outras cidades, incluindo Sapporo, Fukuoka Hiroshima e Tóquio.

“Este é o tempo de Deus para o Japão,” disse Graham na conclusão do serviço de sábado à noite.

Quando perguntado, quinta-feira, como o sucesso do evento seria medido, Graham disse aos jornalistas que o sucesso de qualquer reunião evangélica depende da oração.

“Tem havido milhares de pessoas orando. Se uma pessoa estivesse a dar a sua vida a Jesus Cristo esta semana, seria bem-sucedida,” respondeu ele.

Com o fim do Festival de Kansai agora, Graham vai se preparar para seu próximo festival evangelístico, que será realizado em Riga, Letônia.

O Festival de Graham da Esperança no país do norte da Europa irá acontecer de 5 a 7 de novembro.

Fonte: Christian Post / Gospel+
Via: Folha Gospel

Justiça reautoriza a investigação internacional contra a Edir Macedo e cúpula da Igreja Universal

O ministro Ari Pargendler, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acolheu nessa terça-feira, 26, recurso (agravo regimental) da Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo e restabeleceu pedido de auxílio direto encaminhado à Promotoria de Nova York para rastreamento de dados bancários e fiscais da Igreja Universal do Reino de Deus nos Estados Unidos.

Pargendler revogou decisão que ele próprio havia tomado anteriormente, quando manteve ordem do presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Antonio Carlos Vianna Santos, para tornar nula a cooperação pleiteada pelo Ministério Público paulista junto aos promotores americanos.

O pedido de parceria foi encaminhado em novembro de 2009 pelo promotor de Justiça Saad Mazloum, que integra os quadros da Promotoria do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público que investiga improbidade administrativa e corrupção.

A iniciativa de Mazloum foi feita com base no MLAT, instrumento de acordo de assistência judiciária em matéria penal. O inquérito civil de Mazloum mira suposto desvio de recursos da Igreja para empresas e remessa de valores para o exterior. A Universal nega.

Contra a iniciativa de Mazloum, os advogados da Universal ingressaram com mandado de segurança, acolhido pela presidência do TJ que tornou sem efeito o acordo sob argumento de que tal medida deveria ter respaldo e autorização judicial no Brasil porque envolve quebra de sigilo.

O procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, insurgiu-se contra a decisão do TJ e apelou ao STJ. Inicialmente, Pargendler rejeitou o recurso do procurador. Mas nessa terça-feira ele reconsiderou a decisão “para deferir o pedido de suspensão dos efeitos da sentença proferida no mandado de segurança”.

Fonte: Estadão / Gospel+
Via: Guia-me

Pastor da Igreja Mundial é preso durante culto, ele era fugitivo da polícia e condenado a 23 anos de prisão

O culto da Igreja Mundial da Palavra de Deus, no Jardim das Palmeiras, em Sumaré (SP), foi interrompido pela Polícia Militar. O pastor Jaime Martiniano dos Santos, de 33 anos, que lia versículos da Bíblia a um grupo de pelo menos 30 pessoas, recebeu voz de prisão e foi levado, com as mãos algemadas, para a Delegacia da Polícia Civil, onde ficou preso. Segundo a polícia, ele está condenado a 23 anos e 4 meses por um latrocínio (roubo seguido de morte) em 2002 na Vila Matilde, na Capital.

A informação de que o pastor da igreja deveria ser preso chegou à PM por intermédio do Serviço Disque-Denúncia. Os policiais foram até o templo, na Avenida Ivo Trevisan, na noite de sábado, e anunciaram ao pastor que ele estava preso. Santos não reagiu. Ele interrompeu a palavra, entregou a Bíblia a outro obreiro e seguiu com os policiais na viatura.

Uma pesquisa feita por policiais civis revelou que Santos, atualmente morador na Vila São Pedro, em Hortolândia, era procurado pela Justiça. Foi condenado pelo assassinato de um comerciante em 30 de agosto de 2002, na Capital, durante um assalto. A condenação é da 30ª Vara Criminal de São Paulo e a sentença foi proferida em 11 de abril de 2006. O pastor também está condenado por furto. Conforme informações da polícia, ele estava morando em Hortolândia desde 2005.

Na madrugada de domingo, Santos foi encaminhado para a Cadeia de Sumaré e ontem, transferido para uma das seis unidades do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia. Ele deve cumprir a pena em regime fechado, conforme determina a sentença. Representantes da igreja e pessoas da família do pastor não foram encontradas ontem pela reportagem.

Fonte: O Liberal / Gospel+
Via: Guia-me

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diante do Trono no Faustão – Veja em vídeo e saiba como foi

Diante do Trono no Faustão, no Domingão, foi um programa para a família toda. Levando o programa ao primeiro lugar no Ibope, assista a entrevista emvídeo Ana Paula Valadão no Domingão do Faustão. Assista em vídeo.

Começando no segundo bloco, o apresentador chamou a banda completa e Ana Paula Valadão que tocaram Preciso de Ti, em seguida Faustão fez uma pergunta a líder do ministério e a interrompeu para falar sobre respeito e opiniões sobre religião, time de futebol, opção sexual e etc.

Ana Paula em seguida falou do poder de Deus em mudar as pessoas e de seu mais recente CD gravado em Barretos. Faustão em seguida abriu perguntas para a platéia, a primeira pergunta foi sobre a dimensão do Diante do Trono e a Pastora lembrou que é um instrumento para levar a Palavra de Deus aos pessoas e por estar falando naquele momento para o maior público de sua carreira, agradeceu a Globo pela abertura.

A segunda pergunta foi sobre uso, costumes e regras impostas por algumas igrejas. Ana Paula Valadão afirmou que a Igreja Evangélica é muito diversificada e que é possível cada um encontrar a igreja perfeita de acordo com seus gostos pessoais.

Ana Paula também falou sobre seu passado quando largou o curso de direito para ir para os Estados Unidos estudar teologia e a forma como é a administração dos membros do DT financeiramente. Ana Paula Valadão também afirmou que todo o dinheiro ganho com a venda de CDs e direitos autorais são doados para a Igreja Batista da Lagoinha.

A participação do DT no Faustão se encerrou com a música Tempo de Festa acompanhada animadamente por todo o público.

VÍDEO: DIANTE DO TRONO NO FAUSTÃO

Associação Cristã Gay pede que a Igreja reconheça do casamento gay, a adoção e homossexuais “no exercício das funções pastorais”

A Associação Cristã de Gays e Lésbicas da região espanhola da Catalunha pediu nesta quinta-feira que a igreja “reconheça e bendiga as uniões matrimoniais entre parceiros do mesmo sexo e de suas famílias”.

A associação pediu que os casais do mesmo sexo “possam se casar mediante matrimônio canônico” e que seus filhos possam ser batizados, segundo o comunicado.

O pedido foi feito em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 22, antes da visita do papa a Barcelona, no próximo 7 de novembro.

Também pede uma igreja “plural e aberta”, que se afaste dos “posicionamentos formalistas ou fundamentalistas e hierárquicos” e que permita o exercício “como seculares ou no clero” de gays, lésbicas, transexuais e bissexuais.

“Queremos manifestar o sofrimento dos fiéis gays, lésbicas, transexuais e bissexuais, que vivem com dor a exclusão da vida eclesiástica, assim como o repúdio expresso em declarações públicas da cúria do Vaticano”, disse a associação, que pediu também a igualdade das mulheres “no exercício das funções pastorais”.

Fonte: Folha / Gospel+
Via: Creio

Roberto Cabrini no Conexão Reporter investiga supostos milagres realizados por crianças evangélicas. Vídeo na integra

O Conexão Repórter desta quinta, 21 de outubro, investiga como crianças têm sido apresentadas como autoras de curas milagrosas. A investigação mostra que o fenômeno divide opiniões. Os milagreiros mirins vão de bebês a crianças de seis anos.

O caso mais famoso no momento é o de uma menina conhecida na periferia do Rio de Janeiro como “Alani, a Missionarinha”. Há os que acreditam em manifestações divinas, mas também existem os que consideram a utilização de crianças uma exploração humana que visaria apenas o lucro.

Os pacientes apresentados como personagens de curas milagrosas são analisados pelos olhos da medicina e seus mais sofisticados exames. Será que os supostos fenômenos sobrenaturais existem? Será que resistem a apurações cientifícas rigorosas?

Vídeo: Conexão Reporter, Roberto Cabrini, sobre crianças e curas em igrejas




Pastor gay da igreja evangélica para homossexuais afirma não apoiar nenhum candidato: “Os dois subiram no muro”

Na guerra pelos votos do eleitorado evangélico, no segundo turno, Dilma Rousseff e José Serra desagradaram os gays. “Os dois subiram no muro”, queixa-se o fundador da Igreja Cristã Contemporânea e gay assumido, pastor Marcos Gladstone.

Dilma e Serra já defenderam publicamente a união civil de pessoas do mesmo sexo. O candidato tucano também já se declarou favorável à adoção de crianças por casais gays, mas, para Gladstone, os presidenciáveis deveriam ser mais explícitos no apoio às causas dos gays, como a criminalização da homofobia e o direito à adoção.

Com quatro anos de existência, três templos no Rio de Janeiro e um em Belo Horizonte, a igreja tem maioria de gays e lésbicas.

O rebanho do pastor Gladstone (900 fiéis) cresce rapidamente. No final do mês, será inaugurado o quinto templo, em Madureira, na zona norte do Rio. Ele diz que a igreja não cresce mais rápido por falta de infraestrutura, pois não lhe faltariam potenciais adeptos.

Ele não aborda a eleição nos cultos, nem recomenda voto. “Aqui não tem voto de cabresto. Somos uma igreja de membros livres”, afirma.

Ele tem relação estável há quatro anos com o pastor Fábio Inácio, egresso da Igreja Universal do Reino de Deus. Eles registraram a união em cartório e casaram na igreja.

Chegou a ser noivo de uma mulher por vários anos. Rompeu o noivado ao retornar de uma viagem a São Francisco (meca dos gays nos EUA), onde, diz, teve uma revelação divina sobre sua homossexualidade.

O casal de pastores votou em Dilma no primeiro turno, mas está dividido em relação ao segundo turno. Fábio Inácio vai repetir o voto na petista, mas Gladstone disse que ainda está indeciso.

O engajamento do pastor da Assembleia de Deus Silas Malafaia –crítico ferrenho do homossexualismo– na campanha de José Serra pode tirar votos do tucano entre os gays evangélicos.

Fonte: Folha / Gospel+

Estevam Hernandes afirma que superbactéria é sinal do fim dos tempos: “Estamos vivendo o Apocalipse”

No culto de Celebração da Família deste domingo (24/10), o apóstolo Estevam disse: “Estamos vivendo o apocalipse”. De acordo com o líder da Renascer, a superbactéria que está assolando alguns hospitais do Brasil é o sinal do “cavalo amarelo” que o livro de apocalipse cita:

E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra. (Apocalipse 6:7-8)

Estevam disse: “Não existem remédios para essa superbactéria. Novas enfermidades virão sobre a terra… isso é o sinal do cavalo amarelo que está no livro de apocalipse. Temos que ficar em aliança com Deus.”

A doença

De janeiro a outubro deste ano, o Ceará já identificou 150 suspeitas de casos de pessoas contaminadas pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC), confirmou a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado.

Desses 150 casos suspeitos, 27 aguardam o resultado do teste de biologia molecular, que confirma, ou não, a infecção. A maioria das pessoas que podem estar contaminadas pela bactéria estava internada em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

Segundo informações da assessoria ainda não há previsão de data para divulgação dos exames. Até lá, os suspeitos de contaminação permanecem isolados e recebendo os medicamentos adequados.

A Superbactéria

A Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) é um mecanismo de resistência de bactérias a um grupo de antibióticos. Ao adquirir uma enzima, a bactéria se tornou resistente a um grupo de antibióticos, incluindo os mais potentes contra infecções.

Apesar de sua presença ser mais comum na espécie que lhe rendeu a nomenclatura, o KPC pode ser identificado em outras bactérias. Por ter seu campo de atuação restrito a hospitais, os micro-organismos com KPC não oferecem riscos à comunidade, desde que a pessoa não esteja hospitalizada.

Fonte: Folha Renascer/ Gospel+

Senador evangélico afirma: “Dilma não será escolhida pastora, mas gestora do Brasil”

“Dilma não será escolhida pastora, mas gestora do Brasil”, disse o senador eleito pelo PT baiano Walter Pinheiro, na noite desta quinta-feira (21), durante evento que reuniu cerca de 700 pastores e líderes evangélicos de toda a Bahia, em Salvador. A afirmação retrata uma tentativa de Pinheiro, que segue a doutrina Batista, e de seu partido de separar o discurso religioso do político em um momento crucial da corrida à Presidência da República, que mostra uma Dilma Rousseff (PT) ainda marcada pelo estigma de não religiosa.

Mesmo defendendo indiretamente o estado laico, Pinheiro ressaltou a necessidade de o segmento participar da tomada de decisões junto às casas executivas e legislativas do Brasil. “Orar é bom, mas nós precisamos agir, ter atitude”, declarou. Ainda para Pinheiro, que disse ser “orientado pela palavra de Deus”, o segundo turno veio a calhar, pois se tornou na oportunidade dos pleitos evangélicos chegarem a Dilma, já que representam “um segmento que tem direitos”.

Ele ressaltou também que os boatos que correm sobre a religiosidade da presidenciável reprisam o que sofreu Lula em 2002, antes de se tornar presidente. “Ouvíamos que não era possível eleger Lula porque ele era o satanás”, lembrou. No encontro, o senador eleito também teceu elogios a Marina Silva (PV), candidata derrotada no primeiro turno, comprovando uma busca pelos quase 20 milhões de votos que a senadora evangélica obteve no pleito.

O grupo do qual Walter Pinheiro participa, formado pela coordenação de campanha da candidata petista, está cruzando o Brasil e realizando encontros evangélicos a fim de desmentir os boatos que cercam a candidata, além de conquistar uma boa parcela dos eleitores de Marina Silva, os chamados ‘marineiros’. Com a participação do senador Magno Malta, a equipe já esteve em Curitiba, Fortaleza, Cuiabá, Minas Gerais e Bahia. Seguem agora para o Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.

Na Bahia, a busca por fiéis já dá resultados. Pela manhã, o pastor Orlando Gomes, do município de Camaçari, entregou à coordenação da campanha petista, em Brasília, um manifesto em favor de Dilma com 101 assinaturas de lideranças que representavam cerca de 60 congregações evangélicas do município, totalizando 30 mil fiéis.

Fonte: Último Segundo / Gospel+
Via: Gospel Prime

Fé é reconhecida como uma das formas de tirar uma pessoa do mundo das drogas

A maior parte das famílias de jovens dependentes químicos tenta ajudá-los a sair do mundo das drogas, inclusive com medidas desesperadas. Mas de onde é possível tirar forças para superar o vício? Uma alternativa muito procurada é o apoio na religião.

“As religiões, em geral, ensinam o perdão, o amparo de Deus e a absolvição por meio do caminho do bem, fornecendo maneiras de pensar o mundo que atendem algumas necessidades dos jovens que buscam a libertação da dependência química”, explica Julio Peres, psicólogo clínico e doutor em neurociência e comportamento pela Universidade de São Paulo (USP).

Os jovens dependentes quase sempre perdem por algum tempo a estabilidade constituída para conduzir o dia a dia.

Para o psicólogo, isso pode favorecer o enfraquecimento da motivação para viver, o isolamento e a depressão, além dos efeitos deletérios da dependência à saúde. A busca de um novo significado e propósito para vida pode favorecer a superação da dependência química.

Assim, as crenças e práticas espirituais ou religiosas podem atender à necessidade desses jovens de buscar um sentido mais amplo e uma melhor qualidade para a vida.

“Crenças e práticas religiosas podem reduzir a sensação de perda do controle e de desamparo, fornecer uma estrutura cognitiva capaz de diminuir o sofrimento e, ainda, fortalecer o indivíduo para reconstrução de sua vida”, aponta Peres.

Fonte: UOL / Gospel+
Via: Folha Gospel

Confira a integra da versão do editor (sem cortes) da matéria especial da revista Época sobre a “Nova Reforma Protestante”

Ricardo Alexandre ganhou destaque com a matéria de cada da revista Época (da Editora Globo) do dia 9 de Agosto com o tema “A Nova Reforma Prostestante”. O texto fala dos “novos” evangélicos com suas práticas e crenças. Ricardo decidiu publicar em seu blog a matéria completa sem cortes da editora. Você confere na integra abaixo:

Abrindo mão das grandes estruturas e de olho na pós-modernidade, inspirados no cristianismo primitivo e conectados à internet, exigindo ética e criticando abertamente a corrupção neo-pentecostal, líderes e leigos querem recriar o protestantismo à brasileira

Por Ricardo Alexandre

Irani Rosique é um cirurgião de 49 anos, dono de um dos principais hospitais de Ariquemis, cidade de 84 mil habitantes do interior de Rondônia. Numa terça-feira daquelas típicas noites quentes do outono rondoniense, o médico está no alpendre de uma confortável mas não luxuosa casa de uma amiga professora, no Setor 3, bairro de classe média da cidade, junto a outros velhos amigos, alguns vizinhos e parentes da anfitriã. São aproximadamente 15 pessoas e Irani prepara-se para falar. Por 15 minutos, conversa com os presentes sobre o que o Salmo primeiro (“bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”) dizia aos corações dos presentes. Depois, oraram pela última vez – como já haviam orado uns pelos outros e cantado por cerca de meia-hora antes da palavra do cirurgião – então partiram para o tradicional chá com bolachas regado à conversa animada e íntima.

Irani não é pastor, presbítero, bispo, muito menos “apóstolo”. É apenas um médico que há décadas reúne-se em pequenos grupos de oração, comunhão e estudos da Bíblia. Com o passar dos anos, esses grupos se organizaram num modelo conhecido como “células”, com o objetivo de apoiarem-se e multiplicarem-se. Hoje, são 262 espalhados pela cidade, congregando cerca de 2.500 pessoas, organizadas tanto quanto possível por 11 “supervisores”, Irani entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com a única característica comum de serem crentes mais experientes e de, preferencialmente, terem passado por algum dos vários cursos de treinamento cristão existentes por todo o Brasil.

Desde que converteu-se ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia no final da década de 1960, Irani jamais participou de uma igreja formalmente instituída. Apenas de pequenos grupos sem o menor apego à liturgia ou clero. Adulto, chegou mesmo a ter dificuldades em divulgar seus projetos e eventos entre os chamados “evangélicos históricos”. Entretanto, hoje o médico é uma referência entre líderes de todo o Brasil, de bispos da Igreja Anglicana a professores do tradicionalíssimo Instituto Haggai. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã vindos de igrejas que, há 20 anos, não lhe retornariam um telefonema. Irani Rosique pode ser considerado uma espécie de símbolo de um período flagrante de transição que ocorre hoje nas igrejas evangélicas brasileiras em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões, hierarquias e quaisquer outras ortodoxias estão sob profundo processo de revisão e autocrítica.

Em São Paulo, o pastor Ariovaldo Ramos, formado teólogo e filósofo dentro das estruturas da igreja batista, missionário do Serviço de Evangelização Para a América Latina, ex-secretário da Associação Evangélica Brasileira e hoje líder da Comunidade Cristã Reformada de São Paulo, atesta que a inquietação rondoniense deixou há muito o estágio do experimento. “O jeito antigo de comunicar o evangelho deixou de falar conosco”, diz. “Muitos líderes estão repensando o diálogo e, especialmente, a práxis cristã. Os religiosos que nos antecederam detinham a verdade absoluta. Então não precisavam dialogar nem com a sociedade, nem com quem não pensasse 100% como eles.”

Estima-se que sejam cerca de 50 milhões os evangélicos no Brasil – um crescimento seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando a hegemonia passou das mãos das chamadas denominações históricas (igrejas centenárias de raízes na Reforma Protestante, como batistas, presbiterianas, luteranas e metodistas) para as igrejas pentecostais, especialmente a Assembléia de Deus. Desde a década de 1980, porém, com o surgimento das denominações neopentecostais como Universal do Reino de Deus, Igreja da Graça e Renascer em Cristo, o número cresceu 700%. Os neopentecostais acrescentaram à doutrina pentecostal de manifestações sobrenaturais o apelo da chamada “teologia da prosperidade”, com ênfase no enriquecimento material. Entre alguns setores evangélicos mais otimistas, circula a estimativa de que até 2020 metade dos brasileiros deverá converter-se à fé evangélica. Dentro do próprio meio protestante, entretanto, há diversas vozes céticas e críticas desse modelo dominante que, segundo estes, moldou-se à sociedade brasileira de consumo em vez de influenciá-la como imaginavam sociólogos como Emílio Willems e Lalive D’Epinay. Essas vozes dissonantes, que ecoam em púlpitos, seminários, blogs, faculdades e pequenos grupos de todo o país questionam não apenas o apetite voraz dos neopentecostais por novos adeptos, mas, ao mesmo tempo, o que chamam de “ensimesmamento” das igrejas históricas. E propõem uma revisão geral de valores.

“Estamos, sem dúvida, numa mudança de paradigma, e as mudanças de paradigma são sempre complicadas, porque os que saem ainda não têm as respostas, e os que ficam estão apenas lutando desesperadoramente para manter o barco na superfície”, diz o pastor Ricardo Gondim, da igreja Assembléia de Deus Betesda, autor de, entre outros livros, Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas: A Graça de Deus e Nossas Frágeis Certezas. “O que temos hoje são mais inquietações do que soluções. Ainda somos filhos do velho paradigma e talvez nem sejamos nós a trazer as respostas, mas aqueles que nos sucederão. Uma coisa é certa: o movimento evangélico está visceralmente em colapso.”

Nos Estados Unidos, maior país evangélico do mundo e pátria da maior parte de seus desdobramentos mais controversos – tele-evangelismo, neopentecostalismo etc – a questão de reinvenção do modelo tradicional de igreja evangélica já mobiliza lideranças há algumas décadas. A igreja Willow Creek de Chicago, fundada nos anos 1970, trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja”. Em São Paulo, no início da década de 1990, o pastor Ed René Kivitz, recém-empossado na Igreja Batista da Água Branca adotou o lema para a sua própria comunidade, ao qual adicionou ser ainda “uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar.” Kivitz é atualmente um dos principais pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos mais aguerridos críticos da religiosidade institucionalizada. Em um evento para líderes, no final de 2008, advertiu algumas dezenas de colegas quanto qualquer perspectiva de mobilização em torno da “representatividade” política evangélica: “Eu não quero salvar a igreja evangélica brasileira”, disse na ocasião. “Essa igreja que está aí na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, não com a chamada igreja evangélica brasileira.”

Pós-modernidade – De uma forma ou de outra, com todas as diferenças denominacionais, teológicas e culturais, o que une a maior parte desses pensadores e líderes evangélicos é a busca pelo papel da religião cristã na chamada cultura pós-moderna. “As mudanças que estão acontecendo no meio evangélico hoje não são diferentes das mudanças culturais que a civilização ocidental está experimentando”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie e pastor da Igreja Presbiteriana do Limão, em São Paulo. Para ele, autor do livro A Piedade Pervertida: Um Manifesto Anti-fundamentalista em nome de uma teologia de Transformação , os efeitos negativos da sociedade moderna, como a urbanização incontrolável, a crise de diálogo com o mundo muçulmano e a crise ambiental, conduziram a um clima de descrédito com as instituições – quaisquer instituições – que se arvorassem inabaláveis, sejam bancos, escolas, sistemas políticos e igrejas. “Estão todos sob suspeita”, afirma. “Hoje, ninguém duvida que a espiritualidade é uma boa coisa, assim como educação é uma boa coisa, mas as instituições que as representam estão sob júdice.” Gouveia considera essa nova perspectiva uma “revolução cultural”, mas não se aventura a prever que novo modelo de fé cristã surgirá daí. “Alguns indícios nós temos. Uma certeza é de que a igreja não deve ser sectária, que deve estar envolvida com a sociedade – e a igreja da modernidade era orgulhosa de ser sectária. Outra certeza é de que a fé cristã não pode ser mais baseada na posse de uma verdade da qual eu tento te convencer com argumentação lógica e racional. Acreditamos que são os relacionamentos e as experiências de vida que podem levar as pessoas a experimentar a vida cristã, e não o convencimento de que eu cheguei a uma verdade que vai derrubar a sua mentira.”

Em parte, essa “revolução cultural” é um movimento contra o que esses pensadores chamam de “institucionalização” da igreja. Segundo eles, quase 500 anos depois das famosas “95 Teses” de Martinho Lutero, a igreja protestante – ao menos a sua faceta mais conhecida e numerosa – apresenta-se tão repleta de dogmas, tradicionalismos, carnalidades, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica medieval que Martinho Lutero tentou reformar. “A igreja evangélica tradicional se perdeu no linguajar ‘evangeliquês’, na igreja pela igreja, no moralismo, no formalismo, e deixou de oferecer respostas para quem vive no nosso tempo, na nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchoa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, cidade da Grande Recife. “Tornou-se muito difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com o mundo evangélico, por causa do excesso de formalismo e do vazio de conteúdo.”

Uchoa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina, com mais de 1500 membros. Apesar de pregar usando as tradicionais vestes sacerdotais, seu trabalho é reconhecido por toda cúpula anglicana como um dos mais dinâmicos e renovados do país. Ele, que ainda alimenta um blog na internet e trabalha em iniciativas solidárias sem vínculo com denominação alguma, é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante” e o trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnam em cafés, museus, praias ou pistas de skate. “O importante não é a forma”, afirma Uchoa. “O importante é encontrar a essência da fé cristã. Essa essência acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular as pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

Essa busca pela essência da espiritualidade cristã tem transformado diversos pontos até então tidos como característicos como dispensáveis – às vezes condenáveis. E, do ponto de vista dos mais ortodoxos, essas transformações conduzem ao risco do que chamam de “relativismo” dentro dos absolutos da fé cristã. “É claro que somos criticados como ‘relativistas’, mas penso que o nosso desafio é realmente aprender a contemporizar o que é relativo e o que é absoluto na fé cristã”, afirma Ariovaldo Ramos. “Sabemos, por exemplo, que a ética é um valor inegociável. A generosidade também. O amor também. Mas a estrutura eclesiológica, a religiosidade, são valores que muitas vezes se chocavam com a essência. Estamos abrindo mão deles”.

Em Campinas, funciona uma das experiências mais radicais de diálogo cristão com a sociedade pós-moderna. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem exatamente uma sede – seus freqüentadores reúnem-se em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e ofertas da liturgia de suas reuniões – os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo via depósito bancário, e esperar em casa um relatório detalhado dos gastos do mês. Seus “sermões” são chamados, mais apropriadamente, de palestras, e são ministrados duas vezes por domingo, com recursos multimídias e um palestrante sentado em um banquinho a frente de um MacBook. Como estímulo à mensagem bíblia, o freqüentador pode entrar em contato com uma crônica de Luiz Fernando Veríssimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda. Trocaram o uso do termo “igreja” por “comunidade”. Seu público é formado principalmente por gente com formação universitária entre os 25 e 40 anos.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai-mamãe-filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô Fora e A Jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Macumba para evangélicos – Outro ponto fundamental de confluência dessas novos evangélicos é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais, especialmente com as denominações expostas na televisão. “É lisonjeador quando somos chamados de ‘pensadores’ cristãos, como quem está problematizando a questão evangélica”, afirma Agreste. “Mas o verdadeiro problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade – ou, para usar um termo cristão, de santidade.”

O pastor presbiteriano entende como algo de grande importância que o tratamento dispensado aos neopentecostais tenha transcendido o campo das divergências teológicas ou de costumes. “Nos últimos tempos, essas divergências ganharam uma conotação mercadológica”, ele explica. “Não se trata mais de pensar de forma diferente sobre a essência da espiritualidade cristã. Hoje se trata de entender que há gente utilizando vocabulário, elementos de prática cristã para manipular as pessoas e ganhar dinheiro com isso. Essa tomada de posição tornou a crítica muito mais acirrada.”

Como efeito, há um movimento grande de crítica aberta ao segmento evangélico vindo das entranhas do próprio movimento evangélico, especialmente contra seus ramos ligados à teologia da prosperidade. A jornalista Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em Nome de Deus, sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores e líderes. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O Que Estão Fazendo com a Igreja: Ascenção e Queda do Movimento Evangélico Brasileiro, um desolador retrato de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto da personalidade e o esquerdismo político. Ricardo Bitun, doutor em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, dedicou-se a estudar o assunto e publicou a tese Igreja Mundial do Poder de Deus: Rupturas e continuidades no campo religioso neopentecostal. O presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez definiu as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus como descarrego, quebra de maldições, objetos benzidos como “macumba para evangélico”. “Não chega a ser uma novidade essas críticas internas”, afirma Renato Fleischner, gerente editorial da Editora Mundo Cristão, citando livros dos anos 1990 como Supercrentes e Evangélicos em Crise do teólogo Paulo Romeiro ou internacionais como Como Ser Cristão sem Ser Religioso de Fritz Ridenour e O Evangelho Maltrapilho, de Brennan Menning. “É um discurso bastante antigo. O que parece que aconteceu recentemente é que a sociedade se fartou dos escândalos e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há muito tempo.”

Fleischner lembra que em 1993, ano de lançamento do livro Supercrentes, a editora foi muito criticada por líderes e por fiéis escandalizados com o texto que afrontava, nominalmente, alguns dos principais nomes da teologia da prosperidade e da confissão positiva como Valnice Milhomens (futura fundadora da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo), Edir Macedo, Estevam Hernandes etc. “A posição mais comum na época era não expor as pessoas, não julgar, tratar internamente”, diz o editor. “Mas hoje há uma necessidade muito maior de registrar que esses evangélicos que estão na mídia não representam e nem se parecem com a totalidade do povo evangélico brasileiro.”

O pastor Ed René Kivitz distingue a crítica interna dos evangélicos da cobertura que a mídia tradicional faz dos escândalos envolvendo os líderes evangélicos. “Já existe uma voz criticando essa igreja que está na mídia como um fenômeno social, cultural e religioso. Para fazer essa crítica não requer bagagem teórica ou histórica. Nem muita inteligência, basta ter um pouco de bom senso. Essa crítica o CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, afirma. “Eu faço uma crítica diferente, teórica, como pastor. É uma crítica visceral, passional, existencial, porque antes de ser um ‘profissional da religião’, eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

Como efeito, diversos pontos comuns entre as diversas correntes evangélicas começaram rapidamente a ser questionados. A relação entre pastores e membros é cada vez mais horizontal, com abertura para diálogo e constante avaliação. As decisões estão cada vez mais nas mãos da própria comunidade, sem espaço para ingerências de uma “sé” ou de um “ungido de Deus”. Os grupos de reunião nas casas são o coração das novas igrejas, encerrando uma era de catedrais evangélicas imponentes e de “cultos-show” superproduzidos. Trabalhos, ministérios e eventos entre diferentes denominações tornam-se cada vez mais comuns. Músicas ligadas à chamada “teologia triunfalista” (arraigada em temas do Antigo Testamento como vitória, vingança, peleja, unção, guerra e maldições) passam a ser entendidas como próprias do judaísmo, e não do cristianismo. Até o vocabulário muda: termos como “culto” começam a ser substituídos por “celebração”, “encontro” ou “reunião” e até o desgastado termo “evangélico” começa a ser substituído pelo mais radical “cristão”.

“Os neopentecostais é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, diz o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos. Prefiro chama-los de seitas paraprotestantes.”

Meia-dúzia – O sociólogo Ricardo Mariano, um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico nacional e autor do livro Neopentecostais: Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil vê com naturalidade o embate entre neopentecostais e as lideranças críticas. “Desde que o neopentecostalismo ganhou força no Brasil que os pastores históricos partiram para a desqualificação”, diz. “Mas não há nenhum órgão que regule o que é ou não uma legítima igreja evangélica, logo ninguém tem autoridade falar em nome de todos os evangélicos”. Mariano acredita que uma das chaves para entender essa cisão é a formação cultural dos crentes. “Essas comunidades progressistas são direcionadas ao público classe média, letrado. É um público que colocou os pés numa universidade, lê jornais e revistas e tem capacidade muito maior de formar e sustentar opiniões próprias. Evidentemente, com quem pesquisa e questiona, não dá para existir essa história de ‘não pode assistir televisão porque a Bíblia não quer’. É um fenômeno do espalhamento da informação. Vivemos uma época em que o doente pesquisa na Internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor. Em uma época assim, o pastor não impõe nada, ele joga para a consciência do fiel.”

O diretor-geral da editora Mundo Cristão, Mark Carpenter, vê o crescimento do nível educacional e econômico do brasileiro como um fator determinante do novo perfil evangélico. “É muito difícil que alguém com formação universitária, com senso crítico, consiga se sentir confortável em uma igreja em que um pastor muitas vezes leu menos do que ele e ainda tenta mante-lo em um cabresto cultural.” Isso explica que as inquietações religiosas pós-modernas sejam mais claras em capitais mais avançadas econômica e culturalmente. “Eu falo para um auditório formado quase que totalmente por gente com formação universitária, em uma cidade como São Paulo”, diz Ed René Kivitz. “São pessoas que não querem dogmas, querem honestidade. As dúvidas deles são as minhas dúvidas. Minha postura com eles é a de que juntos talvez possamos encontrar algumas respostas satisfatórias às nossas inquietações. Talvez eu não tivesse essa mesma postura se estivesse servindo a alguma comunidade em um rincão do interior.”

Embora essa circunstancia de crescimento da classe média seja suficiente para a circulação de ideias e para o crescimento das próprias comunidades, Ricardo Mariano não vê termo de comparação entre a força atrativa dessas igrejas com a dos pentecostais e neo-pentecostais. “O destino desses líderes vai ser o de ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia-dúzia de pessoas”. O presbiteriano Ricardo Gouveia rebate dizendo que “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer que precise ocupar espaço no mercado”, ele diz. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou fazê-lo mais interessante ou vendável.”

Multimídia – Com o advento da internet, o trânsito de ideias tornou-se definitivamente incontrolável. Hoje, pastores, seminaristas, músicos, líderes e leigos mantêm sites, portais, comunidades e blogs em que trocam experiências, estudos em pdf e mensagens em mp3. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o “Contrato da Fé” (um “documento” “autenticado” pelos pastores prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” e “herdar o que é seu por direito”) grassou a rede angariando toda sorte de comentários. Uma cópia scaneada da sentença do juiz federal Fausto De Sancti culpando Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas foi amplamente distribuída no final de 2009, especialmente por conta das considerações do juiz, alegando “nítida contradição entre aquilo que fazem e dizem” e que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. Outro vídeo, com o pregador americano Moris Cerullo no programa do famoso assembleiano Silas Malafaia prometendo uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede.

“A internet forma comunidades, no sentido tecnológico mas no sentido teológico também”, diz o editor Renato Fleischner. “São pessoas em volta de ideias semelhantes, com ideais comuns, ainda que não pensando necessariamente da mesma forma. A circulação de palestras, sermões, pdfs, links e vídeos dificulta o aprisionamento do pensamento.” Um dos livros mais polêmicos da Mundo Cristão é A Bacia das Almas, reunindo os melhores posts originalmente publicados no blog homônimo do ilustrador Paulo Brabo com o provocativo subtítulo de “Confissões de um ex-dependente de igreja”. Outros sites, como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com.Br, Púlpito Cristão, Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica.
De um grupo de blogueiros, por exemplo, surgiu a ideia da “Marcha pela ética”, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus de São Paulo (evento organizado pelo casal Hernandes, da Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “o $how tem que parar”, “voltemos ao evangelho puro e simples” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

Uma característica comum a todos esses blogs é que assuntos como teologia, política, sociologia, ética, família, direitos humanos, televisão, cinema e MPB se misturam com a mesma naturalidade. Esse trânsito entre o “secular” e o “santo” é uma das características mais marcantes dessa geração. “Os líderes tradicionais diante de toda confusão emergente, normalmente optam pelo ensimesmamento, pelo ostracismo”, diz Ricardo Agreste. “Nós ousamos entrar em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento da cultura, assistir a outros filmes, ler outros autores, ouvir pessoas e refletir sobre tudo isso. Porque acreditamos que a espiritualidade cristã tem a missão de resgatar a pessoa como ser relacional, que vive em sociedade, e faze-la interagir e transformar a sociedade.”

O raciocínio anti-sectário se espalhou para a música, por exemplo. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem como “música feita por cristãos” e não mais “gospel”, rompendo os limites entre “mercado” evangélico e pop. Em São Paulo, o capelão Valter Revara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra diversos cursos, seminários e eventos de conscientização ambiental em igrejas e, em mão oposta, ambiciona levar os valores cristãos de conservação em escolas e centros comunitários. “No fundo é a mesma proposta de materializar o amor ao próximo no dia-a-dia, de ser ‘sal da terra’ que marcou boa parte das sociedades protestantes”, afirma Ravara. “Nós não jogamos papel no chão, nós temos consciência social, porque a função da igreja é ‘contaminar’ quem está a nossa volta, ser ‘sal da terra’, como Jesus mandou.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia Verde, com laminação biodegradável, verniz à base de água, papel de reflorestamento e encarte com devocionais sobre ecologia e sustentabilidade. Agora prepara a primeira Bíblia de estudo direcionada para questões ambientais.

O anglicano Robinson Cavalcanti afirma que um dos aspectos que mais o seduziu no protestantismo, durante sua conversão na década de 1950, era justamente sua luta por uma sociedade utópica. “Desde a abolição da escravatura, apoio à proclamação da República, luta pelas escolas mistas, luta pela reforma constituinte”. “A alienação dos evangélicos brasileiros é coisa muito mais recente, desde quando a suposta hegemonia passou para os pentecostais e neo-pentecostais e começou essa história de ‘crente não se mete em política’.” A candidatura de Marina Silva à presidência da república, que angariou simpatia de blogueiros e twitteiros, mas não o apoio de sua própria igreja (a Assembléia de Deus, que declarou apoio a José Serra) é visto como um marco da nova inserção política desses novos evangélicos. “Políticos cristãos devem tentar criar um modelo de pensamento político ou de contribuição social que expresse o Reino de Deus dentro da política”, afirma Carlos Bezerra Jr, líder do PSDB na câmera dos vereadores de São Paulo. “É o oposto do modelo tradicional, das candidaturas oficiais que sustentam impérios eclesiásticos, e das ‘bancadas evangélicas’ no Congresso, de gente que está na política apenas para defender sua própria denominação ou conseguir facilidades para ela.”

Nesse ponto, os novos evangélicos – especialmente aqueles ligados ao movimento conhecido como “missão integral” – se aproximam da práxis desenhada há mais de 30 anos pelo catolicismo como Teologia da Libertação. “Foram eles que nos ensinaram a fazer teologia não a partir de conceitos, mas a partir da realidade do nosso tempo”, diz Gondim, cuja tese de mestrado em Ciências da Religião foi justamente Missão Integral: Em busca de uma identidade evangélica. Os líderes simpatizantes dessa corrente têm se empenhado em ações sociais diversas que vão desde parecerias com ONGs até trabalhos junto a viciados no centro da cidade, passando por campanhas mobilizando os fiéis. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para ser vivido na vida cotidiana, e não dentro das quatro paredes de uma igreja. Deus é adorado por meio do nosso trabalho, da nossa cidadania e pela ética com que vivemos nossa vida.”

Ao citar os reformadores, Gouveia talvez dê a dica das reais dimensões do movimento empreendido por esses homens, mulheres, blogueiros, pastores, teólogos. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu no século 16 com a reforma protestante, só que, desta vez, direcionada para as entranhas da igreja protestante. Cansados das indulgências, da corrupção e do descrédito crescente, pessoas de dentro da própria estrutura levantaram-se para propor uma nova forma de enxergarem o mundo e serem enxergados por ele. “Marx e Freud nos convenceram de que se alguém tem fé, então só pode ser um alienado, um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências de segurança”, diz o pastor Ed René Kivitz. “Pois hoje nós queremos dizer que o cristianismo tem espaço na sociedade, e um espaço de inserir-se e contribuir como uma das forças de construção de uma alternativa para o modelo de civilização da era moderna. Vivemos um terceiro momento, depois de uma ideia de religião como um gueto, ensimesmada, na ostra, e depois de uma religião como questão de foro íntimo, sincrética. Nossa defesa é do cristianismo como um projeto coletivo, uma das forças para construir uma sociedade que todo mundo espera, não apenas os cristãos.”

Fonte: Causa Própria / Gospel+
Via: Pavablog