domingo, 2 de maio de 2010

Padres de Rolante abandonam a Igreja para serem pais

Sacerdotes que engravidaram fiéis se tornam o tema das conversas de município do Vale do Paranhana.
Em um período de poucas semanas, dois padres de Rolante, no Vale do Paranhana, deixaram a comunidade católica perplexa pelo mesmo motivo: ambos mantiveram romances com mulheres que acabaram grávidas quase ao mesmo tempo. Desde a Páscoa, quando o escândalo ganhou dimensão, o assunto domina as conversas no município de 20 mil habitantes e provoca consternação entre os fiéis.
Há vários meses, vinham sendo feitas denúncias anônimas à diocese de que os religiosos estavam desrespeitando a norma sacerdotal do celibato. Superiores da diocese de Novo Hamburgo chegaram a visitar a cidade e questionar os envolvidos, mas nada foi provado. Este ano, a gravidez das duas mulheres confirmou as suspeitas, deixou perplexos os devotos e levou os dois sacerdotes a deixarem o altar.
– Eu chorei quando soube. Muita gente chorou. Abalou a nossa comunidade. Hoje, menos gente vai à missa do que antes porque muitas pessoas deixam de acreditar. Mas vai passar – afirma o ministro da Eucaristia João Schierholt, que soma três décadas de trabalho junto à igreja rolantense.
O ex-padre auxiliar da paróquia Elton Miller Jahnn afastou-se da vida religiosa ainda no final de fevereiro, quando já havia deixado Rolante e participava de uma missão em uma paróquia de Porto Velho (RO). A grande surpresa, porém, estava ironicamente reservada para o período da Páscoa. O principal sacerdote de Rolante, o pároco Leandro Schneider, havia pouco mais de dois anos liderava com empatia a igreja localizada na região central da cidade. Antes das missas, recebia um por um os fiéis com um aperto de mão e um abraço. Seu último dia de trabalho, já sob a pressão dos comentários, foi no domingo do feriado.
Na quarta-feira seguinte, como a notícia sobre o comportamento dos padres repercutia por toda a cidade, o bispo da diocese de Novo Hamburgo, dom Zeno Hastenteufel, dirigiu-se ao município para falar ao rebanho. Procurou serenar os ânimos.
– Quem nunca pecou, atire a primeira pedra – declarou.
Muitos católicos ficaram em dúvida sobre a validade dos sacramentos realizados pela dupla. A empresária Clélia da Silva, 42 anos, teve duas filhas batizadas pelo pároco e ficou com medo de que os sacramentos fossem formalmente inválidos devido ao descumprimento do compromisso sacerdotal.
– O bispo nos explicou que o que havia sido feito estava bem feito e não precisávamos nos preocupar. É que foi uma surpresa para nós – diz Clélia.
Elton Jahnn trocou a batina pelo avental. Zero Hora localizou-o trabalhando em uma fábrica de biscoitos da cidade. Afirmou que não daria entrevista por querer evitar constrangimentos ainda maiores a sua família e à Igreja Católica da região. Apenas confirmou que será pai de uma menina dentro de pouco mais de um mês. Leandro Schneider deixou a cidade e teria se abrigado na casa de parentes, em Campo Bom. Procurado por ZH, não foi encontrado. Seu pai, Luís, preferiu não se pronunciar.

ZH/Notícias Cristãs

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