sexta-feira, 2 de abril de 2010

Vaticano nega que celibato seja causa de casos de pedofilia


Cardeal alemão Walter Kasper defende celibato e nega que seja causa de centenas de casos de pedofilia na Igreja Católica.

O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção dos Cristãos, o cardeal alemão Walter Kasper, declarou nesta segunda-feira que o celibato não tem relação com o escândalo de abuso sexual de crianças por padres na Igreja Católica da Europa e Estados Unidos. Há semanas, novos casos são revelados quase diariamente e chegam até mesmo a ameaçar a reputação do papa Bento 16.
A onda de escândalos de pedofilia que afeta a Igreja Católica da Irlanda, Holanda, Alemanha, Áustria, Espanha e Estados Unidos gerou um debate sobre as repercussões do celibato e da abstinência sexual nos sacerdotes, uma tradição milenar que o Vaticano defende de modo ferrenho.
"Todos os especialistas sustentam que a maioria dos abusos acontece dentro da família e não em meios religiosos", afirmou o cardeal alemão, um defensor do celibato, que para ele "não deve ser absolutamente abolido".
Kasper considera que abrir o debate sobre o celibato é "o abuso dos abusos e constitui uma instrumentalização dos casos de pedofilia". "O celibato é respeitado na Igreja desde antes de virar uma regra canônica no século 11", recordou Kasper.
"Não é um dogma, sim uma antiga tradição que conserva intacta sua razão e não é necessária revisar esta legislação, nem modificar as coisas", destacou.
"É inoportuno abrir o tema neste momento, envenenado pelas polêmicas e os escândalos pelos abusos sexuais cometidos por padres e religiosos", acrescentou.

Escândalo
Um escândalo sobre os acobertamentos de abusos sexuais de crianças por parte de padres foi revelado na Igreja Católica da Irlanda e atingiu o Vaticano com intensidade ainda maior que o escândalo semelhante que atingiu os Estados Unidos oito anos atrás.
Desta vez, o escândalo vem chegando perigosamente perto do próprio papa, na medida em que os grupos de vítimas disseram que querem saber como ele tratou desses casos antes de sua eleição a papa, em 2005.
Muitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais envolvem Munique, na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem ainda informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.
Os casos de pedofilia atingiram ainda a Holanda, onde a Igreja Católica recebeu 1.100 denúncias de pessoas que afirmam ter sofrido abusos sexuais por parte de membros do clero entre os anos 50, 60 e 70.
Na Alemanha, as denúncias de pedofilia chegam a 120 e teriam ocorrido entre as décadas de 1970 e 1980 em escolas jesuítas locais. O caso envolveu até mesmo o sacerdote Georg Ratzinger, irmão do papa, que liderava os rapazes do coro da catedral de Regensburg. O sacerdote negou saber dos casos de abusos e foi inocentado pelo Vaticano.
Na semana passada, na Áustria, a imprensa local noticiou casos de abusos cometidos em dois institutos religiosos nas décadas de 1970 e 1980.
Na Espanha, o Vaticano disse saber de 14 casos de abuso sexual de crianças, que teriam ocorrido de janeiro de 2001 até março de 2010, na Igreja Católica da Espanha.
De acordo com a imprensa espanhola, entre as suspeitas há pelo menos dez sentenças já emitidas por tribunais civis e quatro processos abertos por abusos similares cometidos por religiosos antes de 2001. No total, são 25 sacerdotes e religiosos espanhóis implicados em pedofilia nos últimos 20 anos.
O jornal "The New York Times" informou nesta quinta-feira em seu site que as maiores autoridades do Vaticano, incluído o então cardeal Joseph Ratzinger, que anos mais tarde se tornaria o papa Bento 16, encobriram um sacerdote americano acusado de abusar sexualmente de 200 crianças surdas.
O jornal teve acesso a documentos que procedem do processo judicial aberta contra o reverendo Lawrence Murphy, que trabalhou durante mais de 20 anos, entre 1950 e 1974, em uma escola para crianças surdas do Estado americano de Wisconsin.
O Vaticano reconheceu ainda os abusos cometidos por dois monsenhores e um padre do município de Arapiraca, a 130 quilômetros de Maceió (AL), depois de terem sido acusados de pedofilia por alunos de um coro e por seus familiares.

Folha/Notícias Cristãs

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