sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pedofilia: Sexo, Intrigas e Poder - Parte 2

+ Se preferir, assista na íntegra em vídeo

Uma cidade a procura de respostas. Uma comunidade que não se conforma com o outro lado da vida de um de seus importantes religiosos. A imagem inquietante que teima em não sair da mente. Pela primeira vez, os coroinhas que acusam os padres de abuso sexual desde a infância mostram o rosto e afirmam não terem medo de confrontos. A denúncia do Conexão Repórter que repercutiu nos principais veículos de comunicação do mundo ganha novos contornos. Novas provas, novos acusados. Jamais a igreja católica esteve tão confrontada com os crimes e os pecados da pedofilia.

Para entender melhor o que está acontecendo em Arapiraca e no estado de Alagoas é preciso voltar no tempo. Anápolis, interior de Goiás. A terceira maior cidade do estado. Antes do caso brasileiro atual, em 2001 foi registrado o episódio de pedofilia envolvendo um dos padres mais importante de nosso país. Neste local os meninos que foram molestados passaram muito tempo sendo acusados de mentirosos. Em Arapiraca, um vídeo. Em Anápolis, um diário. Em comum padres acusados que perpetuaram seus atos graças às vistas grossas de seus superiores como reforçam diversos indícios.

Frei Tarcisio Tadeu Spricigo sodomizou suas vítimas. Garotos foram abusados sexualmente e vivem à sombra da vergonha e do medo. Uma das vítimas conta que Frei Tarcisio usava a Bíblia para exorcizar os pecados. Em dois mil e cinco, Frei Tarcísio foi condenado a vinte e nove anos e nove meses de prisão pelo crime de abuso sexual de dois garotos. O garoto de Anapólis e um caso anterior em agudos, interior de são paulo. Mais um exemplo da política recorrente de apenas transferir padres suspeitos de paróquia em paróquia. Evidências de que o caso de Anápolis poderia ter sido evitado .

Os métodos de abordagem de pedófilos que usam a batina para atacar suas vítimas são semelhantes em várias partes do mundo. Na primeira reportagem eles eram apenas sombras. Agora eles ganham rostos, nomes e ainda mais coragem.

Arapiraca, um mês depois das denúncias. Os ex-coroinhas Flávio e Fabiano agora respiram aliviados. Fabiano é quem aparece no vídeo. Flávio é quem está gravando. Depois da nossa primeira reportagem, eles perderam o medo e agora falam sem esconder os rostos.

Flávio e Fabiano foram protagonistas de um drama da vida real. Anos a fio, dizem que foram abusados sexualmente por padres de Arapiraca, e eles agora querem justiça. O perito Ricardo Molina constata que o vídeo não tem qualquer montagem. E confirma: quem aparece com o coroinha é mesmo o monsenhor Luiz. Segundo um documento assinado por Fabiano, Flávio e o monsenhor Luiz Marques, fica acertado que o vídeo em que o monsenhor Luiz aparece fazendo sexo com Fabiano não seria divulgado. Em troca, monsenhor Luiz se compromete a pagar uma dívida de trinta e dois mil, duzentos e cinquenta reais.

Descobrimos que um dos monsenhores acusados pelos coroinhas, Raimundo Gomes, já tinha, inclusive, respondido a um processo por abuso de menor há quinze anos em mais uma história abafada. Em Penedo localizamos o promotor do caso, Silvio Menezes Tavares, aposentado. Pressionado pela comunidade, monsenhor Raimundo foi transferido para Arapiraca, onde depois foi acusado por coroinhas de praticar o mesmo crime.

O padre Edilson Duarte, de Arapiraca, foi outro denunciado e afastado acusado de abuso sexual. Imagens registradas pelo ex coroinha Flavio mostram como ele recebe jovens em seus aposentos: de cueca em sua cama. Uma outra conversa registrada nessa mesma época, do ano passado, revelações e ameaças. O padre fala sobre Fabiano, coroinha filmado mantendo relações com monsenhor Luís. Em outro trecho fala sobre um coroinha que teria desaparecido após ter denunciado outro padre, Enaldo da Mota

CONEXÃO REPÓRTER

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.