quinta-feira, 22 de abril de 2010

Padre teria pago R$ 40 mil para tentar barrar vídeo de sexo

Segundo advogado, o religioso Luiz Marques Barbosa foi vítima de extorsão.
Polícia Civil encontrou na casa do religioso provas como passagem de avião, bebidas alcóolicas e cremes corporais íntimos.
O religioso Luiz Marques Barbosa, 82, ex-pároco de Arapiraca (AL) e investigado por suspeita de abuso sexual de adolescentes, teria pago R$ 40 mil em 2009, segundo seu advogado, para tentar barrar a divulgação de um vídeo em que aparece fazendo sexo oral em um rapaz. Algumas das imagens foram divulgadas em março em um programa de televisão.
Daniel Fernandes, defensor de Barbosa, disse que o sacerdote foi procurado no final de 2008 por dois advogados que pediram inicialmente R$ 5 milhões para não divulgar as imagens. Eles falavam em nome de dois ex-coroinhas que acusaram o, à época, monsenhor de ter abusado sexualmente deles desde crianças. Um terceiro ex-coroinha é que aparece no vídeo – segundo o religioso, ele já tinha mais de 18 anos na época.
Em junho do ano passado, sempre segundo Fernandes, o religioso relatou a tentativa de extorsão que vinha sofrendo a seu defensor, que passou a negociar os valores.
O acordo firmado entre Barbosa e os ex-coroinhas, segundo Fernandes, previa o pagamento de R$ 32 mil para quitar uma dívida dos rapazes com um agiota, R$ 7.000 para os honorários dos dois advogados e mais uma ajuda pessoal de R$ 500 a cada um. Em outubro, eles voltaram a pedir mais dinheiro e ameaçaram entregar o vídeo a uma emissora de TV. Segundo Fernandes, o sacerdote não tinha mais dinheiro.
No domingo, Barbosa foi preso preventivamente após depor na CPI da Pedofilia, pois a polícia suspeitava que ele fugiria do país – tirou passaporte recentemente. Ontem, a Justiça decretou a prisão domiciliar.
Fernandes disse que encaminhou em novembro uma notícia-crime ao Ministério Público do Estado relatando a extorsão, à qual foram anexadas as gravações de conversas telefônicas com os rapazes e um recibo assinado por eles. Nas gravações, os rapazes pedem dinheiro a título de compensação pelo abuso sexual sofrido.
Segundo o advogado, nem a Polícia Civil nem o Ministério Público investigam a suposta tentativa de extorsão.
O promotor José de Oliveira Neto, que acompanha o caso, disse que determinou a investigação do caso no inquérito que apura o suposto caso de abuso sexual. Afirmou ainda que tem dúvidas de que se trata de extorsão. A delegada Maria Angelita Sousa, que apura a suspeita de abuso sexual, disse que foi aberto um novo inquérito para investigar a suposta extorsão.

Providências
O bispo da Diocese de Penedo (AL), Dom Valério Breda, disse por meio de seu advogado que tomou todas as medidas possíveis diante da suspeita de abuso sexual por parte de três sacerdotes, incluindo o sacerdote. Segundo o advogado, Barbosa foi afastado de sua paróquia já em 2009, após os primeiros rumores sobre ele.

Prisão domiciliar
O padre Luís Marques Barbosa deixou nessa terça-feira (20) a carceragem do 3º Batalhão de Polícia Militar, em Arapiraca. O advogado do sacerdote, Edson Lucena Maia Neto, conseguiu junto ao juiz Rômulo Vasconcelos que o pedido alternativo de prisão domiciliar fosse acatado.
De acordo com o advogado, o padre aguardará em casa a avaliação da Justiça quanto ao pedido de revogação. “Nós conseguimos o deferimento no tocante ao pedido da prisão domiciliar e o monsenhor ficará em casa enquanto o juiz analisa a outra solicitação que é a revogação do decreto. Estou, inclusive, neste instante, agilizando a transferência do meu cliente aqui no batalhão”- esclarece o advogado.
Quanto ao motorista José Reinaldo e a cozinheira do monsenhor, o advogado disse que ainda não constituíram advogados. “A família disse que ia avaliar a situação e depois me procuraria para ver se eu assumiria a defesa dos mesmos. Mas, até o momento isso não ocorrei”- disse Edson Lucena.
Ele acredita que também só obterá algum posicionamento sobre a revogação do decreto de prisão do monsenhor na próxima semana, por conta do feriado do dia 21.

Punição pela Igreja
Os padres Luiz Marques, Raimundo Gomes e Edilson Duarte poderão sofrer a pena máxima da Santa Sé dada a religiosos, caso seja comprovado que eles cometeram crime de abuso sexual contra menores. Conforme o instrutor investigador do caso na Diocese de Penedo, padre Daniel do Nascimento, eles poderão receber demissão do estado clerical. Os acusados foram afastados das funções clericais, e por isso, Luiz Marques e Raimundo Gomes perderam também o título de monsenhor.
“Existe a possibilidade de eles perderem, de forma permanente, todas as ordens, e assim não poderem mais ministrar eucaristia, celebrar missas e fazer confissões, casos os crimes relacionados à pedofilia sejam comprovados. Nesse caso, a punição vem da Santa Sé, no Vaticano, não é uma decisão da diocese”, disse padre Daniel. Ele explica que mesmo nesse caso, eles não perdem a condição de cristãos católicos, e poderão participar como leigos de ritos religiosos.

Folha/GazetaWeb/Notícias cristãs

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