terça-feira, 20 de abril de 2010

Padre suspeito de pedofilia passa a cumprir prisão domiciliar em AL

Ele estava preso desde domingo no 3º Batalhão da PM em Arapiraca.
Advogado aguarda decisão de juiz por revogação da prisão preventiva.

O padre suspeito de cometer abuso sexual contra adolescentes em Arapiraca (AL) recebeu, nesta terça-feira (20), o benefício de cumprir a prisão preventiva em regime domiciliar. Ele foi preso após prestar depoimento na CPI da Pedofilia, neste domingo (18), e transferido para o 3º Batalhão da Polícia Militar de Arapiraca. Os dois padres estão proibidos de deixar Arapiraca.

O advogado Edson Maia, que representa o religioso, disse ao G1 que pediu a revogação da prisão preventiva com base da Lei de Execuções Penais, que prevê o benefício para réus e investigados com mais de 70 anos de idade e problemas de saúde. "O monsenhor tem 83 anos e enfrenta problemas de pressão, que foram acentuados desde que ficou preso."

Maia explicou que a prisão domiciliar terá efeito até que o juiz John Silas, da 8ª Vara Criminal de Arapiraca, analise o pedido do advogado pela revogação da prisão preventiva. "A prisão não tem limite de prazo para acabar, vai até a investigação ser concluída. Ele [monsenhor] vai ficar em casa, preso, até a nova decisão do juiz, seja pela manutenção da prisão domiciliar ou pela revogação da prisão, o que o colocaria em liberdade."

O advogado disse que o religioso segue com o mesmo discurso que prestou à Polícia Civil e aos integrantes da CPI da Pedofilia. "Ele confirma que manteve relações sexuais com os coroinhas, mas quando estes já estavam na fase adulta. Ele afirma categoricamente que não manteve relações com eles enquanto eram menores de idade. O monsenhor nega que seja pedófilo."

Investigação

A Polícia Civil de Alagoas investiga possíveis de casos de abuso sexual que teriam sido cometidos por religiosos da Igreja Católica em Arapiraca. A delegada responsável pelo inquérito, Bárbara Arrais, informou ao G1 que a investigação atende a um pedido feito pelo Ministério Público Estadual (MPE). "Tínhamos prazo incial de 30 dias para concluir a investigação, mas o prazo foi prorrogado por mais 60 dias. Agora, o que preciso saber é se o prazo será reduzido automaticamente pelo fato de termos réu preso."

Bárbara preside o inquérito policial, em segredo de Justiça, em conjunto com a delegada Maria Angelita Souza, da Delegacia da Mulher da capital alagoana. Ambas são de fora da cidade de Arapiraca, conforme pedido do MPE.

Outro lado

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota em que o bispo da diocese de Penedo (AL), dom Valério Breda, informa sobre o afastamento dos religiosos de suas funções eclesiásticas e a instauração de um Processo Administrativo Penal, de acordo com o Código de Direito Canônico.

No texto, o bispo diz "reprovar, de forma irrestrita e com o coração despedaçado pela vergonha e pela tristeza, os fatos, mesmo que ainda não provados". Breda afirma que, "nenhuma das supostas vítimas citadas nos supostos atos de abuso, tampouco seus familiares, procuraram oficialmente o bispo diocesano para denunciar o caso."

No documento, o bispo diz ainda que vai ajudar a polícia e a Justiça no esclarecimento do caso.

G1

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