sábado, 10 de abril de 2010

'Muita gente que morreu lá eu conhecia', diz bombeiro que coordena resgates

'É a pior tragédia da minha carreira', disse o Coronel Alves Souza.
Ele comanda o 9º Comando de Bombeiros de Área, que abriga Niterói.

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    Muita gente que morreu lá eu conhecia. E no lixão, eu conhecia gente que morreu. Isso é muito ruim, não que possam morrer pessoas desconhecidas. Mas é difícil."

Um dos coordenadores dos resgates após o deslizamento que atingiu dezenas de casas no Morro do Bumba, no bairro Cubango, em Niterói, diz que a tragédia o afetou diretamente. O coronel Alves Souza cresceu a cerca de dois quilômetros do local.

"Eu sou nascido e criado na rua São José, que fica a dois quilômetros do Bumba. Muita gente que morreu lá eu conhecia. E no lixão, eu conhecia gente que morreu. Isso é muito ruim, não que possam morrer pessoas desconhecidas. Mas é difícil porque me ligam muito, perguntam o que posso fazer, mas não tenho fórmula mágica", disse ao G1 o coronel.

Leia também: Frases mostram sofrimento e esperança das vítimas da tragédia

Além de coordenar a atuação dos bombeiros no morro, o coronel também comanda as demais operações em Niterói e outras cidades próximas. Só em Niterói são 300 bombeiros sob sua supervisão.

Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo

Bombeiros durante operação de resgate no Morro do Bumba na sexta (9) (Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo)

Souza afirmou à reportagem que é o momento mais difícil de sua vida profissional. "Em 30 anos como bombeiro, na minha carreira, é a pior tragédia. Estou desde terça-feira sem voltar para casa", contou ao G1 na tarde de sexta-feira (9).

O coronel ficou no Morro do Bumba de terça-feira até quinta. Precisou sair para acompanhar as demais operações de resgate na cidade, que sofre os impactos da pior chuva das últimas décadas na região metropolitana do Rio de Janeiro.


Confira no vídeo entrevista do coronel logo após o deslizamento no Bumba

Ele estima que no Bumba os trabalhos de resgate durem cerca de duas semanas. "Vamos trabalhar dia e noite até encontrar todos os desaparecidos. E continuamos com esperança de sobreviventes. As pessoas que estão procurando seus entes queridos não perdem a esperança."

Ele lembrou que o fato de os bombeiros terem encontrado um cachorro vivo nos escombros na tarde de sexta deu mais ânimo para muitos moradores e para os soldados que trabalham no local, já que mostra que pessoas também podem estar vivas.

Incertezas

Três dias após o incidente, Alves Souza destaca que ainda é impossível saber quantas casas e quantas pessoas estão soterradas.

"É tudo hipotético, falam entre 50 e 60 casas. Mas só vai dar para saber quando terminarmos o trabalho. (...) O número de pessoas, estimam 100, 200. Não dá para saber, também é hipotético. Teve um primeiro evento, um deslizamento em cima, com três vítimas. Algumas pessoas, temerosas, saíram de suas casas", disse o coronel.

Novos deslizamentos
O secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, afirmou na sexta que não descarta a ocorrência de novos deslizamentos no Morro do Bumba. Segundo ele, o trabalho de remoção das vítimas pode durar de duas semanas a dois meses.

O governo estima que haja 150 corpos soterrados entre os escombros. Trabalham no local 40 homens da Força Nacional, 90 bombeiros e cem policiais, dos batalhões de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, além da Companhia de Cães, do Batalhão Florestal, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A equipe é reforçada ainda por 24 operadores de máquina, como escavadeiras. A cidade está em estado de calamidade pública.

G1

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