quinta-feira, 22 de abril de 2010

Lucas reaparece e diz que é feliz

Acusado pela avó de ter desaparecido depois de entrar para a seita, Lucas reaparece e diz que mora com mãe e irmãs em uma associação de agricultura familiar.
O adolescente José Lucas Lourenço de Almeida, 16 anos, que a avó Valdete Ferreira da Silva, 60, diz ter desaparecido depois de entrar para a seita religiosa Jesus Verdade que Marca em 2005, apareceu terça-feira em encontro marcado com o BOM DIA e negou as acusações contra a seita.
“Nem seita existe. O que há é uma associação em que todas as pessoas trabalham igualmente em fazendas, produzem e sobrevivem desse trabalho”, disse o rapaz.
“Vivo ali com minha mãe, meu pai e minhas irmãs. E não é trabalho escravo. Trabalhamos e somos bem tratados. Eu sou feliz ali. Tenho meus amigos, fazemos nossas tarefas, jogamos bola”, acrescentou.
Sobre as denúncias feitas pela avó e pela também adolescente identificada como Priscilinha – uma das 10 rio-pretenses supostamente aliciadas pela seita –, de que o rapaz teria sofrido castigos e privações por se relacionar com outra adolescente, Lucas disse: “Isso é assunto da minha intimidade, que tenho direito de preservar. Mas sobre os castigos, posso garantir que é enorme mentira.”
O encontro aconteceu terça de manhã em Olímpia, no escritório do advogado Silvio Roberto Ribeiro de Lima, que representa judicialmente a associação citada por Lucas. O neto compareceu ao encontro acompanhado da mãe Valéria Cristina Souza de Almeida, 41 anos, filha de Valdete.
Na saída, encontraram Valdete, que tinha acompanhado a reportagem, e foram abraçá-la. Não houve entendimento.
Sobre as acusações da mãe, Valéria rebate: “Já convidamos minha mãe para ir lá. Ela sempre recusa.”
Valéria também desmentiu a existência da seita. “Somos uma associação onde cada qual executa uma tarefa. Posso trabalhar na cozinha, na estufa de mudas, na criação de porcos, plantação de morangos. Cada qual dá sua contribuição.”

Lavagem cerebral

Valdete diz que a filha e os netos sofreram lavagem cerebral e por isso defendem a seita. “Eles venderam uma casa e deram todo o dinheiro para os pastores. Agora a seita faz a cabeça deles para não ter de devolver o dinheiro.”
Valéria ri dessa afirmação. “O dinheiro da casa está em uma poupança”, rebateu, sem mostrar qualquer documento da aplicação financeira. Lucas disse que está estudando. Mas não soube dizer o nome da escola.
“Faltam alguns documentos que estou providenciando. Quero me formar técnico veterinário ou agrícola para ajudar mais no trabalho das fazendas.”
A entidade está registrada no cartório de Andrelândia (MG) como associação de Agricultura Familiar Paraíso Manancial.

Estatuto

O advogado Silvio Lima apresentou o estatuto que revela o objetivo da associação: “Desenvolver e estimular a busca de soluções conjuntas para uma melhor qualidade de vida de seus associados, através da igualdade e cooperação mútua, baseando-se no princípio da propriedade comunal, na produção e no consumo, tendo como princípio que cada um dá de acordo com sua capacidade e recebe de acordo com sua necessidade.”
As acusações contra a seita começaram em 2005. A Associação de Agricultura Familiar Paraíso Manancial só foi criada em 2009.

Rede Bom Dia/Notícias Cristãs

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