terça-feira, 13 de abril de 2010

'É um peso muito grande', diz delegada após indiciar padre no interior de SP



Padre foi indiciado por estupro de vulnerável e ato libidinoso com fraude.
Em seu depoimento, padre negou todas as acusações de pedofilia.

Apesar de negar o envolvimento em casos de pedofilia, as oito horas de depoimento do padre José Afonso Dé, de 74 anos, não foram suficientes para convencer a delegada Graciela de Lourdes David Ambrosio, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca, a 400 km de São Paulo, de sua inocência. O padre prestou depoimento na segunda-feira (12) e foi indiciado por estupro de vulnerável e ato libidinoso com fraude .

De acordo com a delegada, “por se tratar de um padre o fato traz uma série de repercussões”, mas era inevitável o indiciamento. "Ouço comentários que trazem para mim. É realmente um peso muito grande, mas não posso me furtar e procuro fazer o que é certo seja quem for”, afirma a delegada.

Ela diz que o padre negou todas as acusações , mas os depoimentos de outras sete supostas vítimas foram mais convincentes. “Durante as oitivas, as vítimas foram coerentes com a descrição de como os casos ocorriam e deram sempre relatos parecidos sobre o modus operandi do padre”, diz a delegada. “Diante das provas, há indícios de crime.”

  • Aspas

    Ouço comentários que trazem para mim. É realmente um peso muito grande, mas não posso me furtar e procuro fazer o que é certo seja quem for"

As vítimas seriam meninos de 12 e 16 anos que frequentavam a Paróquia São Vicente de Paulo, na periferia de Franca, e a casa do sacerdote. A paróquia é uma das mais tradicionais da cidade e o padre, uma das figuras mais populares da igreja católica na região.

O padre foi indiciado por estupro de vulnerável com base na lei 12.015 do Código Penal, de agosto de 2009, que prevê que não é necessário que exista a conjunção carnal para que ocorra o estupro, explica a delegada.



Indiciado nos artigos 213 (Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso) e 215 (Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima), o padre pode ser condenado a penas que variam de seis a doze anos de prisão.


“Isso não quer dizer que a Justiça vá ter o mesmo entendimento, mas me ative à lei e uma vez que estou convicta achei por bem fazer o indiciamento”, afirma a delegada.

O indiciamento do padre causou reação imediata na cidade. O caso é a manchete do principal jornal de Franca nesta terça-feira (13) e Graciela diz que por se tratar de um religioso a acusação tem se amplificado. “É complicado pois se trata de uma pessoa conhecida na cidade”, afirma a delegada.

Defesa

  • Aspas

    Agora vamos cuidar da saúde dele, pois está muito abalado"

O advogado do pároco, Eduardo Caleiro Palma, afirma que o padre está abalado com as acusações que considera fantasiosas. Ele diz que durante seu depoimento, o padre explicou um a um os casos e relatou em detalhes a história de vida de cada um dos adolescentes que fizeram a acusação.

Palma afirma que as índoles dos jovens podem ser questionadas. "Tivemos acesso aos depoimentos e pudemos apontar e contestar um a um", afirma.

O advogado diz que a motivação das acusações foi relatada pelo padre à delegada. "Ainda estamos num processo de investigação para saber os motivos que os levaram a fazer isso, mas mesmo que agora um desses garotos queira desmentir ou voltar atrás não tem como pois iria sofrer uma pressão enorme", diz Palma.

Segundo Palma, agora o mais correto deveria ser o padre retomar suas atividades na Igreja. "Agora vamos cuidar da saúde dele, pois está muito abalado", diz o advogado.

G1

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