terça-feira, 13 de abril de 2010

Defensores dizem que padre filmado fazendo sexo com jovem é homossexual, não pedófilo


Uma das teses que os defensores do monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 83 anos, de Arapiraca (AL), vêm adotando para defendê-lo das acusações de pedofilia contra ex-coroinhas é que ele não é pedófilo, mas homossexual. Sua orientação e suas práticas sexuais já seriam conhecidas dos superiores desde a ordenação sacerdotal, em 1951. Essa teria sido a causa de sua transferência de Alagoas para São Paulo, onde trabalhou até se aposentar e voltar para o local de origem

Segundo essa tese, o que se viu nos vídeos gravados pelas vítimas do abuso, e que foram veiculados no programa “Conexão Repórter”, do SBT (assista aqui a reportagem completa), foi uma relação homossexual. Portanto, não haveria crime. A culpa do monsenhor seria pela violação dos votos de castidade, com o conhecimento dos superiores. A polícia não acredita.

Na semana passada, as delegadas Angelita Sousa e Barbara Arraes ouviram mais de uma dezena de jovens e reuniram fotos e documentos que podem provar que os três sacerdotes de Arapiraca – além de Barbosa, o padre Edilson de Duarte, de 43 anos, e o também monsenhor Raimundo Gomes Nascimento, de 53 – acusados de pedofilia usavam seu poder para abusar dos jovens desde que eles tinham 12 anos.

O lado irônico da tese de defesa do monsenhor Barbosa é que ele já atacou publicamente os homossexuais e chegou a proibir o funcionamento de uma oficina de capacitação profissional para travestis no salão da paróquia que dirigia. “Ele era homofóbico”, diz o ativista gay Claudemir Martins, de Arapiraca.

O senador Magno Malta, evangélico que preside a CPI da Pedofilia, também quer a criminalização dos envolvidos. Ele esteve em Maceió para tratar do escândalo. No dia 16, volta com outros integrantes da comitiva para promover audiências publicas em Arapiraca.

VÍTIMA

Anderson Faria, de 21 anos, um dos três ex-coroinhas que decidiram denunciar os abusos a que teriam sido submetidos, relatou à reportagem que, seis anos atrás, quando decidiu se afastar do monsenhor Raimundo Gomes Nascimento, foi surpreendido com a reação dele. No púlpito, diante de fiéis que não entendiam exatamente o que estava acontecendo, ele atacou o rapaz que desejava se livrar dos abusos, acusando-o de ingrato. “Disse que eu estava indo para o caminho do mal”, lembrou o ex-coroinha.

Foi tão pesado que a mãe de Anderson dirigiu-se à sacristia, após a missa, para reclamar. Só recentemente, quando o filho relatou-lhe os abusos, ela teria compreendido a contundência da homilia do monsenhor. “Ele não tinha vergonha nenhuma do que fazia”, disse o ex-coroinha.

Os fatos eram conhecidos nos círculos internos da Igreja. Quando começaram a vir à tona, dois anos atrás, foram feitas negociações secretas para silenciar os ex-coroinhas. O bispo italiano d. Valério Breda, à frente da Diocese de Penedo há 13 anos, teria sido informado sobre cada passo desses episódios, segundo relatos e documentos apresentados pelos ex-coroinhas.

A reportagem procurou, sem sucesso, conversar com o bispo em diferentes ocasiões na semana passada. Ele tem evitado a imprensa e também proíbe os padres de falarem. Em nota oficial, porém, assegurou na última quinta-feira que só soube dos fatos após a reportagem veiculada pelo SBT em março, que deu repercussão nacional ao caso. O DVD com as imagens pode ser comprado a R$ 5 em qualquer esquina de Arapiraca.

Fonte: GAZ/OVERBO

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