quinta-feira, 25 de março de 2010

Vítimas de abusos sexuais exigem que papa divulgue arquivos sobre pedófilos

Americanos fizeram manifestação no Vaticano e foram retirados do local.
Escândalo aproxima-se do papa, mas igreja vê 'conspiração'.

Vítimas de abusos sexuais cometidos por padres fizeram uma manifestação no Vaticano nesta quinta-feira (15), exigindo que o papa Bento XVI libere a divulgação dos arquivos sobre clérigos católicos pedófilos em todo o mundo e destitua todos os "padres predadores" de suas funções sacerdotais, imediatamente.


A manifestação acontece no momento em que um cardeal denunciava o que descreveu como uma "conspiração" para desacreditar a Igreja Católica e disse que pode entender porque alguns bispos impediram a divulgação de casos de pedofilia, para não prejudicar o bom nome da Igreja.

Ela também ocorre no mesmo dia que o "New York Times" denunciou que o Vaticano deixou de punir um religioso que abusou de 200 menores surdos, o que obrigou a Santa Sé a dar uma resposta.

Foto: Reuters
Parentes de vítimas de abusos sexuais são retiradas do Vaticano nesta quinta-feira (25) depois de protesto. (Foto: Reuters)

Quatro líderes da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres (Snap), dos EUA, todos os quais foram sexualmente abusados por padres, incluindo terem estupro e sodomia, ergueram fotos deles mesmos quando crianças e cartazes dizendo "Acabem com o Sigilo Agora".


"Eu pediria ao papa que por favor abrisse os arquivos da Congregação da Doutrina da Fé e entregasse todas as informações à polícia", disse Barbara Blaine, presidente da Snap.


Ela se referia ao departamento no passado chefiado pelo papa na época em que ele era cardeal e que julga casos de abuso sexual.


"Eu também pediria a ele que enviasse uma ordem pública a bispos em todo o mundo no sentido de que todos os padres predadores devem ser afastados de seus cargos imediatamente", disse ela, minutos antes de a polícia apreender os passaportes dos líderes da Snap e levar os líderes embora para interrogatório.


Um escândalo sobre os alegados acobertamentos de abusos sexuais de crianças por parte de padres vem convulsionando a Igreja Católica da Europa com intensidade ainda maior que o escândalo semelhante que atingiu os Estados Unidos oito anos atrás.


Desta vez, porém, o escândalo vem chegando perigosamente perto do próprio papa, na medida em que os grupos de vítimas disseram que querem saber como ele tratou desses casos antes de sua eleição a papa, em 2005.


Foram feitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais em Munique na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.

G1

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