segunda-feira, 29 de março de 2010

Rio Preto também tem seus padres pecadores

Casos na região incluem embriaguez eventual ou contumaz, desvios de dinheiro do caixa paroquial e relacionamentos amorosos Escândalos que estremecem a intimidade da Igreja Católica no mundo começam a aparecer também na região de Rio Preto. Denúncias que chegam à diocese apontam padres envolvidos com embriaguez eventual ou contumaz, desvios de dinheiro do caixa paroquial, relacionamentos amorosos e outros deslizes.
A Igreja Católica Apostólica Romana exige dos padres não só o celibato, que é a renúncia ao casamento, mas, a castidade, ou renúncia ao ato sexual. Por isso, os fatos constrangem padres verdadeiramente vocacionados. Eles evitam comentar.
A diocese afirma que tem agido quando toma conhecimento. Cita como exemplo o fato de ter afastado da direção da Sé Catedral o padre Aparecido Donizeti Bianchi, que se envolveu em acidentes de trânsito sob suspeita de dirigir alcoolizado.
Ele ficou internado em uma clínica de Curitiba, e, de volta a Rio Preto, sobrevive com apoio de familiares, enquanto aguarda retomar o sacerdócio, o que deve ocorrer no próximo mês.
O padre Antonio Valdecir Desidério, da paróquia da vila Maceno, é acusado de ter conhecido um garoto de programa na boate Mixed e de o ter levado para a casa paroquial. Quem acusa é o ex-seminarista rio-pretense Claudemir Galhardi. “Fiz estágio na paróquia da vila Maceno entre 1996 e 1998. O rapazinho frequentava muito a casa paroquial. Em seguida, passou a trabalhar na secretaria da igreja. O Valdecir começou a pagar faculdade para ele. Quando terminou o curso, o rapaz chantageou o padre para não espalhar os fatos sobre a relação deles.”
O ex-seminarista ainda acusa Valdecir de ter revelado um segredo de confissão, ato gravíssimo para a igreja. “Confessei-me com ele e contei-lhe que era HIV positivo. Valdecir contou para o então bispo de Rio Preto, dom Orani Tempesta. Fui impedido de me ordenar depois disso.” Claudemir carrega a mágoa. “Fui traído pelo meu confessor.”
Em Sebastianópolis do Sul, o padre Denival Marques de Andrade é acusado de dar calotes estimados em mais de R$ 60 mil em paroquianos. Foi transferido para Jaci, onde continua a receber “salário” da igreja e ajuda na obra assistencial e religiosa do padre Nélio Angeli Belotti.
Uma ex-funcionária da paróquia, que pediu para não ter o nome revelado, já que teme retaliações, confirma: “Eu fazia o controle do dízimo e depositava. Não podia deixar lá senão ele dava fim.”
O padre Edvandro Barufi, de Valentim Gentil, sacou R$ 25 mil da conta da paróquia e se mudou para o Canadá. A justificativa foi a de que ele havia pago as contas da paróquia, que estava muito endividada. Ele alegou que o saque seria simplesmente ressarcimento. A diocese de Rio Preto só soube do rombo depois que o padre viajou.

Doente, Gaúcho quer receber R$ 2,5 mil
Ademar Gomes, 63 anos, o Gaúcho, operador de máquinas afastado por doença, mora há 37 anos no mesmo endereço, na periferia de Sebastianópolis do Sul. Em tratamento para Mal de Parkinson, é um homem religioso e recatado.
O padre da cidade, Denival Marques de Andrade, pediu a ele um cheque emprestado para pagar despesas do inventário da mãe. “Dei cheque em branco, assinado. Ao conferir o extrato, vi que ele tinha preenchido no valor de R$ 2,5 mil.”
O padre lhe garantiu que devolveria o dinheiro assim que recebesse o valor apurado no inventário. “Entreguei-lhe o cheque no dia 10 de outubro de 2008. Até hoje, nada. Quando fez um ano sem me pagar, encontrei com ele. Ele garantiu que até dezembro me pagaria. Mas saiu de Sebastianópolis e eu não recebi.”
Gaúcho vive com o dinheiro que recebe da Previdência Social, R$ 639 por mês, por estar afastado do trabalho. “No começo, fiquei em dificuldade. Tive de entrar no cheque especial. Depois fui ajeitando, fazendo economias.”
Na quarta-feira, em frente à casa onde mora, Gaúcho disse que vai procurar um advogado para tentar receber da diocese de Rio Preto o valor, já que ele entende que a Igreja seria responsável pelos atos do padre.
O padre ainda teria se apropriado de R$ 7,5 mil do caixa de uma capela no bairro rural do Retiro, segundo o sitiante José Osmar, membro do conselho da capela.
Outro que levou calote foi o pai o prefeito José Antônio Abreu do Valle. O valor foi de R$ 1,7 mil. Mas ele perdoou a dívida.
O padre teria outras dívidas que, segundo os paroquianos, somaria R$ 60 mil.
Apesar das denúncias, quando o bispo dom Paulo Mendes Peixoto transferiu o padre para Jaci, dezenas de paroquianas fizeram um abaixo-assinado pedindo a permanência dele na cidade.

Bom Dia Bauru/Notícias Cristãs

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