sábado, 27 de março de 2010

‘Nunca acreditei na culpa dele’, diz mãe de menina morta em pia batismal

Pedreiro foi solto na noite de quinta-feira, após três anos preso. Mãe da menina está processando a igreja por negligência.

“Nunca acreditei na culpa de Oscar. Nunca achei que ele tivesse matado minha filha”. Foi dessa maneira que a balconista Andréia Pereira, 30 anos, reagiu ao saber que o pedreiro Oscar Gonçalves do Rósário saiu da Penitenciária Industrial de Joinville, nesta quinta-feira (25), após cumprir três dos 20 anos de condenação pela morte da menina Gabrielli Cristina Eicholz, de 1 ano e meio. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou o processo que o condenou.

A menina foi encontrada morta em uma pia batismal de uma igreja em Joinville (SC), em março de 2007. ”Eu deixei a polícia fazer o trabalho que tinha de ser feito, mas eu e minha mãe vestimos minha filha para o sepultamento e percebemos que o corpo dela estava intacto. Não tinham feito nada com ela”, disse Andréia, ao citar que a polícia chegou a dizer que a menina tinha sido violentada antes de morrer.

O pedreiro seguiu para a casa dos pais, em Canoinhas (SC). “Minha mãe e eu estávamos no supermercado comprando as bolachas que meu irmão gosta, pois hoje [sexta-feira (26)] seria dia de visita, quando recebemos a ligação avisando que ele seria solto. Caiu tudo no chão de tanta emoção”, disse Maria Aparecida Gonçalves, 18 anos, irmã de Oscar. “Lembro que só eu estava com ele quando a polícia foi buscá-lo em casa para ser preso”, disse ela.

Maria Aparecida disse que ela e a mãe saíram do supermercado e foram preparar a festa para receber Oscar de volta. “Soltamos fogos de artifício, assamos uma carne e convidamos os amigos dele. Foi muita alegria, não esperávamos uma notícia tão boa como essa”, afirmou a irmã.

Descrente da culpa de Oscar, a família da menina Gabrielli entrou com um processo contra a igreja onde ela foi encontrada morta. A tia da vítima havia levado a garota para uma celebração religiosa e, segundo depoimento dela à época da investigação, a criança foi deixada com três monitoras do templo religioso.

Reviravolta

Nesta quinta-feira, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou o processo que tinha condenado o pedreiro a 20 anos de prisão. Em 12 de março deste ano, o pedreiro completou o terceiro ano da pena na Penitenciária Industrial de Joinville.

De acordo com o Tribunal de Justiça, os trabalhos de investigação policial devem ser reiniciados. Ainda de acordo com o Tribunal de Justiça, a decisão de anular o processo teve por base irregularidades nos procedimentos policiais e atendeu a um recurso da advogada Elizângela Asquel Loch, responsável pela defesa do pedreiro. “Houve violação das garantias constitucionais de Oscar e produção de provas ilícitas durante o inquérito policial”, disse Elizângela.

Segundo ela, a confissão obtida pela polícia em 12 de março de 2007 foi ilegal. “Oscar foi preso durante o depoimento, mas o mandado de prisão foi expedido apenas no dia seguinte. Acho difícil que a polícia consiga reabrir o caso e fazer uma nova investigação em um segundo inquérito policial. Não há provas contra meu cliente”, disse a advogada ao G1.

Caso

O crime aconteceu em Joinville, em março de 2007. Gabrielli, que tinha 1 ano e meio, foi levada para um culto da igreja evangélica e desapareceu depois de ter sido deixada em uma sala para brincar com outras crianças. Seu corpo foi encontrado no tanque batismal do templo. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que ela foi violentada e estrangulada.

O pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário foi preso poucos dias depois da morte de Gabrielli. Segundo a polícia, quando foi preso, ele confessou ter violentado e matado a criança. Ele também participou da reconstituição do crime. Duas semanas depois, ele voltou atrás e negou o crime.

Em agosto de 2008, ele foi condenado a 20 anos de prisão, em regime fechado. Durante o julgamento, Rosário negou que estivesse na igreja e disse que estava na casa dos tios. Ele teria saído por pouco tempo para fazer uma ligação para familiares.

O acusado ainda disse que foi ameaçado por policiais para confessar o crime e que chegou a ser agredido após fazer o exame de corpo de delito.

Fonte: G1/OVERBO

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