quarta-feira, 31 de março de 2010

Internet motiva nova forma de espiritualidade, diz jesuíta

Igrejas não estão preparadas para a cultura da internet, que cria uma nova ambiência e, portanto, uma nova espiritualidade, um novo modo de fazer religião. Elas precisam mudar a ambiência ou, pelo menos, se questionar a respeito disso.
O alerta é do padre Pedro Gilberto Gomes, pró-reitor acadêmico da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), na reflexão que faz sobre “Espiritualidade na internet: o surgimento de uma nova religião?”
As igrejas entendem que esses meios são apenas dispositivos tecnológicos e, portanto, devem chegar às pessoas e trazê-las para a ambiência eclesial. Mas a ambiência que a internet está criando é outra e não a passada, explica.
O pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos recorre ao filósofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan para explicar essa mudança de chave na ambiência.
McLuhan dizia que a história da humanidade pode ser dividida a partir da evolução dos meios de comunicação. No início, as pessoas se uniam em tribos, período em que faziam a transmissão oral da história. Com a escrita, começou a destribalização, porque as pessoas não dependiam mais dos anciãos para contar estórias.
Com os meios eletrônicos surge uma comunidade verbo-oral que criou uma retribalização. “Só que esse processo, essa aldeia global, se dá num nível diferente do passado, ou seja, não significa retomar o que já existiu”, assinala o jesuíta.
Hoje, com a internet, “essa rede em que as pessoas estão interconectadas está criando novos espaços de relacionamentos, novos espaços de espiritualidade”, frisa Pedro Gilberto em entrevista ao Instituto Humanitas da Unisinos. A pergunta que se faz é “que tipo de espiritualidade surge de um portal?”
Mais uma vez recorrendo a McLuhan, o professor de Comunicação lembra que não é o conteúdo da televisão que muda o comportamento das pessoas, mas o simples fato de assistir televisão. “Na vivência das espiritualidades, é essa realidade que as instituições religiosas não estão percebendo”, aponta.
E emenda: “O simples fato da pessoa se relacionar via portal já está criando uma forma de espiritualidade ou uma forma de ver religião diferente. Isto é o que deve ser questionado!”
Pedro Gilberto arrola, ainda, o risco de as igrejas usarem a internet com uma intenção, como o desejo de incentivar a solidariedade e de levar as pessoas a rezarem, e, ao invés disso, fazer com que elas criem um deus à sua imagem e semelhança, incentivem o individualismo e constituam a sua própria religião.
O pesquisador em Comunicação menciona o portal da Canção Nova, que permite ao internauta escolher, na oferta da missa, apenas parte dela. “O conteúdo está fragmentado e o internauta pode montar a sua própria missa”, afirma, para acrescentar:
- A Canção Nova, quando em seu site divide a missa, está iniciando uma consequência que não pode ser mensurada. A missa tem uma dinâmica, uma lógica e um movimento que forma um conjunto. A partir do momento em que, num portal, é feita uma partição dessa missa, a pergunta é que tipo de missa é essa?

ALC/Notícias Cristãs

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