sábado, 6 de março de 2010

Igreja sugere teste na casa de fiel que diz ter imagem que chora mel em SP


Sugestão é a de lacrar a peça em caixa para tentar comprovar milagre.
Missionário diz aceitar que experiência seja realizada.
A Arquidiocese de São Paulo ainda não obteve autorização para realizar exames em uma pequena imagem de Jesus Cristo cuja dona, a aposentada Doralice da Silva Carvalho, de 67 anos, afirma que começou a verter mel em meados de fevereiro passado. A peça está pendurada na parede da casa dela, em Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, e tem despertado a curiosidade de muitos fiéis. A peça, segundo a dona, foi adquirida há um ano e meio em Sorocaba, a 93 km de São Paulo.
De acordo com o padre Juarez de Castro, secretário de Comunicação da arquidiocese, o procedimento nestes casos é o de submeter a peça a uma análise científica. A Igreja Católica, desta forma, não deverá se pronunciar sobre este assunto sem qualquer laudo em mãos.
“Em casos como esses, são três as linhas de investigação a serem seguidas: paranormalidade, sobrenaturalidade e fraude. Só se considera milagre se for confirmada uma intervenção divina. Ou seja, para a Igreja é milagre só se for algo sobrenatural”, diz o padre Juarez.
A dona da imagem
A dona da imagem, no entanto, não admite que a peça seja retirada da casa onde mora. O padre Juarez de Castro, diante da relutância da aposentada, sugeriu então que a imagem seja lacrada em uma caixa, para saber se esta continuaria a verter mel, mesmo isolada. A caixa permaneceria na residência de Doralice o tempo suficiente para a realização da experiência, segundo o padre Juarez.
O missionário Anderson Freitas, de 22 anos, “filho de coração” da aposentada, como a própria Doralice o definiu ao G1 anteriormente, concorda em realizar a experiência. “Eu nunca disse que não concordo com os exames. A Igreja que venha até a residência e realize os exames que considerar necessários. Podem montar um acampamento para acompanhar tudo”, afirmou.

Polêmica
Durante este processo de investigação, o padre Juarez de Castro informou ao G1 que recebeu o contato do frei Ednalro Silva Sales, de Pindobaçu, na Bahia, cidade onde Anderson Freitas morou de 1999 a 2006, tendo sido inclusive coroinha da igreja matriz da cidade. “Ele (frei Ednalro) me disse que o Anderson acompanhava um outro rapaz, de nome Joel e que se dizia vidente, que ele via Nossa Senhora. O frei disse também que eles causaram muitos problemas na cidade”, contou o padre Juarez.
O G1 entrou em contato com o frei Ednalro em Pindobaçu, que assumiu a Paróquia do Senhor Bom Jesus em julho de 2009. “Ele (Joel) dizia que ele via Nossa Senhora e que ela chorava um líquido azul. O Anderson era seguidor deste Joel. Depois ele foi desmascarado. Descobriram que era um tipo de mato aqui da região que deixava a água azul. Isso foi em 2000”, relatou o frei.
Segundo ele, Anderson e Doralice, acompanhados de outras 14 pessoas de Sorocaba, estiveram de volta a Pindobaçu em agosto de 2009. “Ele (Anderson) esteve aqui em agosto querendo trazer um movimento, falou que era vidente. Ele veio com um grupo de Sorocaba”, disse. “Fui muito enfático. Disse para ele: ‘Eu não acredito em você’”, contou o frei.
Ele disse que assim que soube da história da imagem de Cristo que chora mel e de quem estava envolvido decidiu entrar em contato com a Arquidiocese de São Paulo. “Tenho plena convicção de que se trata de uma fraude”, declarou.
Ao G1, Anderson Freitas, que se diz missionário por viajar muito, mas que se considera um confidente por ver Nossa Senhora, confirmou que esteve na cidade na ocasião citada pelo frei. “Estive lá com um grupo de 15 pessoas para me apresentar a ele, para falar das aparições de Nossa Senhora, para ter um espaço de orações na cidade”, disse.
Além disso, ele confirmou que morou em Pindobaçu, mas negou seu envolvimento com o rapaz chamado Joel. “Nasci em Guarulhos, mas meus pais nasceram lá. Morei em Pindobaçu de 1999 a 2006. Mas não podem ficar misturando a minha história com a do Joel. Ele foi desmascarado pela população. Eu acompanhei os fatos. Joel dizia que via Nossa Senhora. Primeiro, ele se afastou da Igreja Católica e fundou a Igreja Jesmari, a junção das palavras Jesus e Maria, na qual ele era o padre e realizava a missa. Ele dividiu a igreja de Pindobaçu, que nunca aprovou o movimento dele. Eu era coroinha da igreja matriz. O frei Ednalro escuta e relata o que os moradores passaram para ele. Mas o Joel não tem nenhuma ligação com a minha pessoa”, garantiu Anderson.
Sobre as aparições de Nossa Senhora, Anderson esclareceu que estas surgem em momentos de oração. “É quando estamos reunidos em família, em um cenáculo com os sacerdotes que me acompanham, dos integrantes do grupo Chama do Amor”, finalizou.

G1/Notícias Cristãs

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