sábado, 20 de fevereiro de 2010

Igreja Evangélica se une a Católica para falar sobre capitalismo, consumismo e economia na Campanha da Fraternidade Ecumência 2010

Com o tema Economia e Vida e o lema Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro, retirado do Evangelho de Mateus, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic) lançou ontem a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010.

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O objetivo manifesto é colaborar para a promoção de uma economia a serviço da vida, a partir de um esforço entre Igreja e a sociedade. Nas entrelinhas, há críticas ao modelo econômico, considerado excludente, e uma intenção de incluir os temas caros aos grupos religiosos na campanha eleitoral brasileira.

Entre os principais pontos previstos para enfoque estão a valorização das pessoas, a superação do consumismo e a relação entre economia e desigualdade social. “É importante que todos possam construir um bem comum, visando uma sociedade sem exclusão”, afirmou o secretário geral da entidade, Luiz Alberto Barbosa. Esta é terceira vez que a campanha é organizada pelo Conic, que reúne a Igreja Católica, a Luterana, a Anglicana, a Presbiteriana e a Católica Ortodoxa.

Segundo ele, o tema é estratégico, pois 2010 é ano eleitoral e, nas campanhas políticas, a economia é um dos principais assuntos. Como destacou, as igrejas, ao questionarem o atual modelo, que, segundo a entidade, tem gerado desigualdades, propõem que a sociedade reflita e, em outubro, esteja consciente de seus direitos e deveres e possa ajudar os políticos a pensar melhor na economia.

“Os candidatos precisam ver o que está dando certo para manter e mudar o que está errado para colocar o ser humano em primeiro lugar e não o lucro, que é o que a gente tem observado no país. O atual modelo econômico neoliberal tem feito com que as questões sociais fiquem em segundo plano. Nunca sobra dinheiro para a educação e a saúde, por exemplo, mas a preocupação em socorrer os bancos, aumentar os juros, a tributação e os impostos é sempre prioridade”, afirma.

Divórcio

Para Júlio Sérgio Gomes de Almeida, economista e ex-secretário de Política Econômica do governo Lula, o debate é importante, pois, no momento da crise econômica mundial, uma parcela grande de dinheiro internacional foi desviada para salvar os bancos e, com isso, áreas importantes acabaram sem recursos. “Dou toda razão para a campanha. Todo esse dinheiro daria para acabar com alguns problemas, como tirar a África da miséria, resolver as preocupantes questões ambientais e melhorar a educação e a saúde no mundo. Porém, não posso negar que a alternativa de não socorrer os bancos pioraria ainda mais a situação econômica mundial”, destaca.

Ele afirmou ainda que é preciso lembrar a toda a população que a economia, os bancos e o sistema financeiro não são um fim em si. “É preciso tentar atingir os objetivos das pessoas e da vida. Para isso é que serve a economia. Porém, nesse momento de crise, nos divorciamos desse processo”, reconhece.

Rede de proteção

Economista e ex-diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas não vê o Brasil tendo um sistema de capitalismo neoliberal extremado e, sim, um modelo econômico de livre iniciativa. Segundo ele, o país tem uma das maiores redes de proteção social que existem no mundo, materializada no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e no Sistema Único de Saúde (SUS). “O Brasil não é um modelo neoliberal de capitalismo selvagem. Temos uma rede de proteção social, Bolsa Família, ensino público e sistema de saúde. É claro que alguns pontos são defeituosos, mas existem e, portanto, podem ser melhorados”, disse.

Ele defendeu ainda que a campanha teria efeito maior caso o foco fosse contra a corrupção que, como destacou, ainda é grande. “A população não pode ser contra os tributos altos, pois são eles que pagam o SUS, a educação, a aposentadoria das pessoas idosas, o auxílio-doença e muito mais. Então, há uma incompreensão. Se a campanha dissesse que a corrupção prejudica, eu concordaria e o trabalho teria um objetivo melhor. É a corrupção que tira o dinheiro dos impostos que poderiam ser aplicados, por exemplo, na saúde e na educação. É importante que não haja corrupção nos órgãos do governo”, afirmou o economista.

Para Freitas, o sistema de livre iniciativa do Brasil tem os seus defeitos, mas as qualidades são maiores e superam os pontos negativos. “Basta ver nos anos do governo Lula que são muitas as pessoas que passaram das classes D e E para a C, nível de classe média. Então, esse sistema é eficiente. É claro que tem defeitos, que às vezes são perversos, mas para isso existem as redes de proteção social, como o SUS e o INSS”, conclui.

Fonte: Correio Braziliense / Gospel+
Via: Folha Gospel

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