sábado, 7 de novembro de 2009

Volta de estátuas de Stalin encontra forte resistência em Moscou

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) se juntou hoje à verdadeira cruzada de ativistas e liberais para evitar o retorno das estátuas e símbolos de Stalin ao metrô de Moscou, um dos principais pontos turísticos da capital russa.
"Não posso estar de acordo quando intencionalmente são restituídos símbolos que contribuem para a divisão do povo", afirmou o arcipreste Vladimir Siloviev, chefe do Departamento Editorial do Patriarcado da IOR.
O clérigo lembrou que serão necessários muitos anos e esforços para "eliminar o negativo legado stalinista" de Moscou.
"Gostaria que o metrô, apesar de sua simbologia soviética e comunista, fosse um lugar de paz", disse Siloviev, que defendeu a instalação de capelas nos pontos do metrô onde houve atos de violência.
O arcipreste concedeu uma entrevista coletiva depois que o arquiteto chefe de Moscou, Aleksandr Kuzmin, anunciou o plano de restaurar a estátua de Stalin em seu lugar original, na entrada da movimentada estação de metrô Kurskaya.
Perante a série de críticas recebidas, o chefe do metrô de Moscou, Dmitri Gáyev, explicou que "seria o primeiro passo para restabelecer a justiça histórica".
Por outro lado, os historiadores lembram que o metrô de Moscou foi construído nos tempos de Stalin, da mesma forma que muitas outras infraestruturas, mas ao custo de grandes sofrimentos e da morte de dezenas de milhares de trabalhadores.
O metrô de Moscou já gerou indignação de ativistas e liberais em setembro, quando restaurou no salão da estação Kurskaya um relevo com uma frase do antigo hino soviético.
"Stalin nos criou na lealdade ao povo, nos inspirou ao trabalho e ao heroísmo", diz a frase que tinha sido retirada nos anos 1950 dentro de uma campanha contra o stalinismo lançada por seu sucessor, Nikita Kruschev.
A postura antistalinista da IOR não é uma surpresa, já que o Patriarcado foi nos últimos anos o principal defensor da reabilitação do último czar e sua família, Nicolau II, mortos pelos bolcheviques em 1918.
O Patriarcado também propôs substituir por uma estátua do czar o monumento de Karl Marx, instalado no centro de Moscou em frente ao teatro Bolshoi, pontos de reunião dos nostálgicos da URSS.
A veterana ativista Ludmila Alexéyeva considera que "não há nada mais perigoso que tentar reabilitar a de Stalin e seus cruéis métodos de Governo".
"O que tentam fazer no metrô de Moscou me traz à memória minhas piores lembranças da infância. É um ultraje e uma falta de respeito aos milhões de vítimas da repressão stalinista", assegurou à Efe.
Alexéyeva considera que por trás desses planos "está o Governo federal e o primeiro-ministro Vladimir Putin, que está convencido de que Stalin fez mais bem do que mal".
Em sinal de repulsa, a ativista antecipou que decidiu "boicotar a estação Kurskaya e que nunca mais voltará a pôr seus pés nela".
Por outro lado, louvou as palavras pronunciadas há poucos dias pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, que condenou duramente os crimes do stalinismo e as tentativas de justificá-los.
"Não menos importante é impedir que, sob o pretexto do restabelecimento da justiça histórica, sejam justificados aqueles que massacraram o povo. Milhões de pessoas morreram como resultado do terror e de acusações falsas", disse.
Já Yuri Bondarenko, líder do movimento que tenta devolver os nomes czaristas às milhares de ruas e prédios que foram renomeados após a Revolução Bolchevique de 1917, acredita que as autoridades lançaram uma campanha aberta de "propaganda stalinista".
"Querem devolver a Rússia ao Gulag (campo de trabalho forçado)", assinalou Bondarenko, que em mais de 6.200 as ruas que ainda ostentam nomes de personalidades soviéticas e denúncia a manipulação da figura de Stalin nos livroso.
O veterano líder liberal Grigori Yavlinski acredita que as autoridades russas "estão interessadas em uma leve reabilitação de Stalin".
"Eu chamaria o atual período de 'stalinismo pós-moderno'. Agora há muitas manifestações (...) que se parecem com os crimes dos bolcheviques e stalinistas", disse.
Além da igreja, liberais e ativistas encontraram um inesperado aliado no líder ultranacionalista Vladimir Jirinovski, que também se opôs à restauração dos monumentos a Stalin, a quem qualificou de "carrasco, tirano e ditador".

EFE/Notícias Cristãs

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