sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Representantes da Rede Cristã e da Igreja Presbiteriana defendem preservativo contra o HIV em Moçambique

A polémica que envolve a aceitação ou não da Igreja ao uso do preservativo é antiga.
Em 2007, por exemplo, o arcebispo moçambicano Francisco Chimoio disse, em entrevista a rede BBC, que os preservativos produzidos na Europa eram deliberadamente infectados pelo HIV para acabar com o continente africano.
“Sei que em dois países europeus estão produzindo preservativos com vírus de propósito. Eles querem acabar com o povo africano. Querem colonizar tudo. Se não tomarmos cuidado, estamos liquidados.”
Recentemente, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, arcebispo de Cape Coast (Gana), também criticou a baixa qualidade de alguns preservativos distribuídos em África, mas defendeu o uso desse material preventivo por casais caso um dos cônjuges tenha HIV.
Apesar das opiniões acerca desse assunto serem distintas, muitas vezes até entre aqueles da mesma Igreja, representantes de organizações religiosas de Moçambique, entrevistados pela Agência de Notícias de Resposta ao SIDA, explicaram que é possível falar do preservativo em nome de Deus.
Carlitos Honwana, pastor e Director do Departamento de Planificação e Desenvolvimento da Igreja Presbiteriana, explica que o preservativo ainda representa um assunto tratado com receio porque a Igreja demorou muito para associá-lo à prevenção do HIV.
“O preservativo não é uma coisa do outro mundo. Aquele é um instrumento criado pelo homem, inspirado pelo conhecimento divino, para ser usado”, sentenciou.
O pastor acrescenta que, na visão da sua igreja, não existe qualquer relação entre divulgação do preservativo e práticas adúlteras, como defendem muitos crentes.
“Qual é o pecado no preservativo?”, pergunta ele.
O Director Executivo da Rede Cristã contra o HIV/SIDA (RCHS), Octávio Mabunda, diz que já que a abstinência e a fidelidade mostraram-se ineficientes, há que validar outros modelos de prevenção, tendo em conta o próprio contexto ideológico-cultural do país.
“Em nossas palestras nunca afirmamos que o preservativo é pecado”, comentou.
Entretanto, Mabunda diz se tratar de um questão a ser usada dependendo de cada caso.
“Nós (RCHS) privilegiamos os seropositivos para falar do uso do preservativo para evitar infectar os outros, bem como a reinfecção, mas aos negativos defendemos a abstinência e fidelidade”, explicou. “Divulgar o preservativo deve ser uma estratégia de cada igreja e eu não vejo onde está o problema”, concluiu.
Moçambique tem aproximadamente 20 milhões de habitantes. Segundo fontes oficiais, 47 por cento da população segue religiões nativas, 31 por cento o catolicismo, 13 por cento o islamismo e 7 por cento outras religões cristãs.
O Impacto Demográfico do HIV e SIDA aponta que 14 por cento dos adultos moçambicanos são seropositivos.

Agência de Notícias de Resposta ao Sida/Notícias Cristãs

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