segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Primeiro foi o púlpito da Assembléia de Deus. Depois o “banho de axé”. Agora, Dilma participa de procissão do Círio de Nazaré


Depois que deixaram ela pregar no púlpito da Assembléia de Deus dizendo que Lula “defende os valores cristãos no Brasil”, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, já foi à Bahia tomar um “banho de axé” com pais-de-santo e neste domingo aproveitou a procissão do Círio de Nazaré, que reuniu dois milhões de pessoas, em Belém (PA), para fazer propaganda do governo Lula. Foi a primeira vez que Dilma esteve no evento religioso. Ela disse ter ficado impressionada com o fato de muita gente carregar miniaturas de casas e até tijolos durante a caminhada em torno da Virgem de Nazaré. “Perguntei a duas pessoas que carregavam as miniaturas se era por agradecimento ou pedido”, disse, em entrevista à imprensa. “Uma respondeu que era por agradecimento. Outra, por promessa para conseguir uma casa.”

“O governo está no caminho certo”, avaliou a pré-candidata à presidência da República, ao observar que a manifestação popular também denota os anseios do povo. “Fico muito satisfeita com o fato de termos feito o programa Minha Casa, Minha Vida, porque é visível aqui a importância que as pessoas atribuem à casa, como o local fundamental para qualquer pessoa ter segurança, criar seus filhos, desenvolver suas relações afetivas, enfim, ter um teto para desfrutar todos os momentos da vida – os bons e os ruins.”

Protesto – No palanque do governo estadual, montado em um órgão público no percurso da procissão, a ministra também viu, além da fé e da devoção pela Virgem de Nazaré, um protesto realizado por paraenses que, em coro, cobraram da governadora Ana Julia Carepa (PT) “saúde”, “segurança” e também endereçou à governante a expressão chula “safada”. Em seguida, o mesmo grupo gritou: “Dilma pode esperar, a sua hora vai chegar”.

Descalços, eles disputam lugar e recebem água e atendimento – muitos desmaiam – de voluntários, Exército, polícias civil e militar e Cruz Vermelha. Os “promesseiros da corda”, como são chamados, são responsáveis por cenas impressionantes de superação e martírio.

A ministra disse ter ficado estarrecida, em alguns momentos, com a “manifestação muito forte que mistura a força da fé com a força das multidões”.

“Acho que tem que ter muito orgulho dessa festa, que permite que o Círio também seja uma boa imagem do Brasil”, resumiu a ministra. “Um país de paz, que tem essa imensa capacidade de comemorar no sentido amplo da palavra.” Lembrou que o País tem uma situação especial em relação à santa católica – “é Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora da Consolação, Nossa Senhora das Águas”.

Diante de tanta fé e atividades religiosas, a ministra disse “não ter como encerrar, no Brasil” a peregrinação que vem fazendo – de encontros com evangélicos a missa de ação de graças na Igreja Senhor do Bonfim, em Salvador (BA). Sorridente, disse ter feito vários pedidos à Nossa Senhora de Nazaré, mas não revelou. “São segredos da fonte”.

“Cautela e caldo e galinha não faz mal para ninguém.” Com a expressão, a ministra negou-se a comentar a denúncia de que o filho do senador José Sarney, Fernando Sarney, teria ingerência na agenda do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. “No Brasil temos o hábito de pegar uma denúncia qualquer e sair condenando”, observou, ao dizer que não tinha tido tempo para se informar das notícias. “Acho que tem que se ouvir as partes, as explicações, antes de sair condenando.”

Fonte: Bem Paraná/OVERBO

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