quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Marina Silva nega que esteja em campanha e não quis comentar a visita de Dilma Rousseff em igreja evangélica


Na primeira visita a Minas Gerais depois de se filiar ao Partido Verde e de assumir a possibilidade de disputar a Presidência da Repúblicas, a senadora Marina Silva (AC) até negou que estivesse em campanha, mas a sua passagem por Ipatinga, no Vale do Aço, e o discurso mostraram que a pré-candidata à sucessão presidencial no ano que vem já está na estrada. Na cidade governada por quatro mandatos pelo seu ex-partido, Marina disparou contra possíveis adversários e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal nome do PT, a quem acusou de antecipar o processo eleitoral ao lançar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para sucedê-lo. “Isso tem constituído prejuízo ao Brasil. Termina a disputa pelas prefeituras e já começa a corrida à presidência.”

Para a senadora, a antecipação da discussão em torno da disputa pela sucessão presidencial acaba se sobrepondo ao debate de projetos para desenvolvimento do país. O PT e o PSDB também entraram na mira da ex-ministra do Meio Ambiente. Marina afirmou que o principal desafio da política nacional é fazer com que os dois partidos dialoguem. “Infelizmente, esses partidos, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente e nós éramos oposição, não tinham nenhum ponto de contato. E agora acontece o mesmo durante o governo Lula. É fundamental que, naquilo que é essencial para o Brasil, haja possibilidade de diálogo, para que se qualifique uma base de sustentação dentro do Congresso Nacional e não exista o fisiologismo”, argumentou a pré-candidata.

Diálogo

Sobrou também para outro pré-candidato à Presidência da República, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Ao ser indagada sobre comentário feito pelo parlamentar de que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), era mais feio por dentro que por fora, a senadora disse que não faz política de forma “destrutiva”. “Não temos problemas em reconhecer os avanços na área econômica graças a Fernando Henrique Cardoso e ao Plano Real, e ao presidente Lula, que aprofundou essas mudanças com ajuste fiscal e distribuição de renda.” Em seguida, no entanto, retomou o discurso de pré-candidata: “A história não para aí. Nós queremos dar continuidade às mudanças e alterar o processo produtivo no país de insustentável para sustentável, na indústria e na agricultura. Nenhum partido colocou isso, mas o PV está colocando”.

Mesmo com todo o discurso, Marina disse que estava em Ipatinga para dar palestra sobre sustentabilidade em uma escola. “É o que faço há 30 anos”, disse. O encontro com estudantes estava marcado para as 21h. A senadora, no entanto, chegou por volta das 16h, em um avião de carreira. Antes da palestra, se encontrou com correligionários em um parque da cidade, onde discursou para crianças e professores.

Com os pastores, contra o preconceito

A agenda da senadora Marina Silva em Ipatinga incluiu ainda participação em encontro com cerca de 800 pastores da Assembleia de Deus, igreja a qual pertence desde 1997, conforme fez questão de frisar. Antes, Marina fazia parte das comunidades eclesiais no Acre, período em que despontou para a política. A senadora foi anunciada pelo pastor Antônio Rosa, que coordenou o encontro, como ex-ministra do Meio Ambiente. O pastor lembrou, durante a reunião, que Marina é pré-candidata à Presidência da República.

A senadora foi saudada com as palavras “sois querida em nome de Jesus”. Ao falar aos fiéis, a senadora citou trechos bíblicos que pregam contra o preconceito e relatou já ter sido empregada doméstica e que só foi alfabetizada aos 16 anos. Marina não quis comentar a visita da ministra Dilma Rousseff a uma igreja evangélica, também na segunda-feira, em São Paulo. Para a senadora, as igrejas não podem ter partidos, mas devem estar abertas a todos os candidatos.

Fonte: Correio Braziliense/OVERBO

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