quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Investigação:A colheita de órgãos israelense


Na semana passada, o principal jornal da Suécia publicou um artigo com material surpreendente que incluía testemunhos e provas circunstanciais, segundo os quais os israelenses podem estar extraindo órgãos internos de prisioneiros palestinos sem o seu consentimento durante muitos anos.

No entanto, pior ainda é o fato de que parte da informação que o artigo contém sugere que, em certas ocasiões, pode-se ter capturado palestinos com este macabro propósito.

Roubam nossos filhos para tirar os seus órgãos

No artigo Roubam nossos filhos para tirar os seus órgãos, o veterano jornalista Donald Boström escreve que os palestinos “reúnem fortes suspeitas contra Israel por capturar jovens e utilizá-los como reserva de órgãos do país, uma acusação muito grave, com suficientes interrogantes para instar o Tribunal Penal Internacional (TPI) a abrir uma investigação sobre possíveis crimes de guerra”1.

Isto desencadeou uma forte reação imediata por parte de uma avalanche de autoridades e defensores de Israel, qualificando tanto Boström como os editores do jornal de “anti-semitas”. O ministro israelense de assuntos exteriores se mostrou “horrorizado” e tachou de “demonização mediante calúnia de sangue”. Uma autoridade israelense, inclusive, denominou de “pornografia do ódio”.

Para a revista “Commentary”, esta história não era “mais que a ponta do iceberg a respeito do ódio contra Israel financiado e fomentado pela Europa”. Muitos compararam o artigo com a “calúnia de sangue” medieval (histórias amplamente rebatidas sobre supostos assassinatos cometidos por judeus para usar o sangue em rituais religiosos). Alguns escritores pró-palestinos, inclusive, se uniram às críticas mostrando seu ceticismo.

No entanto, o caso é que durante muitos anos foram apresentadas prova substanciais de roubo e tráfico público e privado de órgãos, assim como indícios de algo pior. Neste contexto, as acusações suecas adquirem muito maior credibilidade do previsto, e sugerem que uma investigação poderia revelar informação significativa.

O primeiro transplante de coração de Israel

No primeiro transplante de coração feito na história de Israel utilizou-se o coração de um paciente vivo sem seu consentimento e sem consultar sua família.

Em dezembro de 1968, um homem chamado Avraham Sadegat (parece que o New York Times o mencionou como A. Savgat)2 morreu dois dias depois de sofrer uma apoplexia, apesar de terem dito a sua família que “ia bem”.

Apesar de sua negativa inicial, o hospital israelense o­nde estava sendo tratado finalmente entregou o corpo do falecido a sua família. Então descobriram que tinha o tronco vendado; algo estranho, pensaram, para alguém que havia sofrido uma apoplexia.

Quando retiraram a bandagem, descobriram que haviam enchido a caixa torácica com vendas e que faltava o coração.

Foi por aquela época que se realizou o célebre primeiro transplante israelense de coração. Após seu espanto inicial, a esposa e o irmão do falecido começaram a associar os dois fatos e a exigir respostas.

A principio, o hospital negou que o coração de Sadegat tivesse sido utilizado no famoso transplante, porém a família levantou um rebuliço midiático e, inclusive, recorreu a três ministros do gabinete. Algumas semanas depois, e depois da família haver assinado um documento no qual prometia não ir aos tribunais, o hospital admitiu que havia utilizado o coração de Sadegat.

O hospital explicou que havia cumprido com a legislação israelense, segundo a qual se podia extrair órgãos sem o consentimento da família3. (A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Internacional inclui a extração de órgãos em sua definição de exploração humana).

Não foram investigados os indícios de que a remoção do coração de Sadegat foi a causa real de sua morte.

Colhendo rins entre as comunidades pobres

Segundo a revista Economist, entre 2001 e 2003 surgiu na África do Sul uma rede de tráfico de rins. “Os doadores eram recrutados no Brasil, Israel e Romênia, com ofertas de 5.000 a 20.000 dólares para visitar Durban e entregar um rim. Cada um dos 109 receptores, principalmente israelenses, pagou até 120.000 dólares por umas “férias com transplante”; fingiam ser parentes dos doadores e que isso não era remunerado”11.

Em 2004, uma comissão legislativa revelou o seguinte no Brasil: “Ao menos 30 brasileiros venderam rins a uma rede de tráfico de órgãos humanos para transplantes realizados na África do Sul, cuja principal fonte de financiamento provinha de Israel”.

Segundo um relatório do IPS: “Os receptores eram, sobretudo, israelenses, que recebiam reembolsos das companhias de seguros de saúde entre 70.000 e 80.000 dólares por intervenções cirúrgicas vitais realizadas no estrangeiro”.

O IPS indica:

Os brasileiros eram recrutados nos bairros mais pobres e recebiam 10.000 dólares por rim, “mas ao aumentar a ‘oferta’, os preços baixaram até os 3.000 dólares”. A rede de tráfico foi organizada por um ex-policial israelense, o qual se defendia dizendo que “não estava cometendo nenhum delito, dado que o governo de seu país considerava legal a operação”.

A embaixada israelense emitiu uma declaração na qual negava que seu governo estivesse implicado no comércio ilegal de órgãos humanos, mas reconhecia que seus cidadãos, em casos de emergência, podiam submeter-se a transplantes de órgãos em outros países “de maneira legal, cumprindo as normas internacionais”, e com o respaldo econômico de seu seguro médico.

No entanto, segundo o IPS, o presidente da comissão qualificou a postura israelense “como no mínimo ‘contrária à ética’, e acrescentou que a rede de tráfico só podia desenvolver suas operações em larga escala se existisse uma importante fonte de financiamento, como o sistema de saúde israelense”. Além disso, afirmou que os recursos que o sistema de saúde israelense proporcionava “eram um fator determinante” que permitia o funcionamento da rede12.

Os problemas de Israel com os doadores de órgãos

Israel possui um número extraordinariamente baixo de doadores voluntários. Segundo a agência de notícias israelense Ynet, “a porcentagem de doações de órgãos entre os judeus é a mais baixa de todos os grupos étnicos (…) Nos países ocidentais, cerca de 30% da população tem carteira de doação de órgãos. No entanto, em Israel, só 4% da população tem este tipo de carteiras18.

“Segundo as estatísticas do site do Ministério da Saúde, em 2001 morreram 88 israelenses esperando um transplante por falta de doadores de órgãos. Nesse mesmo ano, 180 pessoas se encontravam em coma irreversível e seus órgãos podiam ter sido utilizados para transplantes, mas somente os familiares de 80 deles aceitaram doar seus órgãos”.

Ynet assinala que a baixa cifra de doadores se deve a “motivos religiosos”. Em 2006, houve uma grande polêmica quando um hospital israelense conhecido pela sua observância da lei judia levou a cabo uma operação de transplante com um doador israelense. Na semana anterior “havia ocorrido um incidente similar, mas como o paciente não era judeu, passou despercebido”19 20.

O artigo sueco informa que Israel recebeu reiteradas críticas pelo seu modo antiético de abordar a questão dos órgãos e dos transplantes. A França estava entre os países que deixaram de colaborar neste âmbito com Israel na década de 1990. O Jerusalem Post escreveu: “Espera-se que o resto dos países europeus siga em breve o exemplo da França”.

“A metade dos rins transplantados para israelenses desde princípios desta década foram trazidos ilegalmente da Turquia, Europa Oriental e América Latina. As autoridades de saúde israelenses têm pleno conhecimento deste negócio, mas não fazem nada para detê-lo. Em uma conferência celebrada em 2003 ficou demonstrado que Israel era o único país ocidental que contava com uma classe médica que não condenava o comércio ilegal de órgãos. Tampouco toma medidas legais contra os médicos que participam deste negócio ilícito; pelo contrário, na maioria dos transplantes ilegais estão implicados responsáveis médicos de grandes hospitais de Israel, segundo Dagens Nyheter (5 de dezembro de 2003)”.

Para cobrir esta necessidade, o ex Primeiro-Ministro Ehud Olmert, então ministro da saúde de Israel, organizou uma grande campanha de doações no verão de 1992, mas ainda que o número de doadores houvesse subido vertiginosamente, as necessidades eram ainda muito superiores à oferta.

Fonte: kaosenlared.net/OVERBO

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