quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bíblia não pode servir como arma de arremesso


A Bíblia não pode ser um pretexto para afirmar preconceitos ideológicos em relação à religião, diz D. Manuel Clemente.
É a opinião do presidente da Comissão Episcopal responsável pela área da Cultura a respeitos das declarações do Nobel da Literatura José Saramago que considera que a Bíblia é um "manual de maus costumes e "um catálogo de crueldade".
Declarações polémicas do escritor no contexto do seu mais recente sobre a bíblica de Caim, um facto que D. Manuel Clemente considera pertinente, porque revela a preocupação que o escritor tem sobre a temática religiosa.
Em entrevista à Renascença, D. Manuel Clemente diz que um escritor com a envergadura literária de Saramago devia ser mais exigente consigo próprio na abordagem destas questões.
“Porque é que não tem mais cuidado, quando fala destas personagens bíblicas? A não ser que haja aqui um preconceito ideológico em relação à religião, mas então é disso que se trata e falemos de ideologia e não busquemos a Bíblia como um pretexto”
Na mesma linha vão as declarações do Padre José Tolentino Mendonça, director do secretariado nacional da pastoral da cultura.
Para este sacerdote, poeta e escritor, estas posições de Saramago são incompreensíveis, mesmo na perspectiva cultural.
“Dizer que a Bíblia é um texto cheio de crueldades é uma coisa que se pode dizer de Shakespeare, de Dante, dos Lusíadas, porquê? Porque a literatura reflecte a história, reflecte a condição humana, é uma espécie de palco onde a história humana é encenada, e responsabilizar a Bíblia pelos crimes da humanidade, pela violência ou pelas guerras, é de todo inaceitável não só do ponto de vista da religião, mas do ponto de vista da cultura, porque uma coisa é literatura, que reflecte a vida, outra coisa são as leituras posteriores, algumas muito erradas, que se podem fazer dos textos”, disse.

Renascença/Notícias Cristãs

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