segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Jovens são atraídos por novas formas de relacionamento com o sagrado

Com a missão de zelar pela pureza doutrinária e litúrgica, pela santidade do clero e dos fiéis, a Fraternidade Toca de Assis, organização de caráter neofranciscana, ligada à Igreja Católica e inspirada na Renovação Carismática, tem atraído a simpatia de jovens.
A organização tem mais de 2 mil seguidores, espalhados em 120 casas pelo e exterior. Os “toqueiros”, como são chamados, vestem o hábito franciscano e vivem em extrema simplicidade e pobreza, e entendem-se dependentes em tudo da providência divina.
Jovens da Toca de Assis acolhem em suas comunidades pessoas que vivem nas ruas, oferecendo a elas, nas grandes cidades, higiene, lanches e curativos. A organização nasceu em 1994, em Campinas, São Paulo, fundada pelo padre Roberto Lettieri.
“Novas são as formas de relacionamento com o sagrado, através do viés da emoção, do êxtase conduzido por músicas de várias vertentes, desde axé, , hip-hop, , até melodias gospel da cultura ”, explicou em entrevista ao Instituto Humanitas da Unisinos, o cientista político Rodrigo Portella.
Toqueiros usam danças, coreografias e teatro para a exteriorização da fé e a evangelização, sem deixar de lado a tecnologia, como o uso da Internet, do YouTube, para a sua visualização e comunicação.
A Toca de Assis não valoriza o estudo e tem a tendência, ainda que extraoficialmente, de proibir seus seguidores de frequentarem bancos escolares. Como se trata de uma fraternidade não-clerical, mas apenas de irmãos e irmãs, argumentam, o estudo tiraria para o serviço à população em situação de rua e para a adoração perpétua aos elementos eucarísticos.
Embora não a desconsidere, a Fraternidade Toca de Assis nutre, contudo, uma grande suspeita em relação à teologia acadêmica, pois ela estaria em contradição com a doutrina tradicional da igreja e incentivaria uma visão crítica da Bíblia, das doutrinas e da própria igreja, por influência do diabo.
Portella enxerga na Toca de Assis um movimento contracultural, pois ele “contrasta visceralmente com o estilo de vida e ambições sociais que circulam como desejáveis na sociedade contemporânea, ao menos para a maior parte das pessoas.”
Para o cientista da religião, comunidades como a Toca de Assis “são respostas às demandas de sentido, segurança e de identidade que uma sociedade, incluso a Igreja, cada vez mais aberta e plural, colocam para certas pessoas e grupos.”

ALC/Notícias Cristãs

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