terça-feira, 1 de setembro de 2009

Igreja para gays: “Homossexualidade não é doença nem pecado”

O que diz a Bíblia, de fato, sobre a homossexualidade? Se para a maioria das igrejas a resposta é simples e está ligada à condenação ou a pecado, outra denominação que já existe há dois anos em Vitória se propõe a mostrar uma nova visão - não menos polêmica - sobre este antigo tema.

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Para a Igreja da Comunidade Metropolitana de Vitória, que se propõe a acolher gays, lésbicas, travestis, bi e transsexuais, a homossexualidade não só não é condenada na Bíblia como lá estão vários exemplos de relações homoafetivas. “Davi e Jônatas, Rute e Noemi, o centurião romano e seu servo são exemplos. Davi era um homem de Deus, e lá está escrito que ele amava Jônatas mais que às mulheres”, argumenta a pastora interina da igreja, Eliana Ferreira.

Para a pastora, que frequentava e era liderança antes numa tradicional igreja evangélica, a maioria das interpretações dos trechos da Bíblia que falam de homossexualidade baseiam-se em traduções e não no texto original. “A palavra homossexual apareceu no século XIX.

As palavras em hebraico que aparecem não se referem ao homossexualismo em si”, defende. Esses e outros argumentos serão postos em debate hoje, no seminário “Homossexualidade não é doença nem pecado”, que acontece a partir das 15h, na capela ecumênica da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Diferente

Não apenas por ter essa visão das sagradas escrituras, mas também por ser conhecida pela proposta de acolher homossexuais, a igreja desperta muita curiosidade. O rito, no entanto, é muito parecido com o de outras denominações. Seus onze membros - a maioria jovem - se reúnem aos domingos para louvar a Deus, conversar sobre a Bíblia e cear juntos.

“Temos muitos visitantes. A maioria é um público universitário. Muitos ficam curiosos sobre os encontros, mas não é nada de anormal, temos ritual de batismo, louvor. Somos uma igreja evangélica com uma proposta inclusiva, voltada para o público GLBTT”, explica a pastora, que vai ser oficialmente ordenada em breve. Além de Vitória, a igreja, fundada no fim da década de 60 nos Estados Unidos, tem sedes em Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Fortaleza.

Espaço para a espiritualidade sem preconceito

Membro da igreja, o administrador André Luis Santos, 32 anos, vai falar sobre a Teologia Queer (gay), durante o seminário. “Vou apresentar o assunto de uma forma mais simples. A teologia fala da inclusão de todas as pessoas”, resume.

Ele ressalta que os membros da igreja não querem se colocar em evidência, ou fazer um movimento em prol da causa homossexual, mas apenas ter a liberdade de culto respeitada, assim como sua orientação sexual. “Só queremos dizer que existe essa opção para as pessoas que querem viver sua espiritualidade. É só um espaço onde não se considera a homossexualidade um pecado”, ressalta. Ex-estudante de colégio católico, André diz que chegou a se perguntar como iria sobreviver num mundo com visões tão excludentes em relação à sexualidade. “A sorte é que procurei me informar e estudar. Mas sempre há sofrimento”.

Pronta para realizar até casamentos

Além de participar de todas as atividades, os membros da Igreja da Comunidade Metropolitana podem casar-se com pessoas do mesmo sexo, o que não seria possível nas igrejas que frequentavam antes. A igreja de Vitória ainda não realizou casamentos, mas está apta a fazer isso. “Já fui procurada por um casal de lésbicas, mas depois elas não voltaram. Basta apenas que eles ou elas tenham um relacionamento de mais de um ano”, explica a pastora interina Eliana Ferreira.

A igreja também orienta que os interessados procurem oficializar a união em cartório, com um contrato civil. “Não basta ficar algumas vezes para poder casar”, avisa. A mesma igreja em São Paulo já realizou casamentos coletivos.

A pastora lembra que igreja segue uma orientação teológica e uma hierarquia como as demais. “Não criamos uma igreja, não estamos isolados. Teologicamente está tudo amarrado. Boa parte da teologia cristã é aceita por nós. Não é uma igreja moralizante da cultura gay. Apenas está aberta aos que sentiram excluídos e não tiverem preconceito”.

Fonte: Gazeta online / Gospel+
Via: Folha Gospel

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