quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Silas aponta religião, Guga e até aula de inglês para ascensão do Avaí

Considerado um dos treinadores mais promissores da nova geração do brasileiro, o técnico do Avaí, Silas Pereira, tem um estilo bem peculiar de comandar uma equipe. Talvez o resultado disso tenha sido a ascensão do time de Florianópolis, que, depois de amargar as primeiras rodadas na zona de rebaixamento, conseguiu uma incrível recuperação no da Série A e atualmente está a três pontos do G-4, grupo da Libertadores. Já são nove jogos de invencibilidade.
Treinador que segue a linha "paizão", Silas revela que dá muito valor ao lado psicológico de seus atletas, além de apontar que o sucesso da equipe em campo pode ser explicado pela "família" que formou no Avaí. Para ele, atividades como reuniões religiosas, palestras feitas pelo tenista Gustavo Kuerten, e até aulas de inglês e computação, foram essenciais para que o elenco se unisse fora de campo também.
Em 19 anos de carreira como jogador, Silas vestiu as camisas de São Paulo, Internacional, , Sampdoria e San Lorenzo, além de disputar as Copas do Mundo de 1986 e 1990 pela seleção brasileira. Em 2004, pendurou as na Inter de Limeira e mudou de carreira. Como treinador, foi eleito o melhor da Série B do ano passado, quando conquistou o acesso com o mesmo Avaí.
Leia trecho da entrevista em que o evangélico Silas concedeu ao UOL sobre religião, trabalho, expectativas e até a respeito de Cleiton Xavier, que, na sua opinião, é o jogador brasileiro da atualidade que mais lembra o seu estilo de .

UOL Esporte: A ascensão do Avaí na competição começou naquele jogo contra o Goiás, pela 11ª rodada, em que você mudou o esquema tático do time. Ali você também jogou com o Ferdinando pela primeira vez de volante e colocou o Luiz Ricardo de lateral. Estas mudanças foram a última tentativa de provocar uma reação do elenco em campo?
Silas: Não sei se era a última tentativa, mas sabia que era o momento de se fazer mudanças. Eu havia passado por uma experiência similar no Atlético-MG, que também passou por uma fase difícil quando eu estava lá. E isso me ajudou a enfrentar este período no Avaí. Mas posso dizer que a recuperação foi na base da superação. Porém, a mudança não foi só tática. O elenco não era tão inexperiente assim como falavam, e por meio da mentalização conseguimos reagir. Fomos surpreendendo também porque os outros times achavam que iriam conquistar fácil os três pontos contra a gente, o que nos motivou muito.

Você não pensou em "jogar a toalha" nenhuma vez? Sua demissão, apesar de ser cogitada na imprensa, não aconteceu. Como foi neste período o relacionamento com a diretoria do clube?
Nunca pensei em jogar a toalha. Se eu sentisse que não estava mais sendo ouvido pelos atletas, pediria demissão. Porém, este fato não aconteceu. Além disso, sempre tive o apoio da diretoria, que acompanhava os nossos trabalhos diariamente. Eu e eles (os dirigentes) sabíamos que as vitórias viriam em breve. Sempre trabalhamos com esse objetivo.

Você formou uma espécie de família com os jogadores do Avaí. Como trabalhou esse aspecto emocional naquele período difícil? Que ações foram implantadas para que os atletas reagissem dentro de campo?
Foi um trabalho diário, no qual tentamos mostrar aos jogadores que eles não eram menores do que ninguém. Buscamos implantar algumas atividades que acabaram unindo todos aqui no clube, desde os funcionários até os atletas, que formaram uma família mesmo. Chamei o Guga (tenista Gustavo Kuerten), que é um torcedor-símbolo do Avaí, para dar algumas palestras aos jogadores. O (ex-goleiro) Taffarel e o (ex-jogador) Zenon também já fizeram. O meu amigo pessoal (desde a década de 1980) e consultor espiritual Johnny Monteiro faz toda segunda-feira uma reunião com os atletas para orar, cantar e ler a bíblia, ação que tem participação de 99% do grupo. Aqui no clube nós colocamos até um professor de inglês e de computação à disposição deles. Tudo isso deixou o ambiente muito bom dentro do elenco.

Nas suas entrevistas você sempre cita que aprendeu muito com o (técnico) Cilinho na sua época de São Paulo. O que você extraiu dele para a sua carreira de treinador? Quem mais você procura seguir nesta nova profissão?
Muitas dessas atividades extra-campo aprendi com o Cilinho. Ele levava a gente no circo ou no teatro antes dos jogos, o que aliviava um pouco a pressão sobre os atletas. Cilinho era perfeccionista também. Eu lembro que a gente, por exemplo, ganhava por 3 a 0 e ia para o vestiário contente. No entanto, quando chegava lá, ele não estava satisfeito e nos cobrava um placar mais elástico, queria que fosse 5 a 0. Mas o que me chamava mais atenção era como ele trabalhava muito os detalhes. Atualmente, aplico um treino no Avaí com bolinha de tênis, para aprimorar a técnica, exatamente o que Cilinho fazia no São Paulo naquela época. Além disso, procuro observar bastante os trabalhos de Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo, Cuca, enfim, para somar ao que já aprendi.

Há algum jogador no atual futebol brasileiro que você acha que lembra o seu jeito de jogar ou o seu estilo em campo?
Me vejo muito no futebol praticado pelo Cleiton Xavier, do Palmeiras. Ele chuta mais forte do que eu, que preferia chutar mais colocado, porém, a dinâmica de jogo é igualzinha. Fico impressionado como o jeito que ele joga é parecido com o meu, que lembra muito aquele antigo meia direita. Até fisicamente somos semelhantes.

O seu discurso e dos atletas foi de sempre fugir do rebaixamento, se garantir na Série A do ano que vem. Mas, depois de toda esta reação, até onde esse Avaí pode chegar?
Vamos por etapas. Ainda vou bater na tecla que precisamos somar de 15 a 18 pontos para se garantir na Série A. A partir daí, quando alcançarmos esse objetivo, mudaremos o planejamento, podendo até ousar um pouco mais. Mas tem que ser tudo no seu .

UOL Esportes/NC

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