sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sesquicentenário da chegada de Simonton ao Brasil

O ano de 2009 é um ano emblemático para os presbiterianos. Em 2009, no dia 10 de julho, lembramos os 500 anos do nascimento de Calvino na França, àquele que viria a ser um dos mais importantes nomes da Reforma Protestante do Século XVI e que com sua teologia viria revolucionar a Europa e o mundo. E no dia 12 de agosto completamos como igreja brasileira 150 anos de história.
A cento e cinqüenta anos, precisamente no dia 12 de agosto de 1859, colocava seus pés em terras brasileiras ao aportar no , um homem cujo coração havia sido despertado para a obra missionária. Fruto de um avivamento de seu , o Rev. Ashbel Green Simonton, nascido a 20 de janeiro de 1833, em West Hanover, Pensilvânia, filho caçula entre 9 irmãos, neto de pastor presbiteriano, sentiu-se chamado para fazer a vontade de Deus como ministro do evangelho aos 22 anos.
Após ter deixado sua promissora carreira como professor, ingressou no Seminário Teológico em Princeton, em 1855. No primeiro semestre, um sermão do Rev. Charles Hodge, levou-o a preocupar-se com o trabalho missionário no estrangeiro. Em seu coração estava o como seara para semeadura da Palavra.
Tendo concluído seus estudos teológicos e cumprindo satisfatoriamente os requisitos exigidos para que fosse enviado ao campo missionário, tendo sido ordenado ao sagrado ministério, o Rev. Simonton embarcou para o Brasil. Após cerca de 40 dias de viagem, Simonton com 26 anos de idade, desembarcou no Rio de Janeiro com uma grande expectativa de aprender a língua portuguesa e pregar aos nacionais em sua própria língua. No Brasil só se ouvia o evangelho em língua estrangeira, ou em inglês (protestantes) ou no Latim (Ig.Católica). Fato que muito incomodou o Rev. Simonton e o estimulou a aprender o português rapidamente.
Abnegado em sua missão, esforçou-se e com a ajuda de famílias brasileiras, conseguiu aprender a língua portuguesa num prazo de oito meses, e assim pode dar seqüência ao seu trabalho evangelístico.
No dia 22 de abril de 1860, Simonton realizou a primeira escola dominical em língua portuguesa na sua no Rio de Janeiro, da qual participaram algumas crianças; No dia 12 de janeiro de 1862 os primeiros frutos começaram a ser colhidos quando foram recebidos por Profissão de Fé e Batismo os primeiros membros: Henry E. Milford e Camillo Cardoso de Jesus. E assim era organizada a Primeira Igreja Presbiteriana do Brasil.
Em março de 1862 Simonton volta para os Estados Unidos a fim de visitar sua mãe que estava enferma e para contar as bênçãos que Deus estava derramando sobre o Brasil. No dia 19 de março de 1863 Simonton casa-se com Srta Helen Murdoch e juntos voltam ao Brasil para continuar a missão.
No dia 19 de junho de 1864 nasce sua filha, e nove dias depois (dia 28) Helen Murdoch vem a falecer em decorrência de complicações do parto, ficando Simonton viúvo e com uma filha recém nascida para cuidar.
Mesmo diante desse infortúnio Simonton não desiste de continuar sua missão. Em outubro de 1964 era recebido por Profissão de Fé Batismo o ex-padre José Manoel da Conceição, que viria a ser o primeiro ministro brasileiro a ser ordenado. Nesse mesmo período circulou pela cidade do Rio de Janeiro o primeiro número do periódico “Imprensa Evangélica” publicado por Simonton, o primeiro período de conteúdo evangélivo na língua portuguesa.
Simonton com a saúde debilitada foi para São Paulo, onde sua irmã e seu cunhado o Rev. Alexander Blackforf, cuidavam da pequena Helen. A mudança de cidade e os cuidados médicos recebidos não foram suficientes e Simonton acabou sendo vitimado pela Febre Amarela, antes que completasse 35 anos. Simonton faleceu no dia 9 de dezembro de 1867, e foi sepultado no Cemitério dos Protestantes em São Paulo.
Simonton, deixou para os brasileiros um grande legado, uma igreja sólida, fundamentada nos princípios bíblicos reformado, cuja atuação desde a chegada desse homem abnegado em sua missão, visa a glória de Deus e alcançar o povo brasileiro com o Evangelho da salvação. Hoje, a Igreja Presbiteriana do Brasil, fundada pelo Rev. Simonton tem 3.000 igrejas espalhadas pelo Brasil; 03 Hospitais que atendem a população brasileira (dentre eles o Hospital Evangélico de Dourados-MS); 01 Universidade (Mackenzie-SP); 90 Escolas; 08 Seminários e cerca de 300 projetos sociais espalhados pelo Brasil, abençoando o povo brasileiro, dentre outras ações missionárias no Brasil e no exterior. Outro Projeto de destaque é a Missão Evangélica Caioá em Dourados, que realiza trabalho extremamente relevante junto à etnia Caioá.
Os 150 anos da Igreja Presbiteriana está sendo comemorado em todo o Brasil desde o ano passado, com cultos em ações de graças em todos os estados brasileiros, sendo o auge das comemorações o Culto Solene a ser realizado no dia 12 de agosto na Catedral do Rio de Janeiro, onde deve comparecer o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o Vice-Presidente José Alencar, que já confirmaram presença, dentre outras autoridades.
A LPC Comunicações, órgão ligado a Igreja Presbiteriana produziu um curta metragem sobre a vida do Rev. Simonton, como parte também das comemorações do sesquicentenário da IPB.
No Mato Grosso do Sul a data será lembrada no dia 15 de agosto às 18h em Dourados, e ainda com a veiculação de VT Institucional nas principais emissoras de e de Rádio do estado, alusivos a data.
Não apenas os presbiterianos, mas a comunidade evangélica brasileira deve se espelhar na vida e no ardor missionário desse servo de Deus que negou a si mesmo para que nele se cumprisse a vontade do Senhor, a quem ele devotou todo o seu coração, para que Cristo se tornasse conhecido entre aqueles que precisavam conhece-Lo, e para que o Brasil fosse mais humano e solidário.
Embora tivera deixado sua terra natal, sua mãe e seus irmãos e por completo se dedicado a Obra do Senhor, Simonton sentia que poderia fazer mais, mas não fazia. Sentia-se como todos nós devemos nos sentir diante da presença de Deus e de nossa impotência, como obreiros totalmente dependentes do Senhor. Estas foram às últimas palavras registradas em seu diário:
“Fazendo um retrospecto de minha própria vida durante o ano que agora se encerra (1866), tenho de condenar-me. Posso indicar algum trabalho que foi feito da melhor maneira que pude; mas será que progredi na direção do céu? É aqui que me sinto em falta. Não posso ir além da prece do publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” Será sempre assim comigo? A própria pressão e atividade da vida exterior têm empanado minha comunhão com Aquele para quem esses mesmos serviços são feitos. Quantas vezes minhas devoções são formais e apressadas, ou perturbadas por de planos pára o dia! E pecados muitas vezes confessados e lamentados têm mantido seu poder sobre mim. Quem me dera um batismo de que consumisse minhas escórias; quem me dera um coração totalmente de Cristo.”
Faço minhas as palavras de Simonton “Quem me dera um batismo de fogo que consumisse minhas escórias; quem me dera um coração totalmente de Cristo.

MS Notícias/NC

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