sábado, 8 de agosto de 2009

Psicólogos americanos rejeitam terapias contra homossexualidade


WASHINGTON — As chamadas terapias "reparadoras", que pretendem tratar a homossexualidade e mudar a orientação sexual do indivíduo, são equivocadas, ilusórias e nocivas, afirmou a associação americana de psicologia (APA).

A APA "adotou uma resolução destacando que os profissionais de saúde mental deveriam evitar dizer a seus clientes que podem mudar sua orientação sexual mediante terapias e outros tratamentos", salienta a associação profissional, que reúne 150 mil membros.

A organização compilou os resultados de 83 estudos realizados entre 1960 e 2007 sobre os diferentes enfoques psicoterapêuticos e, fundamentalmente, sobre as terapias denominadas "reparadoras", que afirmam poder modificar a orientação sexual.

Estos esforços terapêuticos - que empregam diferentes práticas, como eletrochoque e hipnose - afetam as pessoas com tendência "a ter visões religiosas conservadoras muito fortes e que tentam modificar sua orientação sexual", destacam os psicólogos americanos no relatório divulgado na quarta-feira.

Apesar de no final dos anos 70 estas terapias terem sido qualificadas de "desumanas" por várias associações de psicólogos comportamentais nos Estados Unidos, a APA destaca que recuperaram força na última década.

O estudio lembra os efeitos negativos deste tipo de terapia, referindo-se a tendências suicidas, depressão, problemas de impotência e disfunção nas relações.

"Os psicólogos não podem prever o impacto destes tratamentos e devem ser muito prudentes, já que as investigações mostram possíveis efeitos negativos", destaca a doutora Judith Glassgold, que dirigiu a equipe de especialistas encarregada do relatório.

A APA "recomenda que os profissionais evitem apresentar de forma equivocada a eficiência dos esforços para mudar a sexualidade quando tratam pessoas com angústia sobre sua orientação sexual", disse Glassgold.

"Apesar das afirmações de que é possível mudar a orientação sexual, não há provas suficientes para afirmar que o uso de intervenções psicológicas pode alterar a sexualidade".

"No melhor dos casos, estudos sugerem que alguns indivíduos aprenderam (durante a terapia) como ignorar sua atração homossexual e evitar envolvimentos, mas estes estudos não nos dizem quanto tempo durou isto e quais foram seus efeitos sobre o bem-estar mental a longo prazo".

A APA defende que os terapeutas utilizem métodos "que não tentem mudar a orientação sexual e sim buscar a aceitação, o apoio, a exploração da própria identidade e seu desenvolvimento psicológico, sem impor uma identidade específica".

A maior parte dos profissionais de saúde mental dos Estados Unidos, por intermédio de suas organizações profissionais, é a favor das terapias denominadas "afirmativas" ou de apoio, destinadas a ajudar as minorias sexuais a assumir sua orientação.

AFP

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