sábado, 8 de agosto de 2009

Polícia já identificou 20 pastores evangélicos

A polícia civil já identificou 20 pastores evangélicos como participantes do esquema da pirâmide em Goiânia. Entre os envolvidos estão Elias Pereira, 46, preso em flagrante no último dia cinco, e Natanael Crisostomo Sobrim, da igreja Assembleia de Deus – Campo de Campinas, do Jardim Primavera, que foi ouvido na manhã de ontem e confirmou sua participação no esquema, porém, o classificou de “corrente da prosperidade”. Além dele, o delegado Waldir Soares de Oliveira, titular do 22º DP ouviu ainda um dos principais divulgadores da pirâmide, Weder Rodrigues Cordeiro, ambos foram ouvidos e liberados em seguida, porém, foram inseridos no inquérito e responderão por formação de quadrilha, estelionato e crime contra o sistema financeiro.

As investigações da PC apontaram além das igrejas: Luz Para os Povos, Assembleia de Deus, Chama Viva, Nas Asas do Altíssimo e Igreja de Deus; as igrejas Batista – a qual não foi informada a localidade –, e Rio da Vida, do Jardim Presidente, na região noroeste da capital. Elas também foram apontadas por testemunhas e vítimas como instituições cujos líderes participaram da pirâmide. Em depoimento, Weder apontou as outras duas igrejas e informou à polícia nomes de outros envolvidos que serão ouvidos na próxima semana. Entre eles, estão pastores e fiéis das igrejas Luz Para os Povos e Asas do Altíssimo. “Pelo menos 20 pastores serão ouvidos, e podem ser indiciados caso seja comprovado a participação no esquema”, garante o delegado Soares.

Weder foi apontado por testemunhas e pelos indiciados como um dos líderes do esquema, e confirmou sua participação ao delegado alegando que o dinheiro recolhido era doado a instituições carentes e que não ganhava nada com isso. Além disso, o acusado negou a realização de palestras indutoras para evangélicos, bem como sua participação como membro da igreja Luz Para os Povos. O indiciado não falou com a imprensa, e o advogado dele, Darlan André Oliveira Santos, chamou o esquema da pirâmide de corrente de doação sem fins lucrativos. Para a polícia, não há dúvidas de que o esquema é fraudulento e ilegal. “A polícia já sabe como e porque o esquema chegou a Goiânia. E vamos cessar o golpe na capital e no Estado. Não vamos deixar isso chegar ao nível da Avestruz Master”, ressaltou Soares.

O açougueiro Thiago dos Reis, 18, é uma das 40 vítimas do golpe que procuraram o 22º DP para prestar esclarecimentos e registrar ocorrência. O jovem é membro da igreja Assembleia de Deus – Campo Campinas, do Jardim Primavera, e contou à reportagem do HOJE como as pessoas eram induzidas a participar da corrente da pirâmide, ou, ‘corrente milagrosa’. “Eles liam o livro de Lucas, capítulo seis, versículo 38, na Bíblia, e diziam que a Bíblia mandava contribuir, que Deus estava pedindo doações”, explicou. O jovem disse ainda que os pastores tinham conhecimento do jogo e das reuniões que aconteciam, geralmente, na casa dos fiéis. “Eles sabiam e participavam, tanto que as pessoas se reunião na porta da igreja antes de seguir para o local indicado”, disse.

Segundo o delegado, pelo menos mil pessoas foram lesadas na capital, 300 delas apenas na região noroeste. Segundo Thiago, pelo menos 150 pessoas da sua igreja participaram da “corrente milagrosa” e foram lesadas. “Quem não conseguiu outras duas pessoas, não recebeu nada”, afirmou o açougueiro, que não conseguiu reunir outras duas pessoas e por isso, não recebeu o valor de R$ 800 que lhe foi prometido. Para o delegado, neste caso é praticamente impossível dizer que as pessoas foram enganadas com uma política de doação. Para ele, todos que participaram da corrente tinham a intenção de receber pelo menos o dobro do valor aplicado.

OUTRO LADO
A Igreja Rocha Viva em Células enviou nota à imprensa ontem afirmando que o ministério, como instituição, “não possui qualquer vinculação” com o golpe da pirâmide Elite Activity. Diz também que seu líder, o apóstolo Newton de Paula, ficou sabendo há dois meses que “alguns evangélicos estavam ingressando em referido esquema”, mas “tomou a decisão de esclarecer seus membros sobre a ilicitude de tal conduta”. O nome da igreja foi citado no inquérito policial por causa da participação de membros no esquema, mas o delegado disse que não há como afirmar que a instituição sabia de algo.

JORNAL HOJE

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