segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Escolas cristãs do Paquistão fecham por três dias após massacre

As escolas cristãs do Paquistão ficarão fechadas e de luto por três dias, a partir desta segunda-feira, em respeito aos oito cristãos que foram assassinados por muçulmanos no sábado passado (1º) no nordeste do país, informou uma fonte da comunidade.

"Estamos muito preocupados, não só os cristãos, mas todas as minorias do Paquistão. As escolas daquelas Províncias onde as aulas já começaram ficarão fechadas e de luto por três dias", disse Peter Jakob, membro de uma comissão de defesa dos direitos humanos criada pela Conferência Episcopal paquistanesa.

Rahat Dar-01ago.09/Efe
Imagem mostra uma das dezenas de casas de bairro cristão queimadas por muçulmanos; ao menos seis morreram queimados
Imagem mostra uma das dezenas de casas de bairro cristão queimadas por muçulmanos; ao menos seis morreram queimados

No sábado, seis cristãos morreram e 18 ficaram feridos no incêndio criminoso de aproximadamente cem casas na cidade de Gojra, na Província de Punjab, após denúncia de que teriam profanado uma cópia do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. Outros dois cristãos foram mortos a tiros pelo grupo de centenas de muçulmanos, que seriam patrocinados por um grupo islâmico conhecido como Sipah-i-Sahaba.

Entre as vítimas queimadas vivas estariam duas crianças --um irmão e uma irmã de 13 anos e seis anos, respectivamente--, seus paus e um avô de 75 anos.

Os líderes cristãos e o ministro de Justiça de Punjab, Rana Sanaullah, rejeitaram a denúncia de profanação do Corão.

"Nós estamos fechando as escolas para mostrar nossa raiva e preocupação", disse o bispo Sadiq Daniel, classificando o gesto como uma tática pacífica de protesto. "Nós queremos que o governo leve todos os perpetradores do crime à justiça."

Tropas paramilitares e outros agentes de segurança estão patrulhando a cidade nesta segunda-feira. Farhatullah Babar, porta-voz do presidente, afirmou que um painel judicial avaliará as causas do incidente.

Cristãos e muçulmanos costumam viver pacificamente no Paquistão, de maioria muçulmana. Contudo, os cristãos e outras minorias religiosas são vulneráveis a leis discriminatórias --incluindo um édito contra blasfêmia que leva à pena de morte qualquer ação contra o Islã, o Corão ou o profeta Maomé.

Qualquer um pode fazer uma acusação dentro desta lei --que acaba sendo usada frequentemente como arma em rivalidades e brigas pessoais.

O confronto entre muçulmanos e cristãos começou na quinta-feira passada (30), após a denúncia de profanação do livro sagrado. Nos primeiros dois dias, muçulmanos colocaram fogo em dezenas de casas, mas a violência atingiu nível maior no sábado.

Nas últimas horas, Gojra foi visitada por vários representados dos governos regional e federal, entre eles o representante da pasta de Minorias, o cristão Shahbaz Bhatti --que também desmentiu a profanação do Corão.

Durante a entrevista coletiva, retransmitida pelas TVs paquistanesas, Bhatti criticou a atuação da polícia durante os distúrbios e admitiu que a situação em Gojra ainda é tensa. Porém, garantiu que seu governo protegerá as minorias do país.

Ele também anunciou que todos aqueles que perderam suas casas receberão uma indenização de 300 mil rúpias (US$ 3.750) e terão seus imóveis reconstruídos.

As autoridades de Punjab já detiveram dezenas de pessoas supostamente ligadas ao ataque, que está sendo investigado pelas autoridades.

Com Efe e Associated Press

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