domingo, 9 de agosto de 2009

Cultura e costumes diferentes levam mogianas ao islamismo


Devidamente vestidas com o hejab (véu islâmico), jovens mostram que já absorveram o novo estilo de vida.

Cultura: Érika e Jéssica acreditam que os muçulmanos dão mais valor às mulheres e, apesar do preconceito, elas se dizem felizes com a nova vida religiosa

Apesar de terem recebido orientação religiosa de seus pais para seguirem as mesmas crenças que eles, as mogianas Érika Ossaima Lobianco Elemen, de 27 anos, e Jéssica Bittencourt, de 17 anos, optaram, depois de muitos estudos, se converterem ao islamismo.
Cobertas da cabeça aos pés com o hejab (véu islâmico), elas levam uma vida normal. Estudam, trabalham e garantem: possuem liberdade para fazer suas próprias escolhas, derrubando o rótulo de submissão das mulheres que a religião carrega.
Em Mogi, o ponto de encontro dos mulçumanos é a Mesquita da Sociedade Beneficente, no Alto do Ipiranga. É neste local de culto que a comunidade islâmica da cidade faz a sua oração, e os iniciantes na religião realizam suas pesquisas e se aprofundam sobre os ensinamentos islâmicos.
A advogada Érika Ossaima Lobianco Elemen é a prova de que o destino - um dos cinco pilares da fé islâmica - realmente existe. Aos 15 anos, ela começou a estudar o Islã e se reverteu (para os islãs, "reverter" significa voltar às origens e crer em apenas um Deus) aos 23, quando já tinha independência financeira. A fé Islã, que acredita em Deus como sendo o único criador e digno de serventia, foi um dos motivos para que Érika virasse muçulmana. "No Islamismo acredita-se que somente Deus pode intervir pela salvação das pessoas. Existem Jesus e Maria, mas não acreditamos na santidade deles a ponto de servi-los". Outro motivo para a conversão da advogada, foi o modo como as mulheres se vestem: "Desde pequena, sempre senti a necessidade de cobrir a cabeça, e achava que poderia fazer isso no catolicismo", recorda.
Na época da adolescência, ela procurou se aprofundar nas ordenações da igreja católica e até fez parte da 3ª Ordem das Carmelitas. "Eu achava bonito porque elas também cobrem a cabeça com o véu. No entanto, eu queria ser religiosa e ter uma família, e sendo freira não poderia ter as duas coisas", justifica Érika. Foi então, que resolveu se aprofundar no estudo do islamismo. Decidida a se reverter, a advogada aprendeu a ler e escrever em árabe (língua em que o Alcorão foi revelado) em apenas um mês e e passou a cobrir mais o corpo. "Comecei a usar só roupas grandes. Minha mãe estranhava, mas eu me mantive firme", conta Érika, lembrando que cada costume muçulmano foi inserido aos poucos em seu cotidiano: "Eu não queria sofrer um choque também. Querendo ou não, é difícil mudar de religião e cultura assim tão rápido". Hoje, Érika frequenta a academia, estuda inglês e faz cursinho. A mãe, a pessoa que mais sentiu a mudança da filha, já está adaptada à nova vida de Érika.


Luz da Vida
A estudante Jéssica Bittencourt é um outro exemplo de fé ao islamismo. Revertida há dois meses, já escolheu até o seu nome mulçumano: Noor Alhayat, que significa luz da vida. De acordo com Jéssica, cuja parte da família é adventista e a outra católica, a falta de postura das mulheres a fez optar pela religião. "As mulheres tentam seduzir pelo corpo e estão cada vez mais fúteis. No islamismo, as mulheres são valorizadas pelo intelectual", compara. Os pais de Jéssica ainda não se adaptaram à mudança, "É difícil. Minha mãe, às vezes, fica sem falar comigo, me proíbe de usar o véu quando vou à escola", diz entristecida.

MN/NC

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