domingo, 12 de julho de 2009

Passar em concurso pode custar até R$ 9 mil


Além da dedicação nos estudos, candidatos gastam boa quantia na compra de livros, mensalidade dos cursos preparatórios, inscrições, alimentação, entre outras despesas

Dedicação. Essa é a palavra mais citada entre os concursandos quando questionados sobre o segredo do sucesso na corrida por uma vaga em órgãos públicos. E não é só de tempo e estudos não. Até conquistar um cargo no quadro de servidores do governo, a dedicação financeira também é fundamental. Por isso, quem está disposto a entrar nessa disputa, cada vez mais acirrada, deve colocar na ponta do lápis os investimentos necessários e planejar as finanças pessoais para evitar desgastes.

Segundo estimativas da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), um candidato que está se preparando em curso especializado para seleção de nível superior pode gastar mais de R$ 9 mil anuais com mensalidade, livros, alimentação, transporte, material, inscrição e apostilas. “Mas esse valor varia muito. Depende da mensalidade do curso preparatório e do cargo pretendido pelo candidato”, avalia Maria Thereza Sombra, diretora executiva da Anpac.

Aqueles que desejam receber os suntuosos salários de R$ 12 mil da área fiscal podem se preparar para gastos mais elevados que a média. “Há cursos preparatórios para o TRT a partir de R$ 1,3 mil com duração de quatro meses, enquanto para a área fiscal, os valores dos cursos partem de R$ 2 mil”, afirma Flávio Janones, diretor de Marketing do curso preparatório para concursos Orvile Carneiro. Ele justifica que, quanto maiores as exigências do edital, maior será a complexidade do curso, o que justifica a variação dos preços. “Muitas vezes temos que recorrer a professores de outros estados, a carga horária costuma ser três vezes maior, assim como o material didático, que também é mais extenso”, avalia.

Os custos podem pesar ainda mais quando incluem viagens para outras cidades ou até para fora do estado. Na empresa de turismo Rota Mineira, que organiza pacotes para Brasília e São Paulo, uma viagem de fim de semana não sai por menos de R$ 200. “Em média, são R$ 120 com transporte e R$ 80 com hospedagem em São Paulo. Já para Brasília, o transporte sobe para R$ 160 e a diária para R$ 110. Tudo isso sem contar o que os candidatos têm que gastar lá com deslocamento para o local de prova e alimentação”, avalia Saulo Lage de Sá, proprietário da empresa.

Seja qual for o investimento é consenso que o sacrifício vale a pena. “Qualquer que seja o gasto, o retorno é muito grande”, afirma William Douglas, autor de 11 livros sobre concursos públicos. Para quem quer economizar ao máximo, ele dá dicas. “Quem não tem dinheiro para curso pode estudar em casa. Se não tem apostila, pode recorrer às bibliotecas, além das bolsas de estudo que muitos cursinhos oferecem.” O que ele recomenda é que a pessoa evite abandonar o trabalho para se dedicar aos estudos. “Isso só aumenta a pressão para aprovação”, avalia.

Oportunidades

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) autorizou a realização de concurso público com a oferta de 1.584 vagas no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Ministério da Saúde (MS) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Os editais serão lançados nos próximos seis meses.

A maior parte dos cargos são destinados ao quadro de pessoal do MS. No total são 1.276 vagas para os níveis médio e superior. Entre as funções oferecidas estão a de arquiteto, analista técnico-administrativo, administrador, arquivista, assistente social, engenheiro e médico. Os aprovados poderão atuar na sede em Brasília, ou em um de seus núcleos estaduais, ou ainda nos hospitais gerais e institutos do Rio de Janeiro. A expectativa é que as nomeações já comecem em dezembro.

Já para o DNPM serão abertas 256 vagas, sendo 182 para os cargos de analista administrativo e especialista em recursos minerais, com exigência de nível superior, e 74 para nível médio nos cargos de técnico em atividades de mineração e técnico administrativo. Os salários não foram divulgados, mas, conforme tabela de remuneração dos servidores públicos federais, pode variar de R$ 1,7 mil a R$ 5 mil.

Confira mais dicas no site de concursos


FAÇA AS CONTAS
Mensalidade do curso preparatório
R$ 300 x 12 = R$ 3,6 mil

Apostilas
Duas por semana ao custo de R$ 10 = R$ 960

Livros
Sete exemplares = R$ 500

Taxa de inscrição
Três concursos = R$ 240

Alimentação
R$ 1,2 mil

Material
R$ 1,2 mil

Transporte
Condução de ônibus (R$ 4,60/dia x 6 dias x 4 semanas x 12 meses) = R$ 1.324,80

Total no ano
R$ 9.024,80

*Estimativa da Anpac para um concursando de nível superior em curso preparatório


CONCURSOS APROVADOS
Ministério da Saúde (MS)
Vagas: 1.276
Cargo: níveis médio e superior
Salário: não foi divulgado
Edital será publicado nos próximos seis meses

Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
Vagas: 256
Cargo: analista administrativo, especialista em recursos minerais, técnico em atividades de mineração e técnico administrativo
Salário: varia de R$ 1,7 mil a R$ 5mil
Edital será publicado nos próximos seis meses

Fundação Nacional de Saúde (Funasa)
Vagas: 52 para contratação temporária
Cargo: técnicos de nível superior
Salário: não foi divulgado

UAI

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