terça-feira, 28 de julho de 2009

Laudos que avaliam Suzane Richthofen são contraditórios



Apesar de os psiquiatras dizerem que ela não tem uma doença mental que ofereça perigo, os psicólogos e a assistente social identificaram um perfil dissimulado.


Esta é uma semana decisiva para Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais em São Paulo. Ela pode receber da Justiça o direito de cumprir o restante da pena em regime semiaberto. O Fantástico teve acesso exclusivo aos laudos de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais que podem decidir o futuro de Suzane.

Até a próxima sexta-feira (31), os portões da Penitenciária Feminina de Tremembé, no interior de São Paulo, podem se abrir para Suzane von Richthofen, ré confessa do assassinato dos pais. Condenada a 38 anos de prisão, Suzane pode conseguir esta semana o direito ao regime semi-aberto.

Ou seja, ela poderá passar o dia fora da prisão e voltar apenas para dormir. A jovem, de 25 anos, está presa há quase seis. A funcionária que convive diariamente com ela descreve a rotina no presídio.

“Não se envolve em nenhum problema dentro da cadeia, não é fofoqueira, não é nada. Tranquila, na dela. Trabalha todo dia, o dia inteiro e ajuda também em outras áreas quando é necessário”, diz.

O trabalho na fábrica de roupas da penitenciária contribui para reduzir a pena de Suzane. Nas contas da Justiça, ela já cumpriu um sexto da condenação, tempo mínimo para ter direito ao regime semi-aberto.

Mas para conseguir o benefício, Suzane ainda tem de passar por um outro teste: um laudo criminológico feito por técnicos do estado e um parecer do presídio com um relatório das pessoas que convivem com ela.

Com exclusividade, o Fantástico teve acesso às informações dos dois trabalhos, que apresentaram conclusões contraditórias. Do carcereiro ao diretor do presídio, sete profissionais que convivem com Suzane foram unânimes: a jovem é uma presa exemplar.

“É uma detenta nota mil, na minha opinião. Se, pelo menos, 80% da cadeia fosse igual a ela, não precisava quase nem de guarda lá dentro. Não dá problema”, contou um funcionário do presídio.

“O parecer do presídio é bem objetivo e conclui que a Suzane sempre teve um bom comportamento, sempre respeitou as pessoas da unidade, sempre se relacionou bem com as demais presas. Portanto, merece a promoção prisional”, afirma o promotor Paulo José de Palma.

Já o laudo criminológico, feito por dois psiquiatras, dois psicólogos e uma assistente social revelou outra face de Suzane. Apesar de os psiquiatras dizerem que ela não tem uma doença mental que ofereça perigo, os psicólogos e a assistente social identificaram um perfil dissimulado.

O psicólogo Gilberto Rodrigues, que já trabalhou em presídios, descreve o perfil de um criminoso dissimulado. “Ela cativa, envolve e traz todos para o seu lado”, aponta.

“Ela sempre responde para você com sorriso no rosto. Nunca está de cara feia ou amarrada”, conta a funcionária.

E como será a Suzane entre as detentas? “É aceita, mas querida não. Querida não, porque o pessoal tem muita repulsa com esse tipo de crime”, diz a funcionária.

Será que ela come a mesma comida das presas? “É servido a comida normal para elas todas, igual. Agora, ela prefere comer frutas, essas coisas que são trazidas para ela”, conta.

Suzane recebe visitas? “A única visita dela é o advogado. Família nunca vi família nenhuma por lá”, revela.

Durante todo o tempo em que está presa, Suzane nunca recebeu advertência. Mas os especialistas acham que também este é um ato calculado, como na entrevista que deu ao Fantástico há três anos. O relatório da promotoria será entregue segunda-feira (27) à Justiça.

“A Suzane possui uma personalidade voltada a manipular as pessoas e também a trazer as pessoas para seu lado, para as utilizarem em benefício próprio. Certamente os técnicos, muito competentes, muito inteligentes e muito probos, foram influenciados pelo perfil psicológico da Suzane. Por que Suzane não convenceu aqueles que estão longe dela?”, aponta o promotor Paulo José de Palma.

O juiz responsável pelo caso tem até sexta-feira (31) para tomar uma decisão. “Deixá-la na rua significa que, no primeiro momento, que ela se sinta insegura e ameaçada. Toda essa bondade, esse carinho, fica em segundo plano. Ela age descontroladamente. Ela pode fazer algo incapaz de ser previsto”, acredita o psicólogo Gilberto Rodrigues.

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