quarta-feira, 22 de julho de 2009

Juiz decreta toque de recolher para proteger jovens de abuso sexual em cidade do Mato Grosso

SÃO PAULO - Os moradores de Marcelândia, no norte do Mato Grosso, estão assustados com os casos de pedofilia e crimes contra menores na cidade. O temor fez um juiz decretar toque de recolher para proteger a população e reduzir a violência.

A fiscalização nas ruas da cidade é feita pela Polícia Militar. Quem for flagrado fora do horário permitido recebe advertência e os reincidentes são levados para um abrigo. De acordo com a polícia, os aliciadores agiam nas ruas e praças do centro de Marcelândia. O alvo eram menores que moram na periferia da cidade e estavam saindo do colégio.

Os encontros eram marcados por telefone. Foram escutas telefônicas gravadas com autorização da Justiça que ajudaram a polícia a revelar esses crimes. Para atrair os menores, os aliciadores ofereciam dinheiro.

Em uma das escutas, o empresário Jovino Scarpin, segundo a polícia, acerta com uma adolescente o que seria o valor de um programa:

- R$ 120, você pode? - questiona a adolescente.

- R$ 120? Vou formar R$ 100 - diz o empresário.

As revelações chocaram a população, que testemunhou outros casos, ainda mais graves. No abrigo municipal, estão menores sob proteção da Justiça. Eles foram abusados por parente ou conhecido da família.

- Me dava dinheiro, celular, roupa. Eu me arrependo. Não deveria ter feito isso - diz um menor, arrependido.

O juiz Anderson Candioto, que ordenou o toque de recolher, diz que em alguns casos, os pais são coniventes.

- Adolescentes e os pais desses adolescentes, o que é mais grave, entendem que é comum atividade sexual mercantil com homens do município e de outras cidades que vêm para cá se aventurar sexualmente.

Segundo a polícia, até um pastor é acusado de utilizar a igreja em que trabalhava para abusar de menores.

- Ele utilizava da sua função de mentor espiritual dos jovens, professor de futebol e de aula de música, atraia as crianças para praticar atos libidinosos - explica o delegado Luiz Henrique de Oliveira.

O pastor foi condenado a 79 anos de prisão por ter violentado seis adolescentes. Ele usava uma arma para coagir as crianças.

- Ele colocou uma arma na minha cabeça e me ameaçou. Disse que se eu não fizesse, ia ficar por ali mesmo, ele ia acabar comigo - diz um menor.

Desde o ano passado, foram mais de 20 denúncias de abuso sexual em Marcelândia. Doze pessoas foram presas.

O GLOBO

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