quinta-feira, 9 de julho de 2009

Brooke Shields e Michael Jackson, o relato de uma infância interrompida.


Autor : Pr. Renato Vargens

Na cerimônia fúnebre do cantor Michael Jackson um discurso me chamou atenção. A atriz Brooke Shields em tom emocionado, diante de milhões de pessoas compartilhou um pouco da sua relação de amizade com o rei da pop. No seu discurso Brooke afirmou: "Nós dois tivemos de agir como adultos muito cedo. Mas, quando estávamos juntos, éramos apenas crianças se divertindo", disse. "Nunca trabalhamos juntos, nunca nos apresentamos juntos, nunca dançamos no mesmo palco (...), nunca gravamos um vídeo, uma música juntos. Tudo o que fizemos foi rir."

Michael Jackson ao longo dos anos deu inúmeras entrevistas dizendo que teve que entrar na vida adulta cedo demais. E é claro, que o fato de ter deixado de viver a infância como uma criança comum, contribuiu para os seus distúrbios emocionais. Era nítido que ele não queria ter crescido, e que se pudesse viveria eternamente como um menino.

Caro leitor, infelizmente essa sociedade tem como uma de suas marcas a precocidade infantil. A cada ano que passa, as crianças desse novo tempo vem abandonando praticas da meninice em detrimento de uma maturidade abstrata e superficial. No afã da maturação, muitas vezes incentivados por seus pais, tais crianças, cedo, param de brincar de boneca, de botão, de bola, de pique, e outras coisas mais.

É claro e notório que o lúdico, a fantasia, e as brincadeiras possuem um papel fundamental no desenvolvimento da psiquê humana. Na verdade, os momentos em que as crianças passam se divertindo brincando umas com as outras, contribuem para se desenvolverem tanto emocionalmente como intelectualmente.

Infelizmente a mídia tem tido um papel absolutamente desagregador em nossa sociedade, desconstruindo assim valores indispensáveis à saúde humana. É inegável que os meios de comunicação ao longo dos anos imprimiram cada vez mais em nossas crianças a aceleração do descobrimento e afloramento precoce da sensualidade e sexualidade. Basta repararmos nas meninas que cada vez mais cedo, abandonam a brincadeira de boneca em detrimento do namoro com um menino. Em contra-partida ao focarmos na garotada logo percebemos que as brincadeiras saudáveis cederam lugar aos vídeos games e jogos eletrônicos que corroboram para o adoecimento da mente e do corpo.

Criança tem que ser criança! Viver o lúdico, a fantasia, desfrutar do riso, da alegria. Até porque, quando isso não acontece, a criança emocionalmente adoece.

Acredito que os pais possuem papel fundamental no resgate de valores da moralidade. E para tanto é indispensável que entendamos que a televisão foi feita para entretenimento do povo e não para ser babá eletrônica de nossos filhos. É imperativo e necessário também que entendamos que queimar etapas em vez de significar promoção social, representa regressão emocional para muitos de nossos infantes.

FONTE: CACP

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