quarta-feira, 22 de julho de 2009

Brasil já tem 22 mortes por gripe suína

SÃO PAULO - Mais sete mortes por gripe suína foram confirmadas nesta terça-feira no Brasil, elevando para 22 o número total. São seis mortes em São Paulo e uma no Paraná. A capital paulista registrou os quatro primeiros óbitos pela doença. Uma outra morte foi confirmada em Indaiatuba, na região de Campinas, no interior do estado, e outra em Osasco, na Grande São Paulo. No Paraná, uma mulher morreu em Jacarezinho. Com as mortes anunciadas nesta terça, o Rio Grande do Sul fica com 11, São Paulo, nove, Rio de Janeiro e Paraná, uma cada.

Segundo informações da Agência Estadual de Notícias, órgão oficial de comunicação do governo do Paraná, a primeira morte no estado foi de uma mulher. Os primeiros sintomas apareceram no dia 9 de julho. A mulher piorou dois dias depois, quando a doença evoluiu para uma pneumonia, e morreu no dia 14 de julho. O governo diz que as ações não mudarão por causa da confirmação dessa morte, mas novos procedimentos de tratamento, prevenção e cuidados da nova gripe devem ser anunciados nos próximos dias.

São Paulo confirmou hoje a morte de cinco mulheres e um homem. Uma das mulheres, de 27 anos, estava grávida. Ela morava na capital e faleceu no dia 14 de julho depois de apresentar sintomas de febre, tosse e dor torácica. Segundo a Secretaria de Saúde, a paciente procurou a unidade de saúde em trabalho de parto no dia 9 de julho, quando foi realizada cesariana. Depois do parto, a doença evoluiu com sintomas como falta de ar. Ela morreu cinco dias depois, mas o bebê passa bem.

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Também na capital morreram outras três pessoas. Uma mulher de 68 anos morreu no dia 12 de julho. Ela apresentava vários fatores de risco como cardiopatia, hipertensão arterial, diabetes e asma brônquica. No dia 18 de julho uma mulher de 44 anos morreu em São Paulo. Os sintomas (febre, tosse, dor de garganta, diarréia, dor muscular e falta de ar) começaram a se manifestar no dia 11 de julho, mas ela só foi internada no dia 17, com insuficiência respiratória aguda, diarréia intensa e cianose nas extremidades.

Ainda na capital morreu no dia 13 de julho um paciente de 50 anos. Ele foi internado no dia 13 de julho e morreu no dia 20. Uma mulher de 26 anos morreu no dia 17 na região de Campinas. Os sintomas começaram no dia 7 de julho, com febre, tosse, dor de garganta e falta de ar. Ela foi internada no dia 16 de julho com amigdalite, bronquite e sinusite, evoluindo para pneumonia.

A prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, confirmou mais uma morte por gripe suína na cidade. É o terceiro caso no município. A vítima é uma jovem de 23 anos, moradora da zona sul da cidade. Ela estava internada desde a semana passada em estado grave no Hospital Regional, que pertence à rede estadual de saúde. Segundo a prefeitura, o caso não tem qualquer relação com os outros dois óbitos registrados na cidade.

O Rio Grande do Sul continua sendo o estado com maior número de mortes até agora. No último fim de semana, mais quatro mortes foram confirmadas . O governo do estado calcula que até 3 mil pessoas estejam infectadas com o vírus da gripe suína na região, que está tomando medidas para tentar frear o contágio entre a população. Pelo menos duas cidades decretaram estado de emergência: Uruguaiana e Barra do Quaraí . Em Porto Alegre, barracas de pré-atendimento foram montadas em frente a alguns hospitais depois que a procura dobrou nos últimos dias.

Em São Gabriel, no centro do estado, o atendimento também está sendo feito em uma barraca. Em Passo Fundo, onde três pessoas morreram e sete estão internadas com suspeita da doença, o clima é de apreensão. Em uma igreja, o padre retirou a pia de água benta para evitar riscos. Ele disse que é preciso tomar medidas que evitem qualquer condição de transmissão do vírus. Em Uruguaiana, a situação de emergência foi tomada depois que três pessoas morreram, entre elas uma menina de 5 anos e uma mulher grávida. O bebê foi salvo pelos médicos e não apresenta os sintomas da doença.

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Soldados do Exército começam nesta terça-feira a ajudar no controle das fronteiras . Eles não vão impedir a entrada de pessoas com sintomas da gripe suína no Brasil. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que treinou o grupo, os militares vão recolher a declaração de saúde do viajante, prestar esclarecimento sobre a doença e sugerir às pessoas com sintomas da gripe que procurem um hospital de referência. Pelo menos 500 soldados foram deslocados a cidades da região.

- Com a transmissão sustentada da doença no país, não há sentido barrar as pessoas. Quem tem os sintomas deve procurar uma rede de saúde. Não se pode impedir a entrada de brasileiros no seu próprio país e muito menos a de estrangeiros. Isso causaria um incidente diplomático - informa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo o Ministério da Defesa, o Exército brasileiro mobilizará militares em 24 cidades de fronteira, espalhadas em dez estados, para ajudar na divulgação de informações sobre a prevenção contra a gripe A H1N1. Em nota, o ministério diz que a preocupação é esclarer adequadamente os viajantes que cruzam, principalmente, as fronteiras do Brasil com Argentina, Uruguai e Paraguai, mas também estão sendo realizados esforços no norte e centro oeste do país.

Uma nova etapa da campanha de prevenção começou nesta segunda-feira. As principais dúvidas da população continua sendo sobre as formas de transmissão, contágio e prevenção. No início de julho, o governo fez uma pesquisa onde ouviu mais de 800 brasileiros. Os médicos explicam que é preciso saber algumas diferenças entre os sintomas da nova gripe e os sintomas de um resfriado comum antes de procurar ajuda. As gripes começam rapidamente, com febre alta, acima de 38 graus, dor no corpo e tosse muito frequente. Já o resfriado comum chega mais lentamente. A febre não passa dos 38 graus, vem com espirro e, geralmente, coriza.

No Rio, desde o fim de semana há lotação em postos e hospitais e a prefeitura autorizou a contratação de médicos . A aglomeração de pessoas em locais fechados, no entanto, é mais um risco na transmissão da gripe suína. Um hospital municipal no Rio está distribuindo máscaras para funcionários e pacientes que procuram a emergência. Já em um outro posto de saúde a proteção é somente para os que trabalham no lugar. Os infectologistas dizem que o cuidado vai depender do que cada paciente está sentindo. Os exames não feitos nas unidades básicas como os postos de saúde. Somente os pacientes graves são encaminhados para hospitais da rede pública credenciados a fazer os testes.

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O GLOBO

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