domingo, 5 de julho de 2009

Bispos católicos das Honduras apoiam golpistas


Os bispos católicos das Honduras manifestaram o seu apoio ao governo que assumiu o poder depois do afastamento pelos militares do Presidente Manuel Zelaya, a quem pediram que reconsidere a intenção de regressar domingo ao país, o que, dizem, “poderia provocar um banho de sangue”, noticiou o diário "El País".

Num comunicado lido pelo cardeal Oscar Andrés Rodríguez, a Conferência Episcopal pede também à Organização de Estados Americanos (OEA) que “preste atenção a tudo o que vinha ocorrendo à margem da legalidade nas Honduras” e “não apenas ao que sucedeu desde dia 28 de Junho”, data do golpe militar que afastou Zelaya. “Os três poderes do Estado estão em vigor legal e democrático, de acordo com a Constituição”, referem também os bispos, segundo os quais, quando foi afastado pelos militares, Manuel Zelaya “já não se comportava como Presidente da República”.

A posição da hierarquia católica foi conhecida no mesmo dia em que a OEA discutia em Washington a suspensão das Honduras, cumprindo uma ameaça feita na quarta-feira. Se a expulsão se confirmar, as Honduras serão o segundo país a ser alvo da medida, depois de Cuba, em 1962.

“Existe uma ruptura da ordem constitucional e os que a fizeram não tencionam por agora alterar a situação”, declarou o secretário-geral da organização, o chileno José Miguel Insulza, que, em vão, tentou convencer o actual Governo a aceitar a legalidade de Zelaya. Durante a breve deslocação de Insulza às Honduras, o Supremo Tribunal do país rejeitou as exigências da OEA e da comunidade internacional para recolocar em funções o Presidente derrubado, considerando a destituição “irreversível”.

Pouco antes da reunião de sábado à noite da OEA, Manuel Zelaya confirmou a intenção de regressar ao país, acompanhado de “diversos presidentes e membros da comunidade internacional”. “Este domingo estaremos em Tegucigalpa”, disse. As novas autoridades hondurenhas avisaram que, caso volte, o Presidente deposto será preso de “imediato”.

Numa antecipação à prevista sanção da OEA, as novas autoridades hondurenhas tomaram a iniciativa de se excluir da organização.

O levantamento dos militares, e de parte da classe política hondurenha, foi motivado pelo facto de Zelaya, eleito em 2006, ter procurado acabar com o limite constitucional de um só mandato e por considerarem que se tinha alinhado demasiado com o seu homólogo da Venezuela, Hugo Chávez.

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