quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bala que atingiu menina de 8 anos passou a três centímetros do coração


Criança ficou ferida durante perseguição policial na Favela de Heliópolis.

Médicos dizem que ela está fora de perigo, mesmo após levar tiro no peito.

A menina Tainá Alves Costa, de 8 anos, foi baleada na porta de casa durante uma perseguição policial na noite de quarta-feira (8) na Favela de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo. Os médicos dizem que ela está fora de perigo, mesmo depois de levar um tiro no peito. A bala passou a apenas três centímetros do coração.

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Uma hora e meia depois de conseguir ver a filha, Genivaldo Alves deixou o hospital com boas notícias. “Ela está consciente, falando, disse que só sentiu uma queimação e subiu a escada correndo”, contou sobre o momento do tiro. Os médicos dizem que ela se recupera tão bem que pode ter alta já no fim de semana.

A situação na Favela Heliópolis era de aparente tranquilidade nesta quinta-feira (9), com poucos policiais. Bem diferente da noite de quarta-feira (8). O tiroteio começou depois de uma perseguição a dois homens que estavam em uma moto. Tainá foi atingida na porta de casa. A polícia diz que atirou porque foi atacada. “As nossas viaturas e motocicletas foram alvejadas, foram agredidas a tiros. E nesse momento nós tivemos que responder à agressão”, disse o major Wanderlei Rodrigues.

Mas alguns moradores afirmam que só os policiais atiraram. “O policial não falou nada, não acendeu giroflex da moto, nada, e continuou perseguindo. Simplesmente a hora que foi fazer a curva, ele sacou a arma e deu dois tiros no moleque. O moleque virou e acabou acertando a criança lá", contou uma testemunha. “Os policiais vieram correndo com a moto e começaram a atirar. Aí um tiro pegou nela”, disse um primo da vítima.

Os moradores protestaram e pediram justiça. “Já virou uma prática de tolerância zero. Não conversam com a comunidade. E o pessoal ficou revoltado e prendeu o policial que atirou aqui”, contou José Geraldo de Paulo Aquino, líder comunitário de Heliópolis. Um grupo pegou a chave de uma moto da PM. “A gente vai devolver a chave na corregedoria da polícia ou para o comandante da Polícia Militar”, afirmou Aquino. Houve negociação, e a chave foi devolvida.

Os dois rapazes que estavam sendo perseguidos fugiram. Um deles chegou a ser algemado, mas aproveitou a confusão para se soltar. A polícia disse que vai apurar o que aconteceu. O pai de Tainá anda acusa os policiais que estavam na favela de não prestarem socorro à sua filha.

A Polícia Militar disse que, no momento que a menina foi atingida, só havia dois policiais em motos na favela - os que faziam a perseguição - e que, por isso, eles não puderam prestar socorro à menina. A PM afirmou também que, logo depois, um carro foi colocado à disposição da família, que seguiu até o hospital para onde Tainá tinha sido levada.

G1

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