domingo, 5 de outubro de 2008

Billings e Guarapiranga viram locais de batismo evangélico


Cerimônia chega a reunir 1,2 mil pessoas; teólogo diz que prática contribui para a publicidade da igreja.
O metalúrgico aposentado José Rodrigues, de 80 anos, pegou emprestada uma calça marrom surrada, vestiu a túnica branca por cima da camiseta da mesma cor e, de chinelo de couro, passou a acompanhar a pregação do pastor timidamente, debaixo da árvore, a salvo da chuva. Minutos depois, debaixo d?água, foi batizado, repetindo a passagem bíblica em que João batiza Jesus Cristo nas águas do Rio Jordão. No caso, o "Jordão" do aposentado é um cenário bem conhecido dos paulistanos: as águas da Represa Billings. "Queria ser batizado como Ele", diz José.
Como no filme de Walter Salles e Daniela Thomas, Linha de Passe, em cartaz nos cinemas, o batismo por imersão nas represas Billings e Guarapiranga, zona sul de São Paulo, é prática comum de grupos evangélicos, que chegam a levar centenas de fiéis às represas paulistanas. A reportagem acompanhou, no domingo passado, o batismo trimestral da Igreja Pentecostal Deus é Amor, no Bororé, Billings. Cerca de 500 fiéis adultos e adolescentes - a maioria mulheres - foram batizados. Contando os familiares, a cerimônia reuniu cerca de 1.200 pessoas. "Só quem crer e for batizado será salvo", repete o pastor Antonio Ribeiro, líder da cerimônia, que reuniu uma caravana de cerca de 40 ônibus e microônibus nos arredores da primeira balsa da Ilha do Bororé.
No sermão, entre uma fala e outra, Antonio Ribeiro cita as contas bancárias da igreja para quem quiser colaborar. O pastor diz que as águas da Billings são "o Jordão da Bororé". Antes de permitir que as pessoas entrem na represa, lançou o desafio: "Quem está realmente convicto?" Todos ergueram os braços. Alguns foram descalços, batendo os dentes de frio.
Com a água um pouco abaixo da cintura, o pastor recebe o primeiro fiel. A oração é feita com as mãos dadas. Antes da imersão - todo o corpo tem de entrar na água - a maioria dos fiéis segura o nariz à espera da queda. O batismo dura segundos. "Alguns se apavoram", diz o pastor, justificando o bombeiro de plantão.
Entre os que já participaram, não é raro encontrar quem tenha se desiludido. "Fui batizado na Guarapiranga há quatro anos. Uma semana depois, deixei a igreja. Nada mudou. No dia seguinte continuou a mesma coisa. É tudo ilusão", diz Aguiar, autônomo que pediu para não ter os prenomes divulgados por ser vizinho da igreja em que se batizou, no Jardim Ângela.
Para o historiador e teólogo Alderi Souza de Matos, do Centro de Pós-Graduação em Teologia do Instituto Presbiteriano Mackenzie, o batismo nas represas ocorre por dois motivos principais: por praticidade, porque um grande número de batismos é inviável dentro da igreja, e por publicidade: "Atrai atenção".

Estadão

FONTE: noticiascristas.blogspot.com

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